Mudanças climáticas vão afetar a hidrologia da Bacia Amazônica

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Mudanças climáticas provavelmente irão alterar os ciclos hidrológicos da bacia do Rio Amazonas, de acordo com os cientistas e autores de um estudo publicado recentemente que prevê tendências futuras resultando em condições mais úmidas para a parte oeste da Amazônia e mais secas para a parte leste. O estudo foi publicado em um número recente da revista Climate Change.

Em uma região que depende dos rios e das planícies de inundação para sua subsistência, mudanças nos ciclos hidrológicos podem ter impactos no transporte, geração de energia, moradia, e segurança alimentar para milhões, dizem os autores do estudo, que usaram dados regionais e modelagens computacionais para projetar as condições futuras da superfície da bacia do Rio Amazonas em um contexto de mudanças climáticas.

Esse estudo é parte da Iniciativa Águas Amazônicas (Amazon Waters Initiative/AWI), liderada pela organização não-governamental Wildlife Conservation Society (WCS ou Associação Conservação da Vida Silvestre, em português), que investiga como a conectividade desse vasto, interligado e dinâmico sistema de água doce pode ser mantida para continuar sustentando as comunidades locais, a vida silvestre, e o meio ambiente de que dependem.

Os autores usaram projeções de climas em modelos computacionais para simular tendências relacionadas a descarga do rio e extensão das planícies de inundação. Dados de análises recentes conduzidas pelo Painel Internacional para Mudanças Climáticas (IPCC) foram usados nas simulações. Enquanto os resultados das diversas projeções produziram diferentes cenários específicos, os resultados gerais da modelagem mostraram sempre dois cenários contrastantes para diferentes partes da Bacia Amazônica.

Um deles é o aumento da precipitação na parte ocidental da Amazônia, que pode aumentar a inundação em planícies peruanas e a descarga do rio Solimões, como é chamado o Amazonas quando entra no Brasil em sua porção mais ocidental. As projeções também mostraram descargas reduzidas do rio para a parte mais oriental da Bacia Amazônica. Link para o estudo:

http://rd.springer.com/article/10.1007/s10584-016-1640-2.

As implicações potenciais do estudo para o futuro da região são significativas, afirmam os autores. Além da enorme quantidade de água fluindo pela bacia do Amazonas e planícies de inundação, o sistema regula a bioquímica do carbono e outros nutrientes e o ciclo do dióxido de carbono e metano. O Amazonas também sustenta ecossistemas altamente diversos e uma pesca produtiva, que serve de subsistência para os moradores que vivem às margens do rio e de suas planícies de inundação. Rios são utilizados como corredores para transporte e geração de energia hidrelétrica que sustenta a maior parte da demanda de energia da região.

“Grandes ecossistemas de águas doces, como a Bacia Amazônica, fornecem serviços essenciais a milhões de pessoas, incluindo água e comida, mas também regulam o clima e os pulsos de inundação” diz Mino Sorribas do Instituto de Pesquisas Hidráulicas, que liderou o estudo. “Além disso, pesquisas sobre alterações nos processos hidrológicos devido a mudanças climáticas e o aumento da demanda por água servem para aumentar a consciência ambiental e seguir em direção a um desenvolvimento que garanta a disponibilidade de água no futuro”.

A iniciativa Águas Amazônicas, da qual o estudo faz parte, é apoiada pela Science for Nature and People Partnership (SNAPP), uma parceira que inclui a WCS, a the Nature Conservancy, o National Center for Ecological Analysis and Synthesis (NCEAS), e outras entidades que buscam evidências científicas e soluções multi-escala para enfrentar os desafios globais na relação da conservação da natureza, desenvolvimento sustentável e bem-estar humano. O grupo SNAPP procura usar a ciência para encontrar direções para a gestão e políticas públicas para a conservação em larga escala de ambientes aquáticos, baseando-se na gestão de bacias hidrográficas.

Os autores do estudo, intitulado “Projections of climate change effects on discharge and inundation in the Amazon basin” são: Mino Viana Sorribas, Juan Martin Braco e Rodrigo C.D. Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas, de Porto Alegre; John M. Melack, Leila Carvalho e Charles Jones, da University of California, Santa Barbara, Califórnia, nos Estados Unidos; Edward Beighley, da Northeastern University, Boston, nos Estados Unidos; Bruce Forsberg, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, de Manaus; e  Marcos Heil Costa, da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.

Fonte: A Crítica

Por Redação

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