EISA – Navio abandonado da PDVSA permanece sem definição

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Abreu e Lima - Daniel Marenco / Agência O Globo

Ao lado de barquinhos coloridos de pescadores, um gigante de 182 metros de comprimento e capacidade para transportar 340 mil barris de derivados de petróleo adormece como símbolo de crise. Encomendado pela companhia venezuelana de petróleo PDVSA ao Estaleiro Ilha (Eisa), o petroleiro Abreu e Lima foi lançado ao mar em 2009.

Desde então, a Venezuela enfrenta uma recessão e o Brasil também passa por problemas econômicos: a indústria naval fluminense e as finanças do estado naufragaram. A embarcação continuou lá, ancorada, considerada um problema colossal para seus vizinhos no bairro Bancários, na Ilha do Governador.

Na região, o navio ganhou o apelido de Sucatão, devido às peças que enferrujam em seu convés. A preocupação agora, é que o petroleiro se torne um enorme criadouro de mosquitos com as chuvas de verão que estão por vir.

— Já foi assim em 2015 e no início deste ano. Todo mundo aqui perto teve dengue, zika ou chicungunha. Eu mesmo fiquei doente. Nós desconfiamos que há focos neste navio, com partes que enchem d’água a cada chuva — diz o pescador Fábio Cardoso Lopes.

Outro marujo, Carlos Xavier, emenda:

— Não tem ninguém. Em volta, os ratos tomaram conta de tudo. É uma pena que um navio desse porte acabe abandonado.

Por ali, todos conhecem a história. O Abreu e Lima fazia parte de um projeto ambicioso: um pacote de dez embarcações que os venezuelanos construiriam no Brasil, num negócio estimado em US$ 670 milhões (R$ 2,1bilhões). Tudo mudou quando Caracas — ainda nos tempos de Hugo Chávez, morto em 2013 — decidiu suspender os pagamentos. Uma reviravolta que contribuiu para a queda do próprio Eisa, que, nos últimos anos, demitiu quase todos os seus funcionários, prejudicando a economia local.

Nessa rota, a empresa, por sua vez, não comenta o caso. Diz apenas que o assunto está sendo tratado comercialmente com o cliente. Enquanto isso, o gigante só tem uma boa serventia. Atrai muitos peixes para o entorno de seu casco, para a alegria de alguns pescadores.

Fonte: Rafael Galdo / O Globo

Por Redação

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