Segurança no uso das escadas de quebra peito

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A IMPA (International Maritime Pilots Association) lançou uma campanha que chama a atenção dos armadores em todo o mundo para a segurança dos práticos durante embarque e desembarque dos navios.

Sabemos que o prático é um profissional que costumeiramente embarca ou desembarca em condições completamente adversas e seu treinamento, pelo menos aqui no Brasil, até envolve algumas noções teóricas sobre procedimentos de embarque e desembarque, mas nada muito a fundo, já que os mesmos, segundo alguns práticos que nos acompanham, aprendem “fazendo”, acompanhando práticos mais experientes e, assim, adquirindo a devida prática nesta movimentação.

  1. A IMPA alertou os armadores em todo mundo solicitando que os mesmos providenciem sempre um acesso seguro aos práticos, não somente com uma escada de quebra peito segura, mas também com todos os arranjos existentes para o embarque destes profissionais.

A movimentação para um embarque e desembarque dos práticos com segurança é algo que deve ser feito sempre em parceria entre os práticos e os navios. Ambas as partes devem ter seus cuidados para que ops acidentes sejam minimizados.

Cabe aos práticos assegurarem-se que todos os equipamentos que utilizam para seu embarque e desembarque estejam em boas condições, corretamente instalados e seguros para uso. Sem esquecer que tudo isso se aplica também aos tripulantes, visitantes e prestadores de serviços diversos que vierem a acessar a embarcação por este meio.

Vale lembrar que a IMO, reconhecendo a natureza perigosa do embarque e desembarque dos práticos, adotou medidas de segurança no SOLAS (Regra V/23) em Julho de 2012, a fim de aumentar o nível de segurança nos dispositivos de movimentação de práticos disponibilizados pelos navios. Essas medidas podem ser acessadas num material bastante interessante publicado pela Seguradora GARD (clique aqui para acessar).

Mesmo assim, quase cinco anos após estas mudanças entrarem em vigor, os práticos continuam sendo expostos a riscos, com escadas de quebra peito em péssimas condições, escadas de portaló inseguras (quebradas, com quinas vivas, escorregadias, sujas, etc…) e até mesmo no momento em que pisam a bordo do navio, muitas vezes se deparam com um convés também em condições inseguras, com pisos escorregadios, pontos de tropeço, materiais deixados na rota de passagem, etc. Infelizmente esta ainda é uma realidade que pode causar sérios acidentes.

Ou seja, no final das contas, a campanha feita pela IMPA acabou não tendo o impacto desejado.

Diante deste cenário, a IMPA realizou uma campanha na primeira quinzena de outubro com o objetivo de fazer um levantamento e definir o atual cenário em relação ao padrão das escadas de quebra peito e todo os equipamentos associados, checando se estão em conformidade com as exigências do SOLAS.

O resultado foi encaminhado a IMO através de um relatório (clique aqui para acessar) e o resultado, apesar de não ser catastrófico, continua preocupante e as seguintes constatações chamam bastante atenção:

  • a média de não conformidades encontradas foi de 17,8%. Um número maior que o apresentado nas últimas pesquisas desta natureza (13,3% em 2010 e 16,5% em 2007);
  • graneleiros, pesqueiros e navios de carga geral são os que mais apresentam não conformidades;
  • as principais não conformidades apresentadas são classificadas como “escadas de quebra peito com defeito” (exemplo: escadas que não permanecem encostadas no costado do navio) e “defeitos nos equipamentos de segurança” (exemplo: falta de bóias salva vidas com iluminação automática); e
  • baixa qualificação marinheira de tripulação, já que diversas escadas são encontradas com amarração inadequada às estruturas dos navios.

Diante deste cenário, diversas autoridades portuárias pelo mundo reforçaram seus alertas a respeito deste item, bem como deram um foco especial nas inspeções.

Armadores e comandantes devem estar cientes da importância deste assunto e de suas responsabilidades com todo o arranjo de embarque e desembarque de práticos (e até mesmo de tripulantes que usem estes dispositivos) e principalmente devem assegurar que os tripulantes envolvidos no manuseio, guarda, manutenção e instalação destes equipamentos estejam adequadamente treinados.

O entendimento completo dos riscos envolvidos, bem como dos requisitos técnicos e legais vigentes é fundamental para garantirmos uma operação segura também nesse aspecto e prevenirmos acidentes durante a movimentação de práticos ou tripulantes.

Como mencionamos acima, a Regra V/23 do SOLAS define os principais requisitos para a fixação adequada das escadas de quebra peito. Já os detalhes técnicos mais específicos podem ser encontrados na Resolução A.1045(27) da IMO (clique aqui para acessar).

Mais fontes de informações podem ser acessadas nos links abaixo:

Mesmo com todas as informações fornecidas, devemos ter a consciência de que elas, por si mesmas, não garantem a segurança. Os envolvidos devem sempre providenciar todos os meios adicionais de segurança, como coletes salva vidas, cintos de segurança, linhas de vida e boias circulares, que devem estar sempre em uso ou posicionados para uso imediato.

Encontramos um vídeo muito interessante e esclarecedor sobre o assunto:

Fica o alerta do Grupo Portal Marítimo, esperando que nossos leitores, tanto os tripulantes como o pessoal das equipes de apoio em terra, estejam plenamente cientes não somente desses riscos, mas de seu importante papel na manutenção da segurança em mais este aspecto a bordo das diversas embarcações.

Segurança é responsabilidade de todos!

Por Rodrigo Cintra

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