Carta do Leitor – As arbitrariedades da Petrobras no gerenciamento de contratos no Apoio Marítimo

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A nossa última matéria sobre a ilegalidade da dedução de multas da RN 72 vem dando o que falar e temos recebido muitas mensagens. Uma delas se destacou e resolvemos publicar em nossas páginas, pois mostra que o pessoal de terra e de bordo vem tendo uma percepção que deixa a imagem da maior operadora petrolífera do país bastante negativa.

Segue mensagem recebido de um de nossos leitores:

“Estas decisões arbitrárias e unilaterais da Petrobras junto aos armadores realmente já vem acontecendo há bastante tempo, mas no último ano pudemos ver um aumento enorme de processos judiciais por vários temas como você citou. Cabe destacar que estão usando também de qualquer argumento para colocar os navios em offhire no intuito de não pagar as taxas diárias devidas.

Não dá para sabermos se isto é uma instrução vindo da nova diretoria ou gerências, no intuito de conseguir aumento de caixa, ou mesmo se atualmente eles têm uma frota maior que a necessária e estão fazendo o possível para encontrar argumentos para cancelamento de contratos e enquanto não conseguem, usam de qualquer artifício para parar as embarcações e reduzir a quantidade de taxas diárias devidas.

Ultimamente estivemos sabendo que estão com uma nova posição arbitrária, unilateral e fora de qualquer tipo contrato de afretamento de embarcações. Aonde no caso de qualquer acidente ou incidente (tema que todos nós marítimos, lutamos tanto para que não aconteça), eles colocam a embarcação offhire para suas investigações e a mesma só volta a operar quando eles bem entenderem, e as empresas são obrigadas a aceitar as ações que eles mesmos determinam e também sempre aceitar que a empresa é a responsável por todo o ocorrido… vários colegas tem reportado que seus navios tem ficado 10, 15, 20, 30 dias offhire esperando a “boa vontade” da Petrobras em colocar o navio em operação novamente…

Uma das grandes empresas (Wilson Sons) inclusive já entrou com um processo judicial contra a Petrobras, solicitando o pagamento das diárias, desde a data em que embarcação ficou pronta para operar e o fim da tal “investigação da Petrobras”, quando a embarcação voltou a receber programação para operar… Ver no site do TJ-RJ o processo: Processo: 0429204-60.2016.8.19.0001

Não entendemos aonde a Petrobras que chegar com essas atitudes, pois atualmente estas atitudes deles arbitrárias, tem trazido para nos marítimos muito mais insegurança para operarmos, do que segurança, pelas cobranças que as empresas acabam fazendo para cumprir com tudo que a Petrobras pede, para não correr o risco de ter seu navio fora de operação por semanas!

Além disto, vimos como algo estranho o tal argumento de segurança, pois no caso que envolve equipamentos, portos, unidades deles, eles colocam o navio em offhire, mas duvido que estão parando uma Sonda, uma Plataforma ou mesmo um Porto, até finalizarem as suas investigações. Pelo o que escuto dos colegas embarcados em unidades ou mesmo em porto, realmente não param… Portanto além de ser arbitrário, por não estar previsto em contratos, usam de dois pesos e duas medidas!

Todas empresas deveriam reagir assim como a Wilson Sons reagiu, pois não podemos deixar que a Petrobras queira recuperar todo o dinheiro desviado no passado, em cima de punições arbitrárias e fora de qualquer contrato ou padrão de operação, das empresas que ainda estão no mercado mantendo nossos empregos.

Por fim, parece que estamos vivendo uma “caça as bruxas”, não na busca pela eficiência operacional e segurança, mas sim pela parada de embarcações para reforçar o caixa da Petrobras e tentativa de cancelamento de contratos de navios…”

Carta do Leitor José Carlos

O Grupo Portal Marítimo gostaria de salientar que a opinião de seus leitores não é, necessariamente, a nossa opinião, porém,não podemos deixar de dar espaço àqueles que estão no mar e vivenciando este tipo de situação diariamente.

4 COMENTÁRIOS

  1. Éssa é a pirangueira da Transpetro que a cada dia que passa fica pior, aproveitando-se da crise instalada visando a atender a interesses pouco nobres, com esses tipos de ações sorrateiras e escandalosas, ameaçando importantes avanços e direitos conquistados pelos trabalhadores.

    • Fabricio

      Acho que você confundiu. estamos falando da Petrobras, e não da Transpetro.
      A Petrobras gerenciando as empresas do offshore.
      De qualquer forma, obrigado por sua participação!

  2. Em resposta à carta do leitor José Carlos, publicada no site Grupo Portal Marítimo em 16 de janeiro de 2017, a Wilson Sons Ultratug Offshore destaca que não compactua com as opiniões expressas no texto e nem sequer foi consultada a respeito do assunto.

    Vale ressaltar que a empresa cumpre com todas as suas obrigações contratuais, inclusive as que dizem respeito ao sigilo entre contratada e contratante.

    Atenciosamente

    Wilson Sons – Assessoria de Comunicação

  3. Isso aí é bem verdade. Eu presenciei cenas do tipo na última empresa que trabalhei. A Petrobrás arranjava qualquer motivo para deixar os barcos offhire.

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