A injustificável choradeira por trás da venda da P-59 e P-60

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Hoje pipocou em diversos veículos de comunicação a polêmica (?) venda da P-59 e P-60 por supostos US$ 20 milhões cada e a imprensa marrom, como sempre, já começou o bombardeio com as já conhecidas “opiniões de especialistas”.

O mais engraçado é que os veículos de Imprensa que sabemos serem “apoiados”, isso para não dizer financiados, por aqueles que governaram este país por mais de uma década, são os mais inflamados em seus ataques, apontando este suposto desconto de quase 95% no valor das unidades, que custaram US$ 360 milhões cada para a Petrobras em 2012, como um verdadeiro apocalipse.

Falta técnica… falta muita mesmo.

Em que pese todo o cenário político atual no Brasil e as “forças” que se digladiam, como se não fossem frutos do mesmo local (bobo é quem acredita que não), numa suposta guerra entre anjos e demônios, já teríamos que ter uma série de precauções antes de analisar a situação. Porém, a avidez em vender notícia faz com que veículos busquem apenas acessos ou vendas de jornais e revistas, sem ter um cuidado mínimo com o conteúdo.

Vamos aos fatos? Vamos enumerá-los para que a reflexão fique com você, leitor:

1- Os preços estabelecidos são preços de “lance mínimo”. Como todo leilão, é assim que funciona e quem não concordar, pode criar algo diferente de leilão, desenvolver e divulgar mundialmente, pois em todo o globo, é por leilão que se negociam esses bens.

2- Há uma depreciação gerada pelo tempo e por mais que sejam “novas”, já houve esta depreciação, isso sem falar no superfaturamento de diversas obras, algo tão comum no passado recente, que vem sendo evidenciado conforme as investigações da Operação Lava Jato avançam. Não duvidem que estas sondas estejam nesse bolo. Nós não duvidaríamos.

3- Há um excesso de sondas no mercado. Isto é fato e já foi largamente noticiado. E o que rege o mercado é isso mesmo: oferta e demanda. Viva o Livre Mercado!

4- Ambas são plataformas auto elevatórias (jack-up) e o mercado brasileiro e boa parte do mercado mundial não anda lá muito bom para este tipo de sonda pois, apesar de populares, são limitadas. Aliás, basta perguntar aos seus amigos que trabalham no meio quantos deles trabalham em sondas auto elevatórias.

Apresentamos aqui apenas quatro argumentos, três econômicos e um técnico. Há muitos outros argumentos, mas não queremos que, ao chegarem ao fim desta matéria, os leitores já tenham esquecido do início. Assim, vamos ater-nos a esses argumentos, sendo que os três primeiros são auto explicativos. Mas vamos ao quarto argumento, que é mais técnico.

As sondas por especificação de projeto, foram projetadas para águas com profundidade de até 106 metros (350 pés). Ou seja, águas rasas (zero a 300 metros). Suas colunas de perfuração chegam até 9144 metros (30 mil pés), porém, como são auto elevatórias, estas sondas trabalham apoiadas no fundo do mar. Não tem muito jeito, a não ser que nossos “especialistas” criem este jeito.

Se formos falar nas jack-ups pelo mundo, que são muitas, estima-se que haja 630 em operação hoje pelo mundo, o que temos são unidades limitadas. A maioria opera até 120 metros (390 pés), sendo que há uma classe especial de jack-up, conhecida como premium ou ultra-premium, que podem operar entre 150 metros (500 pés) e 190 metros (652 pés), mas é só. End of history.

A própria Petrobras só possui hoje três unidades: P-59, P-60 e a Petrobras III.

Adicionalmente, há o fato de ambas as sondas não serem ao menos auto propulsionáveis. Precisam ser transportadas de um local a outro para qualquer rig move o que limita, inclusive, a capacidade das mesmas para um simples workover, só não sendo mais limitada que uma plataforma fixa. E até para workovers (de um simples wire line até o chato e desgastante snubbing) agora temos os navios especiais , pois ao contrário do que a galerinha “especialista” quer que aconteça, a tecnologia anda e evolui.

Há tá… desculpem nossa gafe. Os “especialistas” de plantão não conhecem essas terminologias da perfuração. Vamos deixar que pesquisem para que conheçam um pouco mais. Não estamos falando de fazer um furo num coco e tomar água de canudinho.

E é isso.

Enquanto o mundo inteiro busca a exploração em águas cada vez mais profundas, e isso já vem acontecendo há algum tempo, tomaram uma decisão em nosso país de construir plataformas jack-up que não eram de última tecnologia, extremamente limitadas, numa época em que a busca em profundidades maiores já estava acelerada e ainda com suspeita de superfaturamento.

E agora vocês querem o quê?

Que a Petrobras consiga vender gato por lebre? Porque comprar gato por lebre ela conseguiu em Pasadena, por exemplo. Entregar os ativos da Bolívia de caso pensado também.

Numa gestão técnica, isso não rola. E não rola porque a Política está presente na medida certa,no que importa.

Triste realidade, não?

Podem mandar pro corte também, se quiserem. Não duvidaria de uma decisão dessa na gestão anterior. Não mesmo.

O preço de mercado de uma plataforma dessas gira hoje na faixa entre US$ 130 – 150 milhões. Vamos ver por quanto serão arrematadas. Depois podem falar à vontade.

Gestão de qualidade corta na carne às vezes, especialmente quando precedida por uma gestão inconsequente.

Muito cuidado com o que vocês leem por aí, sempre se questionem e não nos excluam dos seus questionamentos, pois oba oba e pirotecnia, desde que o mundo é mundo, sempre vendeu jornal.

Sempre…

Por Rodrigo Cintra

2 COMENTÁRIOS

  1. Ou irão ficar igual a Chaparral (que fica jogada como sucata próximo ao Nitport e MacLaren em Nitteroi-RJ), largada em algum canto do brasil se deteriorando até virar sucata..

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