Petróleo e Sustentabilidade: Reciclagem de óleos lubrificantes

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Em todo o mundo, são gerados anualmente mais de 20 bilhões de litros de óleos lubrificantes usados. Se for considerado, com otimismo, que 60% desse volume é coletado e adequadamente utilizado, ainda existirão 8 bilhões de litros não coletados anualmente e sendo lançados nos lagos, rios, mares, oceanos, subsolo e atmosfera, poluindo a água potável e o ar que se respira.

Além da poluição que pode causar ao meio ambiente, o óleo usado é um recurso que, se reciclado adequadamente, pode retornar à cadeia produtiva por ilimitadas vezes, sofrendo apenas as perdas de cada processamento, gerando consideráveis vantagens econômicas e poupando divisas, no caso de países, como o Brasil, que são importadores de básicos para lubrificantes.

Os parágrafos acima foram retirados do estudo: “O processo de reciclagem do óleo lubrificante”, de José Américo Martelli Tristão, Elias Frederico e Rosemari Fagá Viégas. A publicação mostra que, mais uma vez, sustentabilidade é lucro e não custo e mais ainda, que petróleo e sustentabilidade podem andar juntos.O vídeo abaixo mostra uma máquina capaz de converter plástico em petróleo novamente. Acredita?

A não reciclagem de lubrificantes é um desperdício absurdo, uma vez que, segundo o estudo, para se fazer apenas um litro de óleo básico virgem, são precisos 84 litros de óleo cru, segundo a média realizada pela API (American Petroleum Institute). Os mesmos 84 litros de óleo cru, de acordo com a Evergreen Oil Refinary – Califórnia – EUA, podem produzir 55 litros do óleo reciclado, proveniente do que se denomina rerrefino.

O estudo aborda com dados bastante concretos a viabilidade deste processo, mas exibe como obstáculo principal a coleta do óleo usado para seu rerrefino.  A coleta em si já é uma economia, uma vez que o óleo coletado deixa de ser despejado nos oceanos, rios, lagos e onde mais possa poluir.

O óleo, inlcusive, de acordo com a NBR 10.004, que trata de resíduos perigosos de fonte não especificada, é tratado como um resíduo perigoso, cujo contato direto ou indireto, através de seus componentes pode causar inúmeros problemas de saúde,  entre eles o câncer.

A economia direta e indireta dá um vulto enorme à importância de se reciclar os óleos lubrificantes. O óleo rerrefinado tem, inclusive, qualidade superior e sua produção exige menos energia que a do óleo virgem.

Sob uma perspectiva econômica, podemos dizer que o empregador/gerador perde  dinheiro sem não uma política de destinação final e coleta destes resíduos, mas sem uma cultura, uma consciência de descarte. Se formos contabilizar cada real perdido no pagamento de multas, escritórios de advocacia, processos, sem contar os custos adjacentes à má destinação, não é difícil chegar à conclusão de que tratamos de um investimento, não de um custo.

Por Marcus Lotfi

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