Mudança – Situação de instalações para o corte de navios começa a mudar na Ásia

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A polêmica é antiga, as cenas são sempre deploráveis com navios sendo cortados após serem varados em praias, e vez por outra acidentes que não somente levam vidas humanas, mas também depredam o meio ambiente, caem no lugar comum.

Na Marinha Mercante, quando se lê algo como o que escrevemos acima, rapidamente um nome vem à cabeça: Alang!

Para os que conhecem um pouco mais, outros locais fora da Índia, como o Paquistão e Bangladesh também são lembrados, mas isso começa a mudar… FINALMENTE!

Após a gigante Maersk Line, por uma necessidade financeira, envolver-se “pessoalmente” na melhoria dos padrões de segurança de alguns estaleiros e arrumar até mesmo uma briga com o Governo da Dinamarca, os olhos da Marinha Mercante Mundial voltaram-se para as conhecidas praias asiáticas onde os gigantes de metal são transformados em sucata, material reciclado e material para revenda. Porém, dessa vez, o que se pode ver é a possibilidade de se realizar esta atividade de uma maneira bem menos perigosa.

Somando-se a tudo isso todos os compromissos assumidos pela IMO e seus países signatários na Convenção de Hong Kong, agora começamos a ver a resposta das autoridades e entidades ligadas à Marinha Mercante em dois fatos ocorridos recentemente que sinalizam a mudança de mindset naquela região.

Time da Class NK no estaleiro JRD em Alang

O primeiro envolve a sociedade Classificadora japonesa NK, que vem inspecionando e certificando diversas instalações em Alang, atestando que as mesmas estão em conformidade com os padrões exigidos pela Convenção de Hong Kong.

Já são sete estaleiros certificados:

  • Shree Ram Vessel Scrap
  • Leela Ship Recycling
  • R. L. Kalthia Ship Breaking
  • Priya Blue Industries
  • J.R.D. Industries
  • R.K. Industries
  • Y.S. Investment

Ainda há mais 12 instalações em processo de certificação.

O segundo ocorrido foi no Paquistão, onde o Governo baniu temporariamente qualquer corte de petroleiros ou gaseiros,nas conhecidas instalações localizadas em Gadani. Os que estão em andamento agora estão autorizados a serem concluídos e os demais cortes continuam. Mesmo com o banimento sendo temporário e envolvendo somente os petroleiros e gaseiros, talvez possamos dizer que um primeiro passo foi dado.

Incêndios em navios varados nas praias de Gadani mataram 33 no total nos últimos meses – Foto: Fahim Siddiqi/White Star

O banimento veio após um acidente com um petroleiro ter matado 28 pessoas e outro com um caseiro ter matado pelo menos cinco.

O caminho é esse e vamos ver se as diversas instalações vão se adequar a padrões mínimos, até porque, caso isso não ocorra, os navios que arvorem a bandeira de países da União Europeia (onde a legislação é ainda mais exigente que o preconizado na Convenção de Hong Kong) ou de países signatários da Convenção de Hong Kong, simplesmente desaparecerão das praias do sudeste asiático, quebrando uma enorme indústria que é a de reciclagem de navios.

Por Rodrigo Cintra

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