Consumo de petróleo atingirá seu ápice em 2030 segundo o Conselho Mundial de Energia

0

energia
Em seu último relatório, emitido após recente encontro em Istambul, na Turquia, o Conselho Mundial de energia chamou a atenção para um ponto crucial e que vai tocar adiante o desenvolvimento mundial no setor de energia nos próximos anos. Um cenário bem diferente do atual e que exige total engajamento por parte de todos os países.

“O mundo está prestes a mudar. A indústria energética  tem passado por décadas de transformação. O grande desafio dos líderes mundiais da indústria é manter a atual integridade dos sistemas energéticos por todo o mundo enquanto seguem adiante para este futuro cheio de transformações. Isto requer novas políticas, estratégias e também considerar investimentos arriscados em áreas completamente incomuns”, destacou o Comitê do Conselho Mundial de Energia em seu recente relatório.

O relatório serve de base para as seguintes conclusões em possíveis cenários que trazem consigo diferentes tipos de inovação, fatores de risco e sustentabilidade:

– A demanda mundial de energia terá seu ápice em 2030, em face do desenvolvimento de novas tecnologias e as políticas cada vez mais restritas do setor.

– Em 2060, o consumo total de energia no mundo será de 22 a 46% mais alto que o de hoje. A demanda de eletricidade terá dobrado em 2060 e ela vai representar de 25 a 29% do consumo total de energia.

– A energia solar e eólica vai saltar dos atuais 4% na produção de eletricidade para uma faixa de 20 a 39% em 2060.

– Energia hidroelétrica e nuclear também devem aumentar.

– A China e a Índia vão desempenhar um papel majoritário no consumo de carvão mineral, que deve atingir seu ápice em 2020 em dois de três possíveis cenários. No único cenário em que isso não acontece, que é aquele em que os países mantem seu foco na segurança do suprimento, o carvão atinge o ápice somente após 2040.

– Em relação ao petróleo, o ápice é esperado para 2030 também, e depois cai entre 2040 e 2050.

No fim das contas, as perspectivas, de acordo com os relatórios, é que de 50 a 70% na energia mundial continuará vindo de combustíveis fósseis em 2060, contra os atuais 81%.

O Conselho Mundial de Energia emitiu diversas recomendações baseado nas previsões.

Dentre estas recomendações, algumas se destacam por mostrarem um cenário bem diferente do que é visto hoje, indicando para mudanças drásticas a nível mundial.

Destacou-se a necessidade de reconsiderar a distribuição de recursos materiais e estratégia, mantendo um grande foco nos mercados crescentes, como Ásia e África e uma implementação gradual de novos modelos de Negócios que possam ajudar a expandir a cadeia de valores e garantir acesso a futuros benefícios.

O Conselho também destacou a importância de manter e desenvolver cada vez mais esforços na redução das emissões de CO2, enquanto ao mesmo tempo, os países devem ir se preparando para lidar com as consequências sociais e econômicas das futuras políticas relacionadas ao clima na Terra.

Lembramos que, ainda que de maneira inicial, já há uma pressão crescente para que o uso de combustíveis fósseis seja reduzido drasticamente para que futuramente seja erradicado.

Um exemplo clássico disso é o que ocorre na Noruega hoje, onde o Governo está sendo processado por ONGs por permitir a exploração de petróleo no Mar de Barents e a crescente pressão na União Européia para usar políticas tributárias que possam auxiliar na promoção de mobilidade urbana com emissão zero de CO2, ou seja, aumentar os impostos gradativamente em cima de combustíveis fósseis e meios de locomoção que os utilizem.

É hora de repensarmos nossa matriz energética e a maneira como lidamos com os recursos naturais, sob o risco de simplesmente ficarmos para trás e as gerações futuras pagarem um preço bem amargo por isso.

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta