Reestruturação vai gerar cortes de cargos na Petrobras

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A Petrobras deverá extinguir gerências e áreas de negócios, além de reduzir a autonomia da diretoria executiva, na ampla reestruturação que está em discussão na companhia. A previsão é que uma estrutura organizacional seja apresentada aos conselheiros na próxima reunião de colegiado, prevista para o dia 23 de junho.

Na ocasião, também serão discutidas as premissas do novo plano de negócios da estatal – passo mais aguardado para a definição das estratégias e prioridades da empresa em tempos de restrição financeira.

Os investimentos previstos no plano devem ficar em torno de 140 bilhões de dólares entre 2015 e 2019, um volume 33% menor que o previsto no plano anterior, de 206 bilhões de dólares. Além dos cortes, a companhia poderá dar mais sinais ao mercado sobre a dimensão da empresa no futuro com informações sobre a estrutura de gestão, venda de ativos, as metas de produção e de redução da alavancagem para o período – dita prioridade da atual gestão.

O plano deverá apontar as áreas de negócio prioritárias para uma companhia com menor condição financeira. Consequentemente, indicará quais áreas serão preteridas na estratégia – pelas sinalizações já feitas pela petroleira, a área de Exploração e Produção (E&P) e Gás e Energia devem se sobrepor às demais. Além dessas duas, a Petrobras mantém mais cinco diretorias: Financeira; Abastecimento; Engenharia, Tecnologia e Materiais; Corporativa e de Serviços; e Governança, Risco e Conformidade.

Depois da definição de orçamento e estratégias, a estatal passará para a reorganização das estruturas administrativas, de cargos e gerências. No mercado, especula-se que os modelos em estudos vão desde a redução do número de diretorias, a partir da recomposição das áreas de negócio, até à criação de uma estrutura de vice-presidência, em formato semelhante à do Banco do Brasil.

“A estrutura de gestão será toda revisada, como novos níveis de alçada das diretorias e gerências executivas. Isso só será conhecido na próxima reunião”, diz uma fonte próxima às discussões. Cabe ao conselho aprovar as definições sobre “natureza e atribuições de cada órgão, as relações de subordinação, coordenação e controle necessárias ao seu funcionamento”, segundo o estatuto.

Um exemplo da reestruturação já em curso é a Área Internacional. Umas das diretorias com contratos investigados pela Operação Lava Jato, a área foi extinta em janeiro para criação da diretoria de governança. Agora, com a companhia se desfazendo de ativos no exterior e focada no pré-sal brasileiro, as três gerências executivas do setor também estão na mira de cortes, e devem ser reunidas em uma única estrutura, respondendo à diretoria de Exploração e Produção.

A Petrobras deu início às mudanças, no dia 2 de junho (grifo nosso – PM), ao propor a redução das atribuições da diretoria. Agora, os executivos não poderão mais aprovar a formação de sociedades e joint-ventures no país ou no exterior. Também não poderão autorizar a compra de navios, sondas e plataformas, firmar convênios com diferentes esferas do governo e alienar ativos.

A retirada de autonomia é tida como uma resposta aos desvios praticados por ex-diretores e um esforço para melhorar a governança. “A Petrobras está caminhando em boa direção, mas não há certeza se as medidas serão efetivas e se terão continuidade”, ressaltou a superintendente do Instituto Brasileiro de Governança Coorporativa (IBGC), Heloísa Bedicks. No último dia 29 de maio (grifo nosso – PM), o instituto suspendeu a companhia de sua relação de membros associados.

A executiva, entretanto, faz críticas à criação do cargo de conselheiros suplentes. Pela proposta do novo estatuto, que será votado pelos acionistas no dia 1º de julho, os suplentes poderão acompanhar todas as reuniões e terão presença ativa no colegiado. “Os suplentes não são satisfatoriamente familiarizados com a gestão da empresa. É preciso entender o porquê da necessidade de suplentes na estatal”, criticou Heloísa.

Fonte: Estadão Conteúdo

Por Redação

1 COMENTÁRIO

  1. Tal atitude com certeza deve ser para que os funcionário de carreira no cargo de gerente/diretores, não possam ter votos que sejam de interesse da coletividade. E assim os dirigentes indicados por partidos políticos possam fazer aquilo que tais dirigentes políticos tomem atitudes contrárias aos interesses dos acionistas.

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