Maersk manda mais quatro navios para Alang e recebe críticas de autoridades da Dinamarca

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A Maersk Line assinou um contrato para o corte de oito navios de sua frota, quatro na Índia, na controversa praia de Alang e quatro na China, em um estaleiro, já nos próximos meses,de acordo com um comunicado emitido pela empresa.

Segundo Søren Toft, Diretor de Operações da Maersk, os navios representam 1% da frota da empresa e não vão impactar sua capacidade de transporte e ainda vão contribuir para o equilíbrio entre oferta e demanda para a Maersk Line.

Søren Toft, Diretor de Operações da Maersk Line afirma que capacidade de transporte não será afetada
Søren Toft, Diretor de Operações da Maersk Line afirma que capacidade de transporte não será afetada

O navios, construídos entre 1995 e 1997, são da classe Panamax, pertenciam a Sealand e acabaram ficando supérfluos após a abertura da expansão do Canal do Panamá.

Dois navios serão cortados no Estaleiro Shree Ram, onde a Maersk já cortou num passado recente o Maersk Georgia e o Maersk Wyoming. Os outros dois navios foram vendidos para o estaleiro Y.S. Investment, nunca utilizado pela empresa. Ambos os estaleiros ficam na controversa praia de Alang, na Índia, onde os navios eram até bem pouco tempo atrás varados na praia e cortados sem procedimentos mínimos de segurança em relação aos trabalhadores e ao Meio Ambiente. 

Instalações do Estaleiro Shree Ram, em Alang /Índia
Instalações do Estaleiro Shree Ram, em Alang /Índia

Após licitação que envolveu cinco empresas chinesas, os quatro navios que seguem para a China vão para o Estaleiro Jiangyin Xiagang Changjiang Ship Recycling, onde a operação de corte é feita em dique seco.

Estaleiro Changjiang Shipbreaking, na China
Estaleiro Changjiang Shipbreaking, na China

Com o envio de navios para Alang, a empresa sinaliza que deve continuar com esta prática, apesar de severas críticas recebidas por órgãos ambientais internacionais e pelas autoridades da Dinamarca.

Vale lembrar que a empresa ficou um tempo sem mandar navios para aquela região justamente em face das péssimas condições de trabalho e pela altíssima exposição a acidentes ambientais. Porém, segundo a empresa, diante das recentes melhorias feitas no local, que na opinião da Maersk foram “significativas”, os planos foram modificados e navios voltaram a ser enviados para lá.

As críticas a esta decisão da empresa são cada vez mais severas por parte de entidades de proteção ambiental europeias e diversos políticos e tiveram seu ápice diante das recentes declarações da Maersk onde a empresa afirmou que consideraria mudar a bandeira arvorada por seus navios caso a União Europeia não aprovasse os estaleiros indianos, para que não fosse obrigada a atender os padrões europeus para corte de navios, conforme publicado aqui no Portal Marítimo (clique para acessar).

Os jornais dinamarqueses Politiken e Danwatch já denunciaram que as condições no estaleiro Shee Ram em alguns casos não atendem nem os padrões internos da Maersk e inclusive revelaram que a empresa pressionou armadores com navios fretados a ela a cortarem seus navios sob estas condições, conforme publicamos aqui no Portal Marítimo (clique para acessar).

Esben Larsen
“A decisão da Maersk não possui respaldo ético,ainda que não seja ilegal” – Esben Lunde Larsen – Ministro do Meio Ambiente e Agricultura da Dinamarca

O Ministro do Meio Ambiente e Agricultura da Dinamarca, Esben Lunde Larsen, esteve no Parlamento da Dinamarca expondo sua posição a respeito dessas varações de navios em Alang e deixou claro que a ameaça da Maersk em trocar a bandeira dos navios é uma postura que, ainda que não seja ilegal, não possui respaldo ético.

Abrir mão de seus valores tão exaltados interna e externamente pode colocar o maior armador mundial numa posição não muito boa perante a sociedade e somente os próximos capítulos dessa história é que poderão dizer ao que a empresa está se propondo,mas a Maersk mostra com bastante clareza que vai buscar opções responsáveis e sustentáveis, mas com preços competitivos, conforme fica claro no Comunicado Oficial da empresa (clique aqui para acessar).

Por Rodrigo Cintra

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