Santa Catarina – FIESC critica greve nos portos e culpa políticos pela crise

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Principal locomotiva da economia catarinense, com participação de 30% no Produto Interno Bruto do Estado enquanto a média nacional é de 20%, a indústria catarinense aguarda o trabalho dos políticos para melhorar as contas públicas e abrir caminho para a volta dos investimentos e do crescimento.

Ao fazer um balanço do setor ontem, o Presidente da Federação das Indústrias, Glauco José Côrte, atribuiu à crise política a estagnação de 2014 e recessão em 2015 e 2016. Este ano está um pouco melhor do que ano passado, mas o setor teve queda de 4,2% na produção de janeiro a setembro e de 10,8% nas vendas até outubro. Para Côrte, o último trimestre deste ano terá um resultado neutro porque a economia melhorou um pouco.

Sobre os investimentos, que fazem a economia crescer, o Presidente da Fiesc disse que primeiro é preciso ampliar a produção com a atual capacidade instalada. Está com ocupação de 80%, sendo que o ideal é 90%. Depois disso, se forem aprovadas as reformas, o setor deve ampliar os investimentos. Além disso, a agência Investe SC está negociando a vinda de 80 novos projetos ao Estado, a maioria de indústrias. 

Quanto crescerá o PIB em 2017, na sua avaliação?

Acho que vai ser um ano mais de transição. O PIB para 2017 já foi estimado em 1,5%, agora está em 0,8%. Se as reformas avançarem, acredito que poderemos crescer um pouco mais do que 0,8%. 

O câmbio preocupa muito?

Eu tenho defendido que a indústria precisa ser competitiva independente do câmbio. É claro que o dólar a R$ 2 ou R$ 2,5 torna inviável a exportação, mas a partir de R$ 3 com eliminação de impostos que ainda existem sobre as exportações, portos eficientes e produtos de qualidade, seremos competitivos independentemente do câmbio. Ainda estamos (SC) com uma pequena queda nas exportações, de 2,6% este ano. 

O que é necessário para exportar mais?

Precisamos de reformas que tornem nossos produtos mais competitivos no que envolve o Governo, como infraestrutura melhor, mais agilidade. Um país que quer ser competitivo e precisa melhorar as exportações tem os fiscais da Receita nos portos em greve há mais de um mês.

Como a greve nos portos está afetando?
O mais absurdo é que quando entramos com pedido de liminar para liberar cargas a União recorre, defendendo a greve. Todo dia eu recebo ligação de industrial com contêineres retidos nos portos, ou para importação ou para exportação. Não são liberados, fiscalizados. O Brasil precisa melhorar a eficiência do setor público para que o setor privado faça melhor a sua parte. O governo precisa facilitar, dar agilidade aos serviços. É trágico o que está acontecendo nos portos. 

Mais uma vez, lideramos os empregos industriais no Brasil com 5.146 vagas até agora. Devemos ter muitas demissões no final do ano?
O industrial olha os próximos meses com otimismo. Acredita que a economia vai melhorar. Por isso está investindo na manutenção do seu pessoal. Acredito que não teremos muitas demissões no final do ano. 

Fonte: Estela Benetti / Diário Catarinense

Por Redação

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