Gigliola – Parte da História da Marinha Mercante

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Eis uma figura marcante em nossa Marinha Mercante: Gigliola. Ir a Areia Branca e não passar no Gigliola’s Drinks é a mesma coisa que não ir. É como ir a Madre de Deus e não passar na Lúcia, ir a Miramar, Belém, e não visitar a Help, ir a Vila do Conde e não passar no Filipino ou no Francês, ou então ir a Salvador e não tomar um gelo na Marinalva, onde há bóias e lembranças de tudo quanto é navio.

Todo mundo fala e comenta do Gigliola de Areia Branca, mas você sabe quem ele é?

O travesti Josué Florentino de Souza, que ficou conhecido por “Gigliola”, quando despontou no final dos anos 60 com uma casa noturna em Areia Branca, é conhecido principalmente pelos marítimos mais antigos. Em seu estabelecimento desfilavam as mais belas mulheres para o deleite dos marítimos brasileiros, europeus, asiáticos e operários que trabalhavam na construção do Porto Ilha, entre os anos de 1966 a 1974. A identificação de Gigliola veio do sucesso do cinema italiano “Dio Come ti amo”.

Atualmente residindo numa casa modesta, no bairro Salinópolis, em Areia Branca , onde ainda mantém uma bela casa noturna, Gigliola se considera uma pessoa feliz. Ganhou muito dinheiro, mas não ficou rico.

Na sua casa noturna nas décadas de 60 e 70, a principal moeda corrente era o dólar americano, devido ao constante movimento de estrangeiros na cidade. Para tanto, tinha que proporcionar o que havia de melhor. As mulheres vinham de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Natal e Fortaleza. Muitas chegavam a falar fluentemente o inglês. Naquele tempo as “meninas” eram elitizadas, muita sofisticação, cheias de jóias, brilhantes e perfumes caros.

Em sua casa a boate funcionava a todo vapor a partir das quartas-feiras, todos os dias era uma festa com um conjunto musical exclusivo e shows com muito luxo, plumas, paetês e satisfação total da clientela, sempre extasiada pelas belíssimas mulheres.

Gigliola assegura que a chave do sucesso da sua casa noturna era a boa receptividade a clientela, partindo do seu próprio astral, uma energia que era e ainda é contagiante.

“Sou conhecida em todo Brasil , pois tinha clientes de toda parte. Homens que procuravam o melhor do melhor. Quando terminava cada fim de semana, as mulheres eram tratadas como princesas, café reforçado na cama, manicure, cabeleireira, tratamento de pele, além de assistência médica”.

Em sintonia com o comando da sua casa noturna, Gigliola sempre procurou ajudar ao próximo através de trabalhos de certo modo “paternalista”, pois sempre teve  vocação para ajudar a qualquer ser humano, dando assistência médica, e já chegou a patrocinar mais de 50 partos. Mas nem tudo foi alegria na vida do travesti, que hoje ainda amarga a decepção ao ser barrada no Ivipanim Clube, quando iria participar de sua Colação de Grau do Curso Técnico em Contabilidade, quando o mesmo estudava na Escola Técnica de Comércio, há cerca de 40 anos.

Independente de gostarem ou não, Gigliola é ainda conhecidíssimo por todos e, sem sombra de dúvidas, faz parte da época de ouro de nossa Marinha Mercante, tendo muita estória para contar.

O que tem de estória de marítimo em Areia Branca, principalmente no Gigliola’s Drinks, daria um verdadeiro best seller.

Agradecemos ao pessoal do Espaço X.NET, principalmente ao Sr Carlos  Alberto Bezerra Junior pelas informações disponibilizadas.

Por Rodrigo Cintra

9 COMENTÁRIOS

    • Gigliola é uma pessoa ímpar, Luiz. Tem muita história de colegas que já foram ajudados por ele (principalmente a galera que perdia navio em Areia Branca), isso sem falar nos locais, como você mesmo citou. Obrigado por participar.

  1. Caro Rodrigo Cintra,

    Sou cronista do site vozdeareiabranca.com, espaçox.net, como também escrevo para o jornal O Mossoroense no caderno universo aos domingos, e também para o blog dfcoisasdagente.blogspot.com.

    Escrevi uma cronica intitulada ” Gigliola”. Essa pessoa fantástica que tambem você descreve em sua cronica no site portalmaritmo.

    Espero que divulgue essa crônica a muitos amigos do Gigliola. Pois o mesmo permanece vivíssimo da vida, e em pleno exercício com a sua ainda casa de lazer noturno e muita das vezes diurnas. kkkk

    um Abraço do cronista

    Paulo César Brito

    • Prezado Paulo César

      Seu texto foi a base de nossa matéria. Inclusive fizemos contato com o senhor quando começamos a escrever esta matéria, mas o celular informado foi atendido pelo senhor Carlos Alberto Bezerra Jr, que nos ajudou.
      O Gigliola é uma figura muito carismática e uma pessoa que já ajudou a muitos, principalmente a nós, marítimos.
      Dos mais antigos aos de hoje, o nome Gogliola continua circulando no meio da Marinha Mercante, sempre de maneira muito carinhosa e divertida.
      Obrigado por sua participação em nosso espaço e fica aqui nosso agradecimento.
      Esperamos que o Gigliola tenha gostado desta singela homenagem.
      Transmita ao mesmo nossas sinceras saudações.

  2. MORO EM AREIA BRANCA E TRABALHO NA ASTROMARITMA E A MAIORIA DOS MARITIMOS PRICIPALMENTE AQUELES QUE NAVEGARAM EM NAVIOS QUANDO ATRACAVAM NO TERMISA CONHEÇEM O GIGLIOLA . UM FELIZ ANO NOVO A TODOS MARITIMOS BONS MARES EM 2012.

  3. Há que se fazer uma outra reportagem sobre a “Maria Cachimbo Doce” lá de Cabedelo, onde em seu famoso lupanar várias tripulações mercantes se esbaldaram! e também em Cabedelo o Lóide Bar, grande refúgio para as últimas, vindo da Maria, pois era talvez ainda seja, em frente ao cais. Belas recordações, Tem também o Farol da Barra em Fortaleza, 63 em Salvador, Lá Hoje em Manaus, Pagode Chinês em Belém, etc. etc. etc. RSRSRS, Sds. Mercantes. Fui só um observador da história mercante, hein!

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