Após polêmica envolvendo a Van Oord, empresa ganha a dragagem do Porto de Santos

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A Van Oord, em uma joint venture com a Boskalis, conseguiu um contrato no valor de US$ 177 milhões com o Ministério dos Transportes, Portos e Aviacão Civil para a dragagem do Porto de Santos. Isso alguns dias após toda a polêmica envolvendo possíveis favorecimentos por parte de políticos locais.

O Ministério Público Estadual de São Paulo está investigando supostas fraudes envolvendo o superfaturamento de obras e favorecimento de empresas em troca de doações que somam R$ 3 milhões para campanha política. A denúncia envolve Mário França (PSB), atual Vice Governador de São Paulo, que teria indicado pessoas para cargos estratégicos dentro da Codesp com o objetivo de favorecer estas empresas.

O inquérito, que foi aberto na Justiça em 2016, envolve 16 contratos, assinados entre 2017 e 2015, totalizando R$ 468 milhões. Quatro empresas são citadas, entre elas a Van Oord Dragagens do Brasil Ltda, que assinou 4 contratos num total de quase R$ 90 milhões neste período. A empresa doou R$ 2milhões ao PSB em 2010 e “coincidentemente” o partido repassou a mesma quantia para o atual Vice Governador, Mário França.

A Van Oord confirmou a doação, mas reforçou que fez tudo legalmente e negou qualquer envolvimento em operações desta natureza e lembrou que precisou entrar na Justiça para conseguir o contrato da Codesp, já que fora desqualificada na licitação de contratos.

Já a Codesp nega qualquer irregularidade e informa que já enviou as informações solicitadas, colocando-se à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

Polêmicas aparte, o fato é que estudos serão iniciados agora e já foi adiantado que design do canal e dos berços de atracação será completamente revisto. A dragagem deve começar no segundo semestre e ser concluída apenas no final de 2018, em operação que envolverá uma draga de sucção e uma draga escavadeira com um prazo de 17 meses para a conclusão da obra.

A Van Oord já atua no Brasil há bastante tempo, tendo realizado mais de 40 projetos entre dragagem e construção marítima na costa brasileira e atua desde 2013 na dragagem de manutenção do Porto de Santos.

Atualmente a empresa está dragando o Rio Piaçaguera, em projeto de aprofundamento para que ele possa receber navios maiores, estimulando as exportações no Brasil, que são feitas 90% através de portos. Desses 90%, um terço é escoado pelo Porto de Santos, que é considerado o maior da América do Sul.

A dragagem segue e deve cumprir seu cronograma, a Justiça já arquivou os processos criminais, mas os processos civis continuam.

Esperamos que os fatos sejam esclarecidos em breve para que a imagem de uma empresa líder de mercado como a Van Oord não seja manchada.

Por Rodrigo Cintra

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