Rio São Francisco já acumula 30% de perda de volume de água

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O Rio São Francisco fez aniversário de descobrimento nesta terça-feira (4). Com o nível bastante baixo, a data não gera celebração, mas traz um importante alerta. Os pescadores e ribeirinhos já sentem os efeitos da longa estiagem e da degradação. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), de 1993 a 2013, nos períodos mais secos, o rio teve quase 30% de perda de água no volume total, sendo um dos rios que mais perdeu água na America Latina.

O Rio São Francisco tem  515 anos e foi descoberto no dia 4 de outubro de 1501 pelos viajantes Américo Vespúcio e André Gonçalves. O pescador Tadeu Reis pesca há 50 anos pelas suas águas e nunca imaginou que poderia presenciar uma situação como a de agora. “É muito difícil da gente ver, porque antes a gente pescava de rede. Hoje, é difícil até a embarcação passar. Se continuar dessa forma, eu acho que daqui há uns cinco anos, não temos mais como navegar e nem pescar”, conta.

Ao navegar nas águas do rio, no trecho de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, é possível encontrar pontos tão rasos, que as vacas conseguem chegar no local para pastar. Os pescadores contam que há aproximadamente três anos, é possível avistar também pedras que estavam submersas. Existem ainda trechos do rio, em que água baixou tanto, que aos fins de semana, as pessoas vão para fazer churrasco, beber e jogar futebol, e, muitas vezes, deixando lixo.

O ecólogo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Lúcio Alberto Pereira, explica que o nível abaixo acontece em razão da ausência de chuvas. “No Rio São Francisco a parte alta e média é onde ocorre as principais chuvas, e, consequentemente, essa água vai passar por aqui. Em função da Barragem de Sobradinho, o rio perde a capacidade de transporte do sedimento, Quando ele chega numa parte com menos velocidade de água, ele começa a se depositar, é um processo natural que ocorre, mas pode ser potencializado com o uso e a ocupação do solo, o manejo errado do solo, que após um evento de chuva ou irrigação errada, a tendência é depositar cada vez mais sedimentos. É a formação de bancos de areia”.

Há também uma preocupação com a qualidade da água do Rio São Francisco. Por isso a cada dois meses, pesquisadores da Embrapa saem de barco para fazer coletas. O objetivo é saber se a água pode continuar sendo utilizada pelo homem. Os equipamentos são modernos e conseguem medir a profundidade, temperatura, salinidade, transparência, acidez, e a quantidade de oxigênio. O material é analisado minuciosamente em laboratório.

A analista de água da Embrapa, a química Jacqueline Souza, revela que as análises comprovam que água é apropriada para o consumo humano. “Os resultados ainda estão demonstrando que a água do rio está propícia para o banho e lazer, mas nós precisamos iniciar o cuidado, principalmente, no descarte dos esgotos. Nos pontos onde o esgoto é descartado diretamente no rio já começamos a encontrar valores fora dos parâmetros. E que já começam a nos mostrar esse início de uma possível poluição. Então, nós precisamos começar a ter cuidado com o nosso São Francisco”, destaca.

Fonte: G1 Petrolina

Por Redação

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