Mudança no regime de partilha do pré-sal deve atrair investimentos

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A mudança na regulamentação do regime de partilha para o pré-sal foi bem recebida por especialistas e consultores em óleo e gás. O setor espera que, agora, investimentos sejam destravados e novas empresas se interessem em atuar no país.

Porém, dizem eles, é preciso que o governo crie um calendário de leilões para atrair investimentos privados ao setor de energia no Brasil. Eles citam o fato de que, mesmo tendo sido descoberto em 2006, o pré-sal só contou com um leilão até hoje, na área de Libra, na Bacia de Santos, em outubro de 2013.

Com as mudanças, aprovadas pelo Congresso, faltando apenas a votação dos destaques, a Petrobras não é mais obrigada a operar todas as áreas do pré-sal. Além disso, a estatal não precisa mais comprar 30%, no mínimo, de cada um dos campos ofertados pelo governo ao mercado. Segundo Alfredo Renault, professor da PUC-RJ, especialista no setor de energia, as mudanças são extremamente importantes para destravar os investimentos do país. Assim, avalia, o setor não ficará mais dependente da capacidade da Petrobras.

“A mudança foi essencial, pois o governo sabe que a Petrobras tem restrição financeira, e, por isso, não ocorrem os leilões. O portfólio da Petrobras já é enorme e consome muitos investimentos. Por isso, a própria companhia vem buscando parceiros para campos e em diversas áreas de atuação”, afirma. O professor da PUC-RJ destaca ainda que o volume de investimento privado no pré-sal vai depender da quantidade de leilões promovidos pelo governo. “É preciso um cronograma de leilões”, destacou Renault.

Interesse de empresas há. Segundo fontes do governo, produtoras de petróleo dos Estados Unidos já mostraram apetite pelo pré-sal em caso de mudança nas regras. Entre as principais petroleiras americanas estão nomes como ExxonMobil, ConocoPhilips, Chevron e Devon. Também estão na lista de interessadas empresas europeias, como a Total e a Shell, além de produtoras chinesas.

“O governo sabe que só irá conseguir licitar com sucesso grandes áreas de petróleo no Brasil, como as do pré-sal, se atrair o interesse das grandes produtoras mundiais de petróleo. Até porque a Petrobras vem sinalizando ao governo nos bastidores que não deve entrar em novos leilões de petróleo até 2018 para poder arrumar as suas contas e conseguir de volta seu grau de investimento”, destacou essa fonte do governo, que não quis se identificar.

Do outro lado, a Petrobras vem afirmando ao mercado que analisa todas as áreas e não descarta avaliar campos em futuras rodadas de licitação de petróleo e gás.

Segundo um estudo feito pela Firjan, que reúne as indústrias do Rio de Janeiro, a expectativa de 56 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) a serem explorados no pré-sal pode gerar investimentos de cerca de US$ 420 bilhões por parte de companhias interessadas em explorar e produzir o petróleo na área. Além disso, outros US$ 390 bilhões seriam gerados com as participações governamentais, como bônus de assinatura, royalties oriundos da produção e recursos provenientes da comercialização do óleo excedente para a União. Esses valores, reforçou também a Firjan, só serão viáveis se o governo criar um calendário de leilões. A estimativa da instituição é que esses recursos sejam liberados na economia até 2030.

Para a Firjan, a mudança representa um marco para o país. “A nova legislação viabilizará a atração de investimentos e a dinamização do mercado de petróleo e gás, crucial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil, com aumento da oferta de emprego e de renda”, disse a entidade, em nota. Segundo a Firjan, podem ser gerados um milhão de empregos com os investimentos por parte do setor privado.

John Albuquerque Forman, presidente da consultoria JF, diz que, ao fazer novos leilões de petróleo no Brasil, o governo precisa oferecer boas áreas para atrair o interesse das companhias, impulsionando os investimentos no setor. Desde que a Operação Lava-Jato afetou a Petrobras, há dois anos, o setor vem amargando o fechamentode estaleiros e de fábricas de empresas que produzem equipamentos, causando milhares de demissões.

“Se as áreas oferecidas tiverem atratividade, os investimentos vão acontecer. Essa é a expectativa hoje, pois há interesse das grandes companhias no mundo pelo pré-sal”, afirma Forman. Ainda na avaliação do especialista, as regras anteriores do pré-sal não trouxeram benefício para o setor de óleo e gás. “O fato de a Petrobras ser obrigada a ter 30% do campo não era bom para ela nem para as outras empresas. As companhias precisam ser livres para escolher seus sócios. Além disso, muitas petroleiras só investem em áreas onde podem fazer a sua própria gestão, operando o campo.”

