Competência ou apadrinhagem?

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Todos nós passamos por isso em alguma altura de nossas carreiras: o cara que conhece o amigo da cunhada do enteado do OIM “Fulano” foi promovido. E você, mais competente, mais capaz, continua lá, a espera do seu lugar ao sol.

Volta e meia eu me questiono sobre isso. O que dá mais resultado? Você mostrar um trabalho bem feito, vestir a camisa da empresa ou ser “cumpadre” do Gerente de Operações?

É, você obviamente também deve se questionar muito, a não ser que seja o tal “cara”, amigo da tal cunhada, do tal enteado do tal OIM (ok, tô me perdendo). Isso acontece em todas as áreas, em qualquer lugar do mundo, mas gostaria de tirar a dúvida se sou somente eu que vejo a situação como sendo ridiculamente crítica no mar.

Todos nós temos nosso networking, que nada mais é que o grupo que você foi formando com aqueles que você já trabalhou, conheceu da área, foi indicado etc. Uns tem o networking maior que os outros, normal, mas todos têm e precisam de um. No nosso querido capitalismo selvagem, ninguém sobrevive no mercado sem ele, é inevitável. Ter conhecimento é quase tão importante quanto ter competência. É a velha máxima: aquele que não é visto, não é lembrado.

O networking é uma ferramenta excelente, mas os cabeças, os responsáveis, precisam fazer uma média – ponderada – com competência e conhecimento. Sim, média, pois não adianta ser o bambambam da manutenção se você não sabe trabalhar em equipe, cooperar com o time e tem uma péssima relação com a tripulação.

Mas o que não pára de se escancarar aos nossos olhos é o apadrinhamento generalizado e sem fim. “Pra que contratar o Beltrano, que fala 4 idiomas, tem cursos de posicionamento dinâmico em Houston e de Operações na Noruega, se eu tenho esse camarada aqui, gente boa, trabalhou comigo na NS-1TRILHÃO em 78 e tá parado desde então, acho que tá precisando…”

E pra deixar bem claro: Indicação é uma coisa. Quando um funcionário confia no trabalho de outro, quando a vaga está aberta, quando há a necessidade e/ou oportunidade, a indicação é algo normal, algo válido.

Pois então, estou pensando numa ideia, e vou passar pro Cintra, de oficializar a apadrinhagem. Uma seção no Portal com um “facebook do petróleo”, algo do tipo “clique aqui e adquira seu padrinho em poucos segundos!”

Com 100 créditos – Um OIM rabugento, de uma sonda velha, empresa pequena/médio porte;

Com 500 créditos – um Gerente Geral de uma multinacional do petróleo;

Com 1000 créditos – o CEO da maior empresa do mercado.

E por aí vai. Assim a gente padroniza logo o esquema todo.

Por Caê Mahan

2 COMENTÁRIOS

  1. O Brasil é um país personalista. (ponto)
    Presenciei situações semelhantes no exterior, as chamadas ‘máfias’: indiano ajuada indiano, caribenho favorece caribenho, filipino com filipino, etc…Porém, brasileiro no exterior se mata, rouba o próprio paisano, fura o olho, etc…
    Não culpo a prática do apadrinhamento, do ponto de vista da cultura brasileira, e como sociólogo, sei que isso vem de um bom tempo em nossa história.
    As práticas culturais, você pode até chamar de jeitinho brasileiro, tem uma enorme capacidade de se perpetuar nos contextos mais adversos. Na vida profissional não é diferente. Não somos uma meritocracia. (outro ponto). No entanto, no ambiente offshore, a qualidade deve prevalecer, assim como a segurança da vida humana no mar.
    Uma vez que nos favorecemos através do apadrinhamento, burlamos NR’s, corrompemos fiscais, etc

    Precisamos superar a nossa própria cultura, para isso é necesário conhecê-la.
    …falar nisso, estou precisando de uma vaga para Rádio Operador:
    Inglês fluente, experiência internacional, GMDSS registro geral Anatel, CBSP, HUET, ALPH, STCW 95 A VI.

    Aguardo contato, ou padrinho.

    • Evandro fazendo o seu Jabá…
      Não costumamos deixar não, mas como ele presenteou-nos com este comentário, ganhou um desses créditos aí que o Caê citou. kkkkkkk
      Não ganhou padrinho, mas ganhou o crédito, automaticamente gasto com seu jabá.
      Está aí. Se quiserem um Rádio Operador, Evandro está se candidatando.
      Sem padrinho, mas com jabá….
      kkkkkkkkkkkkkkkkk
      Obrigado pela participação, Evandro.

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