Dívida da Seadrill chega a US$ 14 bilhões e empresa pode seguir para a Recuperação Judicial nos EUA

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A dívida da Seadrill segue aumentando e aproxima-se de cifras cada vez maiores. Maiores, inclusive, do que o relatório anual da empresa mostra.

A dívida acumulada da empresa já está em US$ 14 bilhões e subindo. Caso a empresa não consiga apresentar um plano viável de recuperação, isto pode resultar numa das maiores falências da história,para ser mais exato, esta falência seria a 31ª maior. A empresa tem tentado diversas alternativas para sua recuperação e sua equipe executiva tem se debruçado sobre estas opções em busca de algo razoável.

O CEO da empresa, Per Wulff, declarou recentemente à Imprensa que se nada for apresentado aos credores da Seadrill de forma que a empresa possa levantar ao menos US$ 1 bilhão em novos investimentos, a empresa poderá seguir para a Recuperação Judicial na Justiça Americana imediatamente.

Segundo informações oficiais da empresa, o escopo geral de seu plano de reestruturação é o seguinte:

1. Postergar o vencimento dos investimentos recebidos para que vençam entre 2021 e 2013, reduzindo, desta forma, a amortização e fazendo alguns acordos financeiros com os acionistas.

2. Postergar o vencimento de dívidas monetárias, ou seja, todas aquelas em que não há nenhum bem como garantia, para o período entre 2025 e 2028.

3. Levantar ao menos US$ 1 bilhão em novos investimentos.

Caso a empresa consiga atingir estas metas,seu pano é iniciar sua recuperação no segundo trimestre.

A promessa recente de John Fredriksen, fundador da empresa, em permanecer pelo menos por mais 3 ou 5 anos na empresa para ajudá-la nesta maré baixa no petróleo, nem balançou suas ações, por motivos óbvios, e cá entre nós… Alguém realmente acredita que JF abandonaria o barco? Logo a empresa que ele criou?

JF apenas se movimenta de um lado para o outro para salvar sua fortuna,e ele está certo, tem que fazer isso mesmo. Grandes exemplos disso são a proposta da Frontline em comprar sua maior concorrente, a DHT Holdings (clique aqui para acessar) e a fusão da Deep Sea Supply, empresa de sua propriedade, com a Solstad e a Farstad (clique aqui para acessar), ambas operações noticiadas aqui no Portal Marítimo.

Não podemos esquecer também da promessa que o magnata fez em outubro,e que noticiamos aqui no Portal Marítimo (clique aqui para acessar),em investir mais de US$ 1 bilhão na empresa, mas o mercado nem se movimentou,mostrando que investidores já não mais acreditam em aportes de capital como verdadeiras boias salva-vidas das empresas.

Per Wullf, CEO e Presidente da Seadrill, declarou que as negociações em curso mostraram-se bem mais complexas do que a empresa poderia imaginar, mas que mesmo assim os principais acionistas demonstraram um claro desejo de serem parte de uma solução.

“Com a estrutura e condições corretas, acreditamos que poderemos levantar um bom capital em investimentos. A Seadrill é uma ótima empresa, com excelentes funcionários, ativos e clientes e esperamos concluir uma transação que possa assegurar a boa posição da Seadrill para a recuperação prevista para o setor petrolífero”, completou o executivo.

No Brasil o cenário é no mínimo preocupante, pois foram diversas demissões a bordo e em terra e uma visível retração da empresa em sua sede no Edifício Castelo Branco, Centro do Rio de Janeiro. Alguns funcionários conseguiram sua realocação para contratos internacionais, mas o fato é que a empresa literalmente encolheu de tamanho por aqui.

Uma apresentação (clique para acessar) foi feita aos credores no dia 9 de dezembro, detalhando o plano da empresa. Os credores responderam logo depois, no dia 15 de dezembro, com uma proposta (clique para acessar). Cabe agora à empresa negociar bons acordos com os bancos e demais credores para que a recuperação corra fora da Justiça. Do contrário, seguirá para a Recuperação Judicial mesmo.

Fica a torcida pela recuperação desta gigante na perfuração, que sempre foi uma referência na área, tendo liderado o setor por anos e anos a fio.

Por Rodrigo Cintra

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