As falácias sindicais sobre a Petrobras

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Atualmente vem se tornando gritante e cada vez mais impressionante a capacidade de dissimulação de algumas entidades sindicais em nosso país.

Seria leviano colocar todas num mesmo saco e taxar de forma única, mas com as atuais medidas tomadas pelo Congresso Nacional, medidas essas necessárias para se moralizar a atividade sindical em nosso país, parece que tocou um “barata-voa” nos sindicatos brasileiros.

Com a queda recente de mais um chefe do executivo, chegou o desespero em nossa republiqueta sindical.

Li recentemente algumas colocações que somente um leigo aceita e toma como verdade e como a desinformação e a falta de envolvimento da classe trabalhadora tem níveis alarmantes, informações deturpadas, verdadeiras falácias, meio que “viram verdade” entre os trabalhadores. E tudo alimentado por convenções

Após todo o “mi-mi-mi” sobre Imposto Sindical, Contribuição Assistencial, etc, o qual eu resumo com o ponto de vista de achar que profissionais devem ser parceiros de seu sindicato, e não reféns, agora as decisões da Petrobras vem sendo duramente criticadas, sendo que alguns argumentos beiram o ridículo. Argumentos que se alinham com o “farinha pouca meu pirão primeiro” e que são um retrato de um sindicalismo irresponsável, que em nada se preocupa com o cenário macro econômico, que em nada se preocupam literalmente tendo atitudes que podem secar a fonte de emprego e renda de milhões de trabalhadores.

E não me venham com a velho papo de que se precisa de muito dinheiro e já que a classe não é consciente, é alienada, tem que estabelecer uma contribuição obrigatória.

Conscientizem suas classes, queridos sindicalistas. Não há dúvida alguma de que se precisa de dinheiro para fazer sindicalismo. Menos do que os sindicatos arrecadam hoje, mas nem por isso pouco. Porém, dinheiro que é tomado do trabalhador na canetada é algo um tanto quanto complicado. Temos classes reféns de seus sindicatos e isso é fato.

A Petrobras bateu record de produção, então isso é bom

Muito cuidado! Produzir muito não significa necessariamente vender muito. Há que se avaliar diversos aspectos.

Qualquer aluno de um curso básico de logística com pequenas noções de kanban e just in time entende as consequências de se produzir qualquer bem sem um controle efetivo e as consequências de um estoque prolongado e sem um destino.

O custo é ligado a um preço final, representando uma porcentagem neste preço. Imaginem então ter este mesmo custo, mas tendo que vender no final por um preço bem menor. Bem vindo à atual dinâmica do mercado de petróleo. Há um excesso de petróleo já retirado numa época em que o barril girava em torno dos US$ 100, que chegou ao fundo do poço girando em torno de US$ 30 e que precisa ser vendido hoje por volta de US$ 50.

Adoram alegