Reavaliação de ativos, dólar caindo e petróleo baixo – Petrobras registra prejuízo histórico de R$ 16,5 bilhões

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A Petrobras teve prejuízo de R$ 16,458 bilhões no terceiro trimestre, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (10). É o terceiro maior prejuízo trimestral da sua história, atrás apenas do registrado no quarto trimestre de 2015, de R$ 36,9 bilhões, e no quarto trimestre de 2014, de R$ 26,6 bilhões.

A estatal havia registrado lucro de R$ 370 milhões de abril a junho deste ano e quebrado uma sequência de três trimestres de perdas. No terceiro trimestre do ano passado, a petroleira havia tido um prejuízo de R$ 3,75 bilhões.

O principal culpado por esse desempenho, segundo a Petrobras, foi a revisão de valores de bens e negócios, que teve um impacto negativo de R$ 15,7 bilhões. Se não fosse por isso, segundo a estatal, a empresa teria registrado lucro de R$ 600 milhões.

O resultado veio muito pior do que o esperado. Segundo a média das estimativas de dez analistas consultados pela agência de notícias Reuters, o esperado era um lucro de R$ 1,517 bilhão.

Oito analistas consultados pelo jornal “Valor Econômico” também esperavam lucro – de R$ 1,8 bilhão, segundo a média das projeções. O menos otimista era o Banco Credit Suisse, que apostava em lucro de R$ 417 milhões, e o mais otimista era o BTG Pactual, com R$ 4,65 bilhões. 

O que foi ruim

Grande parte desse prejuízo, apontou a Petrobras, se deve ao chamado “teste de imparidade”: de tempos em tempos, a empresa precisa rever quanto espera ganhar no futuro com seus bens e negócios. No caso atual da Petrobras, esse valor foi afetado pela queda recente do dólar, pelo valor que é esperado para o petróleo e o dólar no longo prazo e pelo corte nos investimentos da estatal previstos para os próximos anos. 

O Diretor Financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, disse que normalmente a empresa faz os testes de imparidade no quarto trimestre, mas neste ano realizou no terceiro por causa do novo plano de negócios da estatal – que adiou uma série de projetos devido a um drástico corte nos investimentos.

“O resultado da imparidade teve impacto importante no lucro da companhia, essa é a mensagem, esse foi um evento não recorrente e não esperamos novos testes de imparidade nessa magnitude”, disse Monteiro a jornalistas. 

Somam-se a isso os gastos com o programa de demissão voluntária de funcionários – quase 12 mil se inscreveram, segundo a empresa – além da criação de uma reserva de recursos para pagar acordos judiciais nos Estados Unidos.

O que foi bom

Todos os seus resultados e indicadores melhoraram, segundo a Petrobras. 

Um dos indicadores mais preocupantes para a estatal, o endividamento, registrou melhora. No terceiro trimestre, a dívida financeira bruta da Petrobras recuou 19%, para R$ 398,165 bilhões, principalmente por causa da queda do dólar. 

O lucro ajustado antes de juros, taxas, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 21,603 bilhões, alta de 39,3% em relação ao mesmo período de 2015. Na comparação com o segundo trimestre, houve uma alta de 6%, devido ao aumento da produção e exportação de petróleo e aos menores gastos com importações.

Segundo o Diretor Financeiro, ainda não é possível antecipar se a empresa terá lucro ou prejuízo neste ano “porque ainda temos um trimestre pela frente”. Ele disse, ainda, não ter “como dizer se vai pagar dividendos” aos acionistas.

Fonte: UOL

Por Redação

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