Mineração Offshore – você já ouviu falar nisso?

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Há algum tempo que venho lendo pelo noticiário quão rica é a nossa plataforma continental em petróleo e gás, mas um assunto tem chamado a minha atenção: os recursos minerais. Um assunto pouco divulgado, mas de suma importância para nossa Nação. O Governo, infelizmente, não dá a devida atenção, mas deveria, pois já tem gente de fora com o olho bem grande em cima de nossos recursos minerais offshore.

No fundo do mar brasileiro há muita riqueza mineral, como nódulos polimetálicos, crostas cobaltíferas, granulados carbonáticos e outros. A maioria desses nódulos, por exemplo, foram encontrados no Platô de Pernambuco, numa profundidade entre 2200 e 1750 metros, com formas predominantemente esféricas e ovais e medindo entre 2 e 12 centímetros.

São recursos realmente fantásticos e, no caso específico do platô que citei acima, em mais de 90% desses nódulos, temos um núcleo de fosforita e recobrimento metálico que contém manganês, ferro, níquel, cobalto, cobre e chumbo.

Agora vem a intrigante revelação: sabe quem pesquisou este platô e chegou a essas conclusões? Pode chutar o quanto desejar, caro leitor… Petrobras, Vale… sei lá… podem chutar até mesmo que foi o Eike Batista (se bem que acho que ele, nos bons tempos, seria bem capaz de entrar de cabeça numa empreitada dessas).

Caríssimos leitores do Portal Marítimo, foram navios de pesquisa de instituições estrangeiras em sua maioria quase que absoluta os grandes descobridores dessas riquezas. Sobre Pernambuco, e também sobre Rio Grande, onde temos uma fantástica reserva de cobalto, mais especificamente, essas informações foram coletadas pelo navio de pesquisas norte americano R/V Cruise Chain 115, realizado em 1974, ou seja, a coisa é antiga, não tem nada de recente.

Preâmbulo do Relatório feito no início da década de 70 – clique para ampliar

Ainda temos uma grande reserva de Cobalto na costa do Rio Grande do Sul e é de suma importância já marcarmos presença por lá. A prioridade deve ser dada àquela região, permitindo ao Brasil assegurar seus diretos de exploração no local, principalmente nas enormes reservas localizadas em áreas internacionais adjacentes ao nosso espaço marinho. Assim, temos mais um motivo estratégico para nos fazer presentes em alto mar, quer seja no pré-sal ou nas bacias minerais, envolvendo também a questão da Segurança Nacional.

Tive acesso a uma parte do relatório, a que trata mais especificamente da região do Rio Grande do Sul, e mais uma vez digo: a questão do mar territorial do Brasil não se resume ao petróleo e à posição estratégica do mesmo, mas também às estupendas riquezas minerais.  Pior é ver que esta parte do relatório não é a última e termina na página de número “969”. Já imaginaram a quantidade de informações que eles têm a respeito do fundo de nosso mar? Chamo vossa atenção para a data dos relatórios (início da década de 70) e pergunto às Autoridades: quarenta anos com gente de fora bisbilhotando bem debaixo dos nosso nariz e vamos continuar engatinhando nessa atividade?

Há um estudo sério que foi feito a pedido do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (NAE). A equipe que foi coordenada pelo Dr Kaiser Gonçalves de Souza, do Serviço Geológico do Brasil, produziu um trabalho com informações relevantes a respeito mas e aí? A quantas anda isso? Não estamos vendo movimento algum no sentido de preparamos o país para a atividade. A Imprensa publica uma notinha ou outra a respeito. Destaco a Folha de São Paulo, que publicou matéria em janeiro de 2011 a respeito, e foi devidamente clipada pelo Portal Marítimo (clique aqui para acessar a matéria), mas foi somente isso. Nada antes nem depois. O Portal IG também publicou algo, também clipado pelo Portal (clique aqui para acessar a matéria).

Mas como será possível extrair riquezas minerais offshore?

Pois é, até para isso temos navios especiais e a Marinha Mercante também marca presença nesta atividade.

Veja abaixo o exemplo do navio Peace in Africa, da empresa holandesa De Beers, especializada na extração de diamantes do fundo do mar.

Peace in Africa – Navio de Mineração Offshore

O Peace in Africa é o ex cable layer Dock Express 20, que foi construído em 1983 e posteriormente adaptado para a extração de diamantes offshore. O projeto de adaptação levou dois anos para ficar concluído.

Ainda como Cable Layer Dock Express 20

O navio transporta um rastreador (uma espécie de ROV) de 240 toneladas controlado remotamente que faz a dragagem do local para que se permita a extração dos diamantes. Este ROV,  que é um tipo de  Seafloor Mining Tool (SMT), está ligado ao navio por uma linha de borracha de 650 milímetros de diâmetro interno através da qual o material de fundo do mar é bombeada para a planta de processamento, usando uma bomba de dragagem IHC de 2,4 mW.

Esquema demonstrando como é feita a mineração offshore
Outro esquema demonstrando como é feita a mineração offshore

Neste caso especifico o ROV é capaz de operar em profundidades de até 250 metros, mas nada que a engenharia moderna não possa ampliar através de ajustes no projeto.

ROV de rastreamento e mineração

O material dragado é bombeado para peneiras que fazem a separação de lama, cascalhos, impurezas em geral e minéral desejado que, nesse caso, é o diamante. É feita uma análise na planta de bordo e a matéria-prima é tratada até que se consiga um resíduo rico em diamantes. Este resíduo é levado para terra para posterior processamento e obtenção do diamante puro.

ROV de rastreamento e mineração pronto para ser embarcado

O navio tem incorporado às suas instalações praticamente todos os equipamentos envolvidos nas plantas de mineração em terra. O Peace in Africa draga esses sedimentos a uma vazão de cerca de 400 M3/hora, que é o dobro da vazão de outros navios de mineração.

Peace in Africa em alto mar

Sua tripulação trabalha em regime de 28 dias de trabalho por 28 de descanso, em turnos de 12 horas. Alguma semelhança? Sim! a mesma escala dos navios do Apoio Marítimo.

Abre o olho, Brasil… Abre o olho…

Vamos abrir o olho!

Aos interessados da iniciativa privada, vamos pressionar as autoridades. Fica aqui a ideia, porque se formos depender do Governo, é melhor esperarmos sentados.

E aí? Quem quer discutir o assunto?

Comenta aí embaixo e vamos trocar uma ideia.

Se quiserem, escrevam para mim: rodrigo.cintra@portalmaritimo.com

Vamos tomar um café e conversar sobre isso.

Por Rodrigo Cintra

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