Lotes de carne permanecem retidos no Porto de Santos

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Responsável por 55% dos embarques da carne brasileira, o Porto de Santos já sente os impactos da decisão de alguns países de não receberem o produto. Exportadores suspenderam os carregamentos e mais de 200 lotes foram represados no cais santista. Além dos custos com armazenagem dos contêineres refrigerados nos terminais portuários e do prejuízo à imagem do País no mercado internacional, o temor é de que a oferta de cofres seja reduzida e prejudique as exportações de outras cargas. 

Estes são desdobramentos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF). As investigações apuram casos de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Eles teriam recebido propina para liberar carnes sem a devida fiscalização. Algumas delas já não estavam em condições de serem consumidas e precisaram de produtos químicos considerados prejudiciais à saúde. 

De acordo com o Diretor-Executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, essa questão deve ser resolvida em cerca de dez dias. A estimativa leva em conta os esforços do Governo em garantir a venda das mercadorias. 

“Países como México, Suíça, Japão, Hong Kong, Chile e Coreia do Sul já anunciaram que vão aumentar o controle de qualidade da carne brasileira. Isso gera medidas restritivas comerciais com impacto na credibilidade das exportações”, destacou o executivo.

Mesmo com a decisão de aumentar a fiscalização da carne nesses países, outros, como a África do Sul, decidiram suspender importações. Na China, os produtos estão retidos em portos e a União Europeia pediu que o Brasil suspenda a exportação de empresas envolvidas.

Todo esse transtorno já causa impactos na cadeia logística do Porto de Santos. Segundo Roque, os custos com armazenagem das cargas nos terminais ficam por conta dos exportadores.

Refrigerados

O contêiner reefer é um equipamento refrigerado utilizado para o carregamento de cargas perecíveis. Construído em aço inox ou alumínio, ele deve ficar ligado à rede elétrica para a manutenção da temperatura dos produtos. “Dependendo da quantidade de carne que ficará represada, pode provocar falta de tomadas nos terminais”, advertiu o Diretor-Executivo do Sindamar.

Além disso, para Roque, também é possível que a oferta de contêineres refrigerados seja reduzida em outros portos. Neste caso, até o embarque de frutas, que normalmente acontece em portos do Nordeste, pode ficar comprometido. 

O Presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região, Nívio Peres dos Santos, concorda e demonstra preocupação com os impactos deste escândalo na cadeia logística do Porto. “É uma situação que deve causar problemas. Se tiver um acúmulo grande de contêineres represados, pode faltar contêiner para outros tipos de produtos”.

Segundo Roque, as tarifas de armazenagem de contêineres refrigerados são dobradas a cada dez dias de permanência nos terminais portuários. Por este motivo, é fundamental que haja celeridade na solução do problema.

Participação de Santos

O cais santista é responsável por 55% das exportações da carne bovina brasileira. Por aqui, é escoada a produção de, pelo menos, três estados: Minas Gerais, Goiás e São Paulo. O Porto de São Francisco do Sul (SC) exporta 15% dos carregamentos, enquanto Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio Grande (RS) embarcam 9%, 7% e 4%, respectivamente. 

“É uma situação que provoca um desbalanceamento logístico. Poderá haver algum tipo de negociação para tentar reduzir o custo da carne lá fora e, neste caso, o exportador também perderá receita. A gente sabe que é uma situação pontual envolvendo servidores, mas tem impacto no comércio exterior e na credibilidade do produto que está sendo exportado”, destacou o executivo do Sindamar.

Fonte: Fernanda Balbino / A Tribuna

Por Redação

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