Fonte: Gazeta do Povo (PR)

Por Redação

1 COMMENT

  1. Em virtude da nossa formação político-econômica imposta pela nação exploradora(Portugal), vejo com muita cisma a abertura dos portões da PETROBRAS, assim como o fui em relação à CVRD.
    A PETROBRAS, no meu modo de ver deve, em todos os aspectos, ser detentora de todos os marcos do território energético do Brasil em seu total e pleno poder. Do jeito que nos foi informado, a PETROBRAS está
    sendo fatiada, para depois ser “d o a d a” a quem menos oferecer. A China já tem grana enterrada na PETROBRAS (não só aí). Não vale a pena entregar o Brasil para que esse se safe de vez com os problemas causados pelo petismo (marxismo). A capital construído pelos trabalhadores de todos os tempos e que fez do Brasil a potência que é, tem de ser mantido em mãos dos brasileiros. Portanto, opino que essa desfaçatez da nossa política (entreguista tal qual a do PT.), deve ser revista pelo Congresso (que já apoiou a medida)…

    • Waldemar
      Você reclama do marxismo mas está defendendo uma ideia de um Estado totalitário, que é justamente uma ideia marxista.
      A Petrobras continua do mesmo jeito. O problema é que a confusão estatal de nosso país passa a falsa impressão de que Governo, Petrobras e ANP são a mesma coisa, e não são.
      A Petrobras não tem capacidade de operar o petróleo sozinha, e quem diz isso não é o Cintra, não é nenhum Político nem nada, mas sim a própria Petrobras.
      A escolha que deve ser feita no momento é entre operar muito e tomar prejuízo ou operar menos e ter lucro, fazendo a empresa crescer, se estruturar e se preparar para poder operar mais ainda.

  2. … entendo que a PETROBRAS pode até ceder territórios para que a iniciativa privada nacional e estrangeira explorem jazidas onde a PETROBRAS achar por bem, mas tudo isto deve ficar em mãos da nossa estatal. Sugeri em um outro tempo mais ou menos o seguinte: Que a PETROBRAS seja regida e fiscalizada por um grupo de técnicos de todos os níveis da administração petrolífera da PETROBRAS mas advindos das várias áreas da sociedade organizada. Por exemplo: Técnicos da FGV, do ITA, das escolas superiores do Exército, Marinha e de setores privados da vida nacional. Esse conjunto de profissionais, isentos de cores partidárias e voltados tão somente aos interesses da Nação, assumam a responsabilidade pelo desenvolvimento de tecnologias (!) e aprimoramento da nossa estatal tanto na área dos estudos geológicos e… até a entrega ao consumidor final, o produto líquido e certo. Que se aplique critérios estritamente técnicos na contratação de pessoal em todos os níveis, e para que políticos inescrupulosos não venham a se impor aos interesses da Nação dentro da PETROBRAS. Que a nossa maior empresa não seja reduto de corruptos , ladrões e inescrupulosos, como aconteceu, principalmente nos governos socialistas (marxistas) do PSDB e PT quando a TRUPE inteira se beneficiaram dos largos recursos produzidos por ela.

    • Waldemar
      Enquanto os cargos da alta administração e os estratégicos em níveis menores forem na base da nomeação, cargos comissionados, preenchidos por políticos ou gente ligada à Política e não por pessoas que sejam funcionárias, com um histórico técnico / operacional na empresa, a corrupção vai imperar na Petrobras.
      Quem tem que ser especialista é quem está dentro, a Petrobras tem que investir nisso sim, principalmente na Governança Corporativa e fiscalizar cabe às autoridades.

  3. Caro Cintra, é com prazer que te leio. A minha questão relativa ao marxismo é simples, esse maldoso sistema político-dominador (os russos, chineses e…) que o digam. Tomaram o Brasil pelo voto popular mostrando uma face que não era a verdadeira. Por isto o IMPEACHMENT. Pois bem, relativo à PETROBRAS, tenho a dizer que, os administradores, todos eles indicados por interesses propriamente políticos e não técnicos, levou a estatal ao abissal fosso da podridão administrativa. Por isto é que tenho batido tanto na defesa dessa senhora que tantos bens aqui produ-ziu , enriquecendo a Nação. Ela não foi criada para ser partilhada. Foi criada para dar ao País a capacidade de vencer as barreiras econômicas às quais estávamos obrigados a seguir com altos custos à Nação e ao seu povo (você tem conhecimento disto). Tão gloriosa a sua história, Cintra, que me orgulho dela. A SHELL, a ESSO, a GULF, e… sabe, tentaram minar todas as possibilidades para a concretização desse sonho – o Brasil não tem petróleo, diziam os sabotadores dessas empresas. Mas aí está o resultado. Não só temos PETRÓLEO, mas temos gás e… outras cositas más (rs). Sem saudosismo. Mas te afirmando, Cintra, essas declarações de que a PETROBRAS não condições disto ou daquilo, para mim é uma farsa. Se ela chegou a tão alta tecnologia é porque tem capacidade, sim. Quem afirma isto está a serviço de interesses não nossos, podes crer. Se os administradores da PETROBRAS tiverem a liberdade de fazer o que for preciso fazer, farão, com certeza. É claro que temos de fazer licitações de empresas para tais empreitadas, mas é apenas empreiteiras. O grosso dessa indústria deve ser do BRASIL. Ora, tendo todo o potencial em mãos a p e t r o b r a s não consegue “sair do caos” em que a puseram, como poderá o BRASIL honrar seus compromissos só com os minguados impostos advindos das atividades petrolíferas, Cintra? Que a PETROBRAS se supere e que a Nação ganhe reconhecimento pelo resgate dessa que é o nosso maior orgulho.
    Grande abraço. É bom dialogar com quem sabe. Grande prazer nesse casual contato. E viva o Brasil !

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