Vem aí o Hrönn – O primeiro navio desguarnecido para operações offshore

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Hrönn

A empresa britânica Automated Ships Ltd (uma subsidiária da M Subs Ltd) e a norueguesa Kongsberg Maritime assinaram uma Carta de Intenções para construir o primeiro navio totalmente desguarnecido para operações offshore.

Em janeiro de 2017 a Automated Ships vai iniciar o projeto do “Hrönn”, que será projetado e construído na Noruega juntamente com a Kongsberg. As provas de mar serão realizadas na Noruega, numa área designada especificamente para os testes de navios com este nível de automação, localizada no fiorde de Trondheim e será acompanhada de perto pela DNV GL e pela Autoridade Marítima da Noruega (NMA), para que possa estar de acordo com as regras de classe e da bandeira norueguesa.

automated-shipsA área designada para testes, no fiorde de Trondheim, pode ser vista no vídeo abaixo:

Conforme pôde ser visto no vídeo, atualmente somente embarcações de pequeno porte estão sendo utilizadas para operações próximas à costa e testadas em Tordenhein, porém, não há nenhuma limitação técnica para a aplicação da mesma tecnologia em embarcações maiores. As limitações são a nível de Legislação e regras de Classe apenas. Porém, com o suporte da DNV GL, da Autoridade Marítima da Noruega e das diversas empresas e instituições tanto britânicas como norueguesas, isso será possível em menos tempo do que se imagina, possibilitando, inclusive, a disponibilização de um navio totalmente automatizado a um preço baixo

O Hrönn é um navio para serviços leves e que a priori será empregado no Apoio Marítimo às atividades petrolíferas offshore, no apoio à pesca, a serviços científicos e hidrográficos. A utilização desse navio também inclui, mas não se limita, as seguintes áreas: Inspeções e vistorias diversas, operações com ROV, lançamento e recuperação de AUV (Autonomous Underwater Vehicle) e serviços de carga diversos.

O navio também pode ser utilizado em serviços de prontidão para combate a incêndio a plataformas e instalações diversas offshore, estando apto a operar em conjunto com navios guarnecidos convencionais. A Automated Ships está em período de muitas conversas e negociações com clientes em potencial, que poderão ser pioneiros no uso deste tipo de tecnologia . As conversas vão de especificações técnicas até a taxa diária base para operar e garantir contratos para o Hrönn futuramente.

Vista superior do Hrönn
Vista superior do Hrönn

A princípio o navio será operado na função remota, tendo sempre alguém comandando as diversas ações, no modo conhecido como “Man-in-the-Loop Control Mode“, mas fará a transição para os modos totalmente automatizado e me seguida para o modo autônomo, onde algorítimos vão controlar o navio, que terá interferência humana zero durante as operações. Esses algorítimos serão desenvolvidos durante as operações em modo remoto, quando os operadores poderão sentir todas as tendências do navio, comportamentos e tempos de resposta para as diversas manobras.

A Automated Ships será a integradora principal, cabendo a mesma a gerência e execução do projeto, bem como a prospecção dos parceiros comerciais para as futuras operações. O projeto inovador vai utilizar o que há de mais moderno na tecnologia existente para criar um navio robusto, flexível e de baixo custo, para que seja um líder de mercado, e não apenas um navio capaz de operar, mas sim um ativo único a nível de pesquisa e desenvolvimento para ajudar no crescimento desse setor emergente da Indústria Marítima.

