Armadores Noruegueses esperam recuperação do Apoio Marítimo no Brasil e vagas podem surgir em breve

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Assim como muitos dos mercados de Apoio Marítimo pelo mundo, O Brasil está sofrendo o efeito danoso dos baixos preços do petróleo. Como se não bastasse, uma perfect storm se formou, pois, além da Economia que se encontra em recessão, o escândalo político evidenciado pela Operação Lava Jato expôs o que o país tem de pior.

A situação levou o país a uma recessão sem precedentes, milhões de desempregados e empresas abandonando o país, enquanto outras lutam incansavelmente para permanecerem.

Armadores e operadoras do Apoio Marítimo em todo o mundo foram fortemente impactados pela baixa no preço do petróleo, mas no Brasil isto foi ainda pior devido a situação do país e ninguém vem sofrendo tanto como as empresas norueguesas instaladas no país. De acordo com dados da ABEAM (Associação Brasileira das Empresas do Apoio Marítimo), o número de embarcações de apoio operadas por armadores noruegueses caiu em mais de 40% desde 2013, saltando de 81 navios para apenas 48 neste mês de outubro e este número continua caindo.

O número total de navios operando sob todas as bandeiras e países caiu de aproximadamente 500 para 400, sendo que teremos de seis a dez navios de bandeira brasileira entrando no Mercado por ano. Conforme esses navios entram no Mercado, os navios estrangeiros seguem para lay up, boa parte fora do país.

Até três anos atrás, os armadores noruegueses operando no Apoio Marítimo brasileiro tiveram uma boa performance, enquanto o preço do barril de petróleo permanecia em torno de US$ 100. A ANP registrava, nessa época, uma descoberta após a outra, especialmente na camada do pré-sal e a indústria brasileira estava crescendo, permitindo que os armadores tivessem uma boa rentabilidade, gerando divisas para si, mas também para o país e principalmente empregando brasileiros, tanto a bordo como em terra. Porém, esta era a situação daquela época, e agora o que temos é o barril de petróleo se recuperando, mas ainda sendo negociado em torno de US$ 50, o que é positivo se comparado ao fundo do poço a crise, quando o barril era negociado a US$ 30, ms ainda bem longe do barril a US$ 100.

A Petrobras, que domina o mercado brasileiro de petróleo, está num regime de contenção de custos bem drástico e isso levou à suspensão temporária de alguns contratos e até mesmo ao cancelamento de outros, muitas veze sem as devidas indenizações contratuais, causando uma chuva de ações da Justiça e o questionamento da credibilidade da mesma.

Entre as norueguesas, a empresa que mais sentiu isso foi a Solstad Offshore, que recentemente anunciou seus planos de fusão com a REM Offshore (clique aqui para ler a matéria) e já vinha de um refinanciamento pela Aker Solutions no valor de US$ 59 milhões. A empresa reduziu sua frota de nove navios em 2013 para apenas dois. Os que ainda estão em contrato são o Normand Master, contratado pela Petrobras, até o segundo semestre de 2017 e o Normand Titan, contratado até o segundo semestre de 2018. Ambas as embarcações são AHTS 18000 e num cenário de incertezas, ainda há o risco da Petrobras não cumprir os contratos até o fim. No início do ano, por exemplo, a Petrobras cancelou o contrato do Normand Clipper, que retornou à Noruega para ficar em lay up por tempo indeterminado.

Recentemente circularam rumores de que a Solstad iria jogar a toalha e fechar seu escritório no Rio de janeiro, que fica na Torre do Rio Sul, um prédio comercial caríssimo, para economizar recursos, mas os boatos foram rapidamente desmentidos pelo CEO da empresa, Lars Peder Solstad. “Não está nos nossos planos fechar as portas e encerrar nossas operações no Brasil”, declarou o executivo. “O plano é continuar no Brasil. O Apoio Marítimo em geral é uma preocupação, não somente no Brasil. Os problemas no setor de Apoio Marítimo são os mesmos também em outros locais, então vamos continuar no Brasil”, completou Lars.

Num passado recente, Sven Stakkestad, Vice Presidente da Solstad, declarou para a revista Norwegian Solutions, que uma possível solução para os problemas da empresa no Brasil, que inclusive resolveria a falta de navios de bandeira brasileira, o que permitiria à empresa escapar dos bloqueios nas circularizações da ANTAQ, poderia ser comprar uma empresa brasileira. Porém, ele não mencionou nada de concreto que pudesse realmente sinalizar isso.

Além da Solstad, outras grandes empresas norueguesas, como a Deep Sea Supply e a Olympic Shipping, que além da frota em si, investiram principalmente em suas equipes, buscando um modelo de gestão eficiente, também passam por maus momentos no país. A Deep Sea, que pertence ao milionário John Fredriksen, começou suas operações no país em 2012 com apenas dois navios, incluindo o PSV 4500 Sea Brasil, construído pelo estaleiro Vard em Niterói. A empresa cresceu rapidamente, trazendo barcos de manuseio de âncoras e aumentando sua capacidade operacional de AHTSs 7000 para AHTSs 15000. Aí, em 2013, a empresa fez uma fusão parcial, uma joint venture, com os investidores do Banco BTG Pactual, que investiu US$ 60 milhões na construção de seis novos navios (alguns deles ainda em construção) na China. A Deep Sea já teve uma frota operacional de 15 barcos, operados por um time altamente qualificado, mas esta frota caiu para sete e hoje, em termos de barcos operacionais, está ainda menor.

Apesar da maioria das empresas norueguesas terem colocado seus PSVs em lay up, a Deep Sea Supply teve que colocar em lay up o AHTS 15000 Sea Jaguar, uma barco de altíssima performance. A empresa declarou que tem que lidar com esta situação de crise, e acredita que pode resistir, estando, no momento, apenas tentando sobreviver.

Analisando o Mercado, podemos perceber que a empresas norueguesas de Apoio Marítimo estão sofrendo os reflexos da crise muito mais do que as outras. Acredito que isto ocorre devido ao modelo antigo de ter um navio de bandeira brasileira com tonelagem para puxar outros pelo REB e com a tendência, pelo menos teoricamente, de se estar construindo sempre um barco por aqui, liberando ainda mais tonelagem. Este modelo não funciona na atual conjuntura.

Ricardo Fernandes, Presidente da Associação Brasileira dos Armadores Noruegueses (ABRAN), declarou recentemente que esta situação atual é uma de suas maiores preocupações. “Nós estivemos em contato muito próximo com nossos associados nesse período de dificuldades e ajudamos todos no entendimento dessa parte tão dura deste negócio”, referindo-se ao corte de contratos e a prática do bloqueio, que foi encorajada e incentivada pela Petrobras, e que levou alguns armadores noruegueses que possuem navios de bandeira brasileira a competirem ferozmente com outros armadores também noruegueses que não tinham muita tonelagem sob bandeira brasileira.

Uma maneira de aliviar os efeitos do bloqueio seria utilizar o REB (Registro Especial Brasileiro) e é basicamente o que muitas empresas norueguesas estão tentando fazer no momento: “rebar” seus barcos, ou ao menos quantos puderem.

Leia mais sobre o bloqueio de navios clicando aqui

Porém, mesmo diante da crise, há alguma luz no fim do túnel. Deep Sea Supply, Olympic Shipping e Solstad Offshore estão passando por tempos bastante difíceis, mas mantiveram-se de pé até aqui, à duras penas. No ponto em que chegamos a tendência é somente melhorar, pois o pior já passou, ainda mais agora que a Petrobras já fez boa parte dos ajustes que precisava fazer e o Governo idem. O número total de embarcações de Apoio Marítimo, como já mencionado, caiu de 500 para aproximadamente 400 e por mais que a situação para barcos menores PSV e Oil Recover (OSRV) ainda seja crítica, os PSVs e AHTSs mais sofisticados, que são justamente o ponto forte dos armadores noruegueses, deve dar sinais de recuperação dentro em breve.

Somado a isso, o acordo recente entre a Petrobras e a gigante estatal norueguesa Statoil dá um bom sinal para os armadores noruegueses.

Torcemos para que em breve vejamos as empresas crescendo e gerando empregos em nosso país.

Por Rodrigo Cintra

1 COMMENT

  1. Olá Rodrigo. A situação vivida no País não difere do cenário mundial. Estive no fim do ano passado em Port Fourchon LA, base do Golfo do México e o cenário é ainda mais triste, posto tamanho das Empresas de embarcações offshore que lá operam sendo que l´as empresas possuem suas própria facilidades de atracação.
    São “stacks” de 3, 4 barcos, relativamente novos, em sua maioria de bandeira americana, sem contrato.
    Mas parece que temos luz no fim do túnel em nosso mercado com a perspectiva de retomada de atividades da Petrobras e o anuncio de Empresas de Óleo e Gas de aumentar seus investimentos aqui no Brasil, como no caso da Shell, após a fusão com a BG e a Statoil que já anunciou ser o Brasil seu futuro segundo maior mercado.
    A evolução dos marcos regulatórios do setor se faz necessária para que nosso trabalhador volte a ter competitividade dentro de nosso próprio mercado.
    Outra coisa que pode mudar é a revisão da Lei de licitações da Petrobras não para traze-la totalmente à 8666/93 mas para oproveitar alguns conceitos como preços de referência e planilhas de custos abertas, visando a que não haja a prática de sub preços e inviabilização dos contratos ao longo do tempo.

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