Incidentes na Statoil poderiam ter resultado em mortes

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A Statoil soltou uma nota de esclarecimento reconhecendo que dois incidentes ocorridos em 2016 poderiam ter resultado em mortes, apesar de não haver pessoas feridas. Foi a primeira vez que a empresa admitiu isso em público.

Os dois acidentes mencionados ocorreram em outubro de 2016 e vinham sendo investigados pela empresa, para que todas as lições aprendidas ficassem claras após análise do que ocorreu, e são agora divulgados, seguindo a política da estatal em manter a transparência de suas atividades para o público e as autoridades.

O primeiro incidente foi um vazamento de gás que ficou acumulado no convés da plataforma Songa Endurance, localizada no Campo de Troll. No dia 15 de outubro, durante uma verificação do poço, acabou havendo uma passagem de gás antes que a equipe pudesse fechá-lo. Esta ocorrência afetou as operações de uma forma que demorou uma semana para que o poço estivesse novamente sob controle. No pior cenário possível, poderia ter ocorrido mortes caso os equipamentos de segurança falhassem ou se , por algum motivo, houvesse qualquer fagulha que provocasse a ignição desse gás. Este incidente foi enquadrado entre os piores da história da Statoil e as ações tomadas para se eliminar o cenário aumentaram a capacidade da empresa para avaliar riscos, tanto antes como durante as operações. A empresa informou que vai enviar um feedback para as demais operadoras, fornecendo um benchmark importantíssimo para a elevação dos níveis de segurança operacional em todo o mundo.

Já o segundo incidente ocorreu no dia 25 de outubro, durante uma atividade de rotina em uma refinaria, considerada a maior da Noruega, localizada em Mongstad. Houve um vazamento de hidrogênio e havia duas pessoas muito próximas ao mesmo. Durante as investigações ficou evidenciado que os procedimentos de manutenção foram falhos, representando um entendimento completamente errado dos riscos. Como resultado, a Statoil resolveu aumentar os padrões de planejamento de manutenção para a refinaria. Segundo empregados da empresa, o ocorrido não foi somente pela falta de manutenção, mas também por constantes adiamentos de serviços importantíssimos previstos no programa de manutenção planejada.

A Statoil vai enviar seus relatórios agora para a Agência Norueguesa do Petróleo, a  Petroleumtilsynet, que vai também investigar esses incidentes.

Diante dos ocorridos, o Ministério do Trabalho da Noruega formou uma comissão que vai investigar de que forma as medidas de contenção de gastos no setor petrolífero impactaram o nível de segurança operacional na indústria.

Por Rodrigo Cintra

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