Caberá à Kongsberg o fornecimento de todos os equipamentos marítimos necessários para o projeto, construção e operação do  Hrönn. A empresa, que é líder global na fabricação e fornecimento de alta tecnologia para a área marítima, vai fornecer todo o sistema de posicionamento dinâmico, navegação, sistemas de referência, automação e equipamentos de comunicação. O sistema de controle do navio vai incluir o que há de mais confiável disponível na indústria. Todo o sistema de controle do navio, incluindo o sistema de posicionamento dinâmico K-Pos, o sistema de automação K-Chief e o sistema de cartas eletrônicas de navegação K-Bridge terão total conexão com um Centro de Controle em terra, permitindo que o navio seja totalmente operado remotamente.

kongsberg“As vantagens dos navios desguarnecidos são muitas, mas a princípio o projeto será focado na salvaguarda da vida humana e redução de custos na produção e operação, removendo as pessoas de um ambiente perigoso das operações offshore e empregando o pessoal em terra para monitorar e operar os navios remotamente, reduzindo significativamente o custo na construção naval e isso vai revolucionar a Indústria Marítima. A Automated Ships estará de frente nessa revolução, juntamente com muitos parceiros na Noruega”, declarou o Diretor Geral Brett A. Phaneuf.

“Pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico são parte dos valores fundamentais da filosofia de desenvolvimento de negócios da DNG GL. Somos profundamente envolvidos na qualificação e desenvolvimento de especificações técnicas de novas tecnologias para a Indústria Naval. O aumento do nível de automação dos navios, combinado com a operação e monitoramento remoto dos mesmos representa uma tendência inevitável e pode criar um ambiente mais seguro e eficiente para operações marítimas. Isso vai conduzir a indústria como um todo para o uso de navios desguarnecidos, como neste caso, e as tecnologias empregadas também tem potencial para aumentar a segurança e eficiência dos navios guarnecidos, já que os mesmos receberão um maior suporte para decisões e assistência operacionais. O contrato que foi anunciado é uma iniciativa desafiadora e um grande passo adiante para a efetivação dessas tecnologias e estamos realmente ansiosos para mover as fronteiras da tecnologia junto com todos os envolvidos”, declarou Bjørn Johan Vartdal, presidente da DNV GL Maritime Research.

Bjørn Johan Vartdal, Presidente da DNV GL Maritime
Bjørn Johan Vartdal, Presidente da DNV GL Maritime Research

Vale lembrar que a Kongsberg é líder de desenvolvimento de diversas tecnologias, como por exemplo a AIUTOSEA, um conjunto de sensores integrados que fazem parte de um sistema de proteção anti colisão e também desempenha um papel fundamental no desenvolvimento e teste dos primeiros navios que já foram testados no fiorde de Trondheim.

Estaleiro Fjellstrand AS - Líder em inovação tecnológica
Estaleiro Fjellstrand AS – Líder em inovação tecnológica

O Hrönn deve ser construído pelo estaleiro norueguês Fjellstrand AS, que possui uma longa experiência em construção de embarcações de transporte de passageiros em alumínio no estado da arte, assim como barcos convencionais para o Apoio Marítimo e pequenos workboats de alumínio. Como construtora da primeira balsa autopropulsável para travessia de carros movida exclusivamente a bateria, a “Ampere”, o estaleiro é bem conhecido por liderar o mercado em inovação marítima e tecnologia ambientalmente responsável.

Ampere - A primeira balsa auto propulsável movida a bateria, utilizada na travessia de carros
Ampere – A primeira balsa autopropulsável movida a bateria, utilizada na travessia de carros

Realmente é um marco na Marinha Mercante e é normal que nós marítimos fiquemos preocupados com nossos empregos, mas vale lembrar que esta é uma tecnologia nova, que vai precisar de intervenção humana para operar no início, justamente para que os algorítimos comportamentais dos equipamentos sejam definidos, sem esquecer no suporte que deve se ter em terra 24 horas. Além disso, sempre há que se pensar no plano B, que é o caso de toda a automação falhar e haver a necessidade da presença humana a bordo. Isso é fundamental.

O sistema de segurança contra invasões desta rede satélite que vai controlar o navio à distância tem que ser algo extremamente bem projetado, ainda mais num mundo de loucos onde ataques terroristas não são novidade.

Que venham os tempos modernos
Que venham os tempos modernos

A habilidade e perspicácia humana, e principalmente a nossa capacidade de “pensar fora da caixinha”, e não como um Algorítimo, sempre será um diferencial.

Quem venham os tempos modernos!

Por Rodrigo Cintra

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