E aí? Será que estão cumprindo o acordo da OPEP?

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A confiança no acordo de corte de produção da Opep, firmado em novembro, impulsionou os mercados de petróleo no fim de 2016. Com a chegada de 2017, o mercado de petróleo vem mostrando sinais de queda do otimismo.

Para impedir que os preços do petróleo voltem para os níveis de 2016, a Opep precisa mostrar cortes reais na produção. No entanto, historicamente, a maioria dos países membros da Opep desrespeitaram as cotas e produziram em excesso muito mais do que cumpriram com acordos passados.

Aqui vai uma lista de quem está cumprindo e quem não está (até o momento):

Arábia Saudita: O maior produtor de petróleo da Opep se comprometeu a diminuir a produção em 486.000 bpd e está gradualmente cumprindo com o pacto. Foi relatado que a Aramco informou aos clientes uma redução de 3% a 7% dos estoques de petróleo. Entretanto, é provável que os cortes reais ocorram em fevereiro, de acordo com a Aramco. As reduções de fevereiro podem ser acompanhadas por mais cortes.

Kuwait: Este produtor da região do Golfo se comprometeu a cortar a produção em 131.000 bpd e afirma já ter cortado 130.000 bpd. O Kuwait já está ansioso para diminuir a produção em um de seus maiores campos de petróleo há um bom tempo, então o acordo da Opep chega em um momento oportuno para o Kuwait implementar as manutenções necessárias.

Emirados Árabes: De forma similar, os EAU, que se comprometeram com uma redução de 139.000 bpd, já planejaram a manutenção de seus campos para que ela coincida com o período do corte de produção. Os cortes de produção associados a esses projetos estão planejados para abril e maio.

Catar: Só foi exigido que o Catar diminuísse a produção em 30.000 bpd, mas o país começou a informar seus clientes em dezembro que começaria a reduzir sua oferta de petróleo no dia 1º de janeiro.

Iraque: Sendo o segundo maior produtor da Opep, o Iraque se comprometeu a reduzir a produção em 210.000 bpd. No entanto, grande parte da produção do Iraque é terceirizada ao Governo Regional do Curdistão e a diversas empresas internacionais de petróleo. Está sendo extremamente difícil convencer os curdos a cortarem a produção. Além disso, os contratos com as empresas internacionais de petróleo exigem que o Iraque compense as companhias por diminuições de receita causadas pelos cortes da produção. O governo em Bagdá continua tentando resolver a situação e ainda não implementou nenhuma redução na oferta. Na verdade, os relatórios mostram que a produção nos campos de petróleo curdos está aumentando, agravando ainda mais o problema de Bagdá.

Venezuela: Apesar de seus incríveis recursos petrolíferos, a Venezuela mal produz 2 milhões de bpd. O governo venezuelano está tão ansioso pelo aumento dos preços que concordou em diminuir a produção em 95.000 bpd e declarou, antes do ano novo, que a sua estatal petrolífera, a PDVSA, reduziria imediatamente “os volumes de seus principais contratos de venda de petróleo bruto” começando no dia 1º de janeiro.

Angola: O país africano se comprometeu com a redução de 80.000 bpd na sua produção de 1,7 milhão de bpd. Em uma declaração dada no dia 1º de janeiro, a estatal petrolífera anunciou que já reduziu a produção em 78.000 bpd.

Equador: O país sul-americano só produz aproximadamente 548.000 bpd, mas se comprometeu com uma redução de 26.000 bpd. O governo ainda não fez nenhuma declaração a respeito do cumprimento do acordo.

Argélia: O ministro de energia argelino exerceu um papel diplomático importante nos bastidores e ajudou os membros da Opep a chegarem a um acordo. Quase imediatamente após o acordo da Opep na reunião de novembro, ele instruiu a indústria petrolífera da Argélia a se preparar para reduzir a produção nos 50.000 bpd que ele concordou em cortar.

Gabão: Este pequeno produtor africano vem enfrentando quedas na produção de petróleo durante o ano, causadas por uma greve em larga escala dos trabalhadores da indústria do petróleo em outubro. O país produz apenas 202.000 bpd e se comprometeu com a redução de 9.000 bpd no acordo da Opep. O Gabão ainda não declarou se está cumprindo com o acordo.

Irã: A República Islâmica do Irã recebeu tratamento especial, permitindo que o país aumente sua produção em até 3,975 milhões de bpd desde que sua produção média no período de janeiro até o fim de maio seja de 3,797 milhões de bpd. Será muito difícil de determinar a adequação do Irã a esta cota não convencional. O Irã se aproveitou desta folga para vender grandes quantidades de petróleo estocado em navios petroleiros no Golfo Pérsico, o que faz com que seja difícil determinar sua verdadeira taxa de produção.

Nigéria e Líbia: Estes países estão isentos de qualquer corte de produção, já que a sua atividade petrolífera vem sendo severamente prejudicada por atividades terroristas.

Fonte: Investing.com (Ellen Wald)

Por Redação

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