Corte de navios – Maersk sob a mira do Parlamento Dinamarquês

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Corte de navio

Enquanto a empresa defendia publicamente uma postura extremamente responsável para com as vidas humanas e o meio ambiente, 14 navios afretados pela mesma foram enviados para o corte na Ásia, relatam vários meios de comunicação. “Isso é algo que não deveria estar sendo feito”, declarou o CFO da Maersk, Trond Westlie, ao Jornal dinamarquês Politiken.

Segundo o jornal, a Maersk estava jogando dos dois lados em seus posicionamentos a respeito da maneira como o corte de navios deveria ser conduzido em 2013 e 2014. A empresa declarava que era uma atitude extremamente irresponsável por parte dos armadores simplesmente varar seus navios já não mais úteis em prais abertas de Bangladesh ou da Índia, expondo tanto pessoas como o meio ambiente.

Ao mesmo tempo, a Maersk teve um bom lucro pressionando um armador alemão a mandar 14 navios para serem cortados nesses países, segundo informa o Jornal Politiken, em matéria que teve a colaboração da DanWatch e da TV2.

Trond Westlie, CFo da Maersk reconhece que a empresa não deveria ter agido dessa forma
Trond Westlie, CFO da Maersk reconhece que a empresa não deveria ter agido dessa forma

Após ver os contratos contratos, Trond Westlie, CFO do Grupo e membro do Conselho Executivo da Maersk, reconheceu que houve um comportamento incorreto por parte da empresa, completamente contrário aos valores que a mesma defende. “Neste acordo está claro que nossa influência foi aplicada na direção errada e este tipo de influência é algo extremamente infeliz. Isso é algo que não deveríamos ter feito”, declarou o executivo ao Jornal Politiken.

Jacob Sterling, Diretor da Maersk para a área de sustentabilidade na época, escreveu o seguinte, mais precisamente em 30 de Agosto de 2013: “Tudo OK com pessoas usando sandálias na praia. Porém, pessoas usando sandálias, sem o equipamento de proteção individual correto e cortando grandes navios com ferramentas manuais é simplesmente errado”.

Ao mesmo tempo em que pressionava para que os navios fossem enviados apra o corte, a Maersk negociava com empresa alemã MPC Capital o cancelamento do contrato de 14 navios que Maersk tinha afretado da mesma.  A Maersk queria que os navios retirados do mercado e cortados dois anos antes do prazo de término do contrato com a MPC.

Um elemento chave deste contrato era a cláusula em que a MPC se comprometia a assegurar “o maior preço possível” por tonelada reciclada de aço. Se o preço ficasse maior que US$ 44 por tonelada, os lucros seriam pagos à Maersk.

“Só seria possível conseguir este preço de aço em três lugares no mundo”, declarou Rajesh Verma, um consultor de shipping da empresa Drewry.

“Durante este período os únicos locais onde seria possível conseguir este preço pelo aço reciclado seria em Bangladesh, índia ou or Paquistão, locais conhecidos por operarem nos padrões mais baixos na indústria de corte de navios”, declarou  o especialista ao jornal Politiken.

“Nós reconhecemos que não deveríamos ter entrado em um acordo incentivando o armador a conseguir o maior preço possível para o aço”, declarou a Maersk por meio de comunicado oficial ao jornal dinamarquês.

North Sea Producer varado em uma praia em Bangladesh, próximo a Chittagong
North Sea Producer varado em uma praia em Bangladesh, próximo a Chittagong

A Presidente do Partido Popular Socialista da Dinamarca,  senhora Pia Olsen Dyhr, quer que o Ministro do Meio Ambiente,  Esben Lunde Larsen, do Partido Liberal Dinamarquês que dê parte da Maersk na Polícia por ter violado a Legislação Internacional no caso do FPSO North Sea Producer, declarou a poítica ao canal de televisão dinamarquês DR Nyheder.

Pia Olsen quer que o ocorrido seja tratado como caso de polícia
Pia Olsen quer que o ocorrido seja tratado como caso de polícia

Ela descreveu o caso como um “escândalo” ainda mais devido ao fato da Legislação Internacional que regulamenta a atividade ser bastante clara. “Quando alguma entidade vende algo que possa ser caracterizado como resíduo perigoso, esta entidade é responsável por este resíduo até seu descarte final”, declarou Pia Olsen Dyhr.

Ela reforçou que a Maersk deveria ter dado mais atenção ao destino final deste navio. “Eles não deram atenção. Desta forma, o ministro deveria tratar isso como um caso de Polícia”.

Por Rodrigo Cintra

1 COMENTÁRIO

  1. […] Os jornais dinamarqueses Politiken e Danwatch já denunciaram que as condições no estaleiro Shee Ram em alguns casos não atendem nem os padrões internos da Maersk e inclusive revelaram que a empresa pressionou armadores com navios fretados a ela a cortarem seus navios sob estas condições, conforme publicamos aqui no Portal Marítimo (clique para acessar). […]

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