Megalomania? Nicarágua anuncia construção de canal que deve concorrer com o Canal do Panamá

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Tudo começou quando a Nicarágua precisou construir um porto em sua costa no Oceano Pacífico. Para isso foi tamém necessário construir uma estrada para acomodar as máquinas que seriam usadas na construção do porto.

O Governo da Nicaragua informa pretende construir um canal com 172 milhas (278 Km), ligando o Atlântico ao Pacífico e pretende torná-lo operacional até 2020, o que aumentaria o crescimento econômico anual do país em mais de 10%.

Enquanto o canal do Panamá em sua extensão tem sua largura variando de 90 a 300 metros, o da Nicarágua teria de 230 a 520 metros.

O canal também pode funcionar como um importante ponto de apoio às atividades da China na América Central, uma região que historicamente é dominada pelos EUA, que concluiu o Canal do Panamá há cem anos.

Alternativas de rota para o novo canal
Alternativas de rota para o novo canal

A construção desta hidrovia será coordenada pela HK Nicaragua Canal Development Investment Co Ltd (HKND Group), empresa baseada em Hong Kong e que é controlada por Wang Jing, um magnata de telecomunicações chinesa que, apesar de pouco conhecido, tem grandes conexões com a elite política da China .

Apoiado pelo Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega , que é um ex-líder guerrilheiro marxista, Wang Jing disse que a licitação para a fase preliminar do projeto seria feita até o final do primeiro trimestre de 2015, e até lá um estudo de impacto ambiental também estaria concluído.

Até o final do terceiro trimestre, os trabalhos de escavação devem começar.

Mais de um ano desde que foi anunciado pela primeira vez, o projeto enfrenta ceticismo generalizado, com questões ainda em aberto sobre quem irá fornecer financiamento, a seriedade com que ele será conduzido, como irá afetar o Lago Nicarágua e quantas propriedades serão desapropriadas para possibilitar sua construção, dentre outros questionamentos que envolvem a realidade da Nicarágua em si, principalmente no que tange à definição de prioridades do país.

“Dado o custo envolvido, é difícil tomar uma posição sobre se isso vai acontecer ou não até que haja um sinal de que o dinheiro está disponível ou não “, declarou o Consultor Greg Miller, da IHS Maritime.

Nas Américas, somente o Haiti só é mais pobre do que a Nicarágua.

O Porta-Voz da Presidência da Nicarágua, Sr. Paul Oquist, declarou que os estudos de viabilidade, incluindo um relatório McKinsey que os especialistas dizem que irá definir interesse em financiar o canal, haviam sido adiados por causa das diversas alterações no percurso e estaria pronto em abril.

Oquist declarou que o financiamento base viria de instituições públicas e privadas da China, sem informar uma porcentagem concreta, mas acrescentou que a Nicarágua está buscando financiamento internacional e rejeitou a ideia de que a China vai financiar o projeto no valor de cerca de quatro vezes o produto interno bruto da Nicarágua.

Só vendo para crer mesmo. E o mundo estará de olho, sem dúvida alguma.

Acredito que a Nicarágua tenha agendas mais urgentes do que essa, ainda mais em se tratando de um país considerado o segundo mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo.

Sem ajuda externa, acho impossível, e vou além: podemos ficar preparados para assistirmos mais um disputa política entre EUA e China. A Costa Rica, que sempre foi conhecida como “quintal dos EUA”, está ali, de frente pros acontecimentos e com uma das entradas do canal bem próxima a sua fronteira com a Nicarágua.

Por Rodrigo Cintra

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