Manutenção – Graxas para rolamentos III

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Nesta última parte, falaremos sobre a seleção da graxa apropriada e as técnicas usadas na lubrificação dos rolamentos. É importante atentarmos para esta série “Graxas para rolamentos”, publicada aqui no Portal Marítimo, pois a todo momento estamos lubrificando rolamentos e não é simplesmente “meter graxa pra dentro”.

SELEÇÃO DE GRAXAS

Todas as precauções tomadas para evitar falhas de rolamento podem ter pouco efeito se for escolhida a graxa errada. É importante selecionar a graxa que ofereça uma película de óleo com suficiente capacidade de carga sob as condições operacionais. Portanto, é muito importante conhecer a viscosidade do óleo base da graxa na temperatura de trabalho. Fabricantes de equipamentos especificam geralmente um tipo particular de graxa, as maiorias das graxas padronizadas cobrem uma ampla gama de aplicações.
Os mais importantes fatores a serem considerados antes de escolher a graxa são:

– Tipo de máquina

– Tipo e tamanho do rolamento

– Temperatura de trabalho

– Condições operacionais de carga

– Variações de velocidade

– Condições de funcionamento, tais como vibração e a orientação do eixo em direção horizontal ou vertical

– Condições de refrigeração

– Eficiência de vedação

– Ambiente externo

– A maioria dos usuários de rolamentos escolhe uma linha de graxas capazes de satisfazer quase qualquer aplicação ou condições que possam ocorrer.

SUGESTÕES PARA LUBRIFICAÇÃO DE ROLAMENTOS

A maioria dos rolamentos é fornecida somente revestida com inibidor de oxidação e, portanto, devem ser lubrificados quando montados. Todavia, rolamentos com duas placas de proteção ou vedadores já são lubrificados. São preenchidos pela SKF com graxa em quantidade adequada ao tamanho do rolamento. Rolamentos com furos de lubrificação podem, naturalmente, ser relubrificados. Preste atenção à limpeza ao montar um rolamento. A seguir algumas das regras importantes:

Exame primário: O trabalho de montagem deve ser efetuado em local limpo e livre de impurezas. Examine os eixos e os distanciadores. Examine também os vedadores e substitua-os se estiverem desgastados. Não retire o rolamento da embalagem até o momento da montagem. Limpe apenas o furo e a superfície externa.

O tempo certo: Geralmente, os rolamentos são lubrificados somente após a montagem. A razão mais importante é a limpeza. Quanto mais tarde a graxa for aplicada, maior a chance de se evitar contaminação. Outra razão tem a ver com o tipo de rolamento, por exemplo, em rolamento com furo cônico, a folga interna não pode ser medida se o rolamento estiver lubrificado. Além disso, alguns métodos de montagem tornam a relubrificação inadequada. Caso o rolamento for aquecido, por exemplo, a graxa será destruída durante a montagem. Um rolamento pode ser lubrificado antes da montagem somente quando a lubrificação é a única maneira de obter uma distribuição uniforme de graxa. Ao lubrificar rolamentos são importantes as seguintes condições:

– Intervalos corretos de relubrificação
– Quantidade correta
– Método correto
– Qualidade correta

É importante também lembrar que a graxa não dura indefinidamente. Há duas questões importantes a serem levadas em consideração:

– Por quanto tempo a graxa permanece em condições de uso?
– Como substituir a graxa?

Como regra geral, é aconselhável seguir o padrão de encher completamente o rolamento com a graxa, mantendo o espaço livre no alojamento apenas parcialmente cheio. Todavia, em aplicações não vibratórias, as graxas de sabão de lítio, também chamadas graxas de enchimento total, podem ocupar até 90% do espaço livre do alojamento sem qualquer risco de aumento da temperatura. Graças a isso, evita-se a entrada de impurezas no rolamento e os intervalos de relubrificação podem ser dilatados. Rolamentos que operam em altas velocidades, por exemplo, em máquinas ferramentas, a quantidade de graxa deve ser pequena.

Seleção do método de lubrificação do rolamento: O método de lubrificação depende do tipo do rolamento e seu alojamento. Os rolamentos podem ser separáveis ou não separáveis, os alojamentos podem ser bipartidos ou inteiriços.

Rolamentos separáveis incluem os rolamentos de rolos cilíndricos, rolamentos de rolos cônicos e todos os tipos de rolamentos axiais. Estes rolamentos podem ser engraxados com as partes separadas na ordem determinada pela seqüência de montagem. Depois de montado o primeiro anel, lubrifique o espaço, interno com graxa. Depois engraxe o anel. Se o rolamento possui uma gaiola com esferas ou rolos, assegure-se que todos os espaços sejam bem lubrificados. Se o anel é separado, basta lubrificá-lo ligeiramente de modo que não fique danificado quando o anel com a gaiola e os rolos for montado sobre ele.

Rolamentos não-separáveis são rígidos ou autocompensadores. Os rígidos, tais como os rolamentos rígidos de esferas e os de contato angular de esferas, devem ser lubrificados de ambos os lados. Nos rolamentos radiais autocompensadores de esferas e de rolos, um anel pode ser girado de modo que os elementos rolantes sejam acessíveis e a graxa possa ser injetada em todo espaço livre entre eles.

Para facilitar o fornecimento de graxa devemos utilizar uma pistola de graxa com bocal. Se forem utilizados vedantes de contato, a caixa do rolamento também deve ter orifício de saída de forma que quantidades excessivas de graxa não se acumulem no espaço ao redor do rolamento , uma vez que isso pode causar um aumento definitivo na temperatura do rolamento. O orifício de saída deve estar tampado quando for utilizada água com alta pressão para limpeza.

O perigo do excesso de graxa acumulado no espaço ao redor do rolamento e os decorrentes picos de temperatura, com seu efeito prejudicial à graxa bem como ao rolamento, é mais evidente quando os rolamentos operam em velocidades altas. Nesses casos, é aconselhável utilizar uma válvula de escape de graxa em vez de um orifício de saída. Isso evita uma superlubrificação e permite que a relubrificação seja executada com a máquina em funcionamento. Uma válvula de escape de graxa é composta basicamente por um disco que gira com o eixo e que forma uma fresta estreita em conjunto com a tampa de extremidade da caixa.

O excesso de graxa e a graxa usada são lançados para fora do disco em uma cavidade anular e sai da caixa por uma abertura no lado inferior da tampa de extremidade. Informações adicionais a respeito do design e do dimensionamento das válvulas de escape de graxa podem ser fornecidas mediante solicitação.

Para assegurar que a graxa nova realmente está atingindo o rolamento e substituindo a graxa velha, o duto de lubrificação da caixa deve alimentar a graxa adjacente à lateral do anel externo ou, melhor ainda, no rolamento :

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Para proporcionar uma lubrificação eficiente, alguns tipos de rolamentos, por exemplo, rolamentos autocompensadores de rolos, são fornecidos com uma ranhura e/ou oríficios de relubrificação no anel interno ou externo:

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Para que a troca de graxa velha seja bem-sucedida, é importante que a graxa seja reabastecida com a máquina em funcionamento. Nos casos em que a máquina não está em funcionamento, o rolamento deve ser girado durante o reabastecimento. Ao lubrificar o rolamento diretamente pelo anel interno ou externo, a graxa nova é mais eficaz no reabastecimento; conseqüentemente, a quantidade de graxa necessária é reduzida quando comparada com a relubrificação a partir da lateral. Considera-se que os dutos de lubrificação já foram preenchidos com graxa durante o processo de montagem. Se não foram, uma quantidade de relubrificação maior durante o primeiro reabastecimento será necessária para compensar os dutos vazios.

Onde forem utilizados dutos de lubrificação longos, verifique se a graxa pode ser bombeada adequadamente na temperatura ambiente prevalecente.

O preenchimento de graxa completo deverá ser trocado quando o espaço livre na caixa não puder mais acomodar graxa adicional, por exemplo, aproximadamente acima de 75 % do volume livre da caixa. Quando a relubrificação é feita pela lateral e ao começar com 40 % do preenchimento inicial da caixa, o preenchimento de graxa completo deve ser trocado após aproximadamente cinco reabastecimentos. Devido ao preenchimento inicial inferior da caixa e da quantidade superior reduzida durante o reabastecimento no caso de relubrificação do rolamento diretamente pelo anel interno ou externo, a renovação só será necessária em casos excepcionais.

Acesse a parte II clicando aqui.

Esperamos que tenham gostado desta série “Graxas para rolamentos”. sem sombra de dúvidas é um material de extrema utilidade para todos a bordo. Vamos continuar publicando artigos técnicos aqui no Portal Marítimo. Não percam.

Por Rodrigo Cintra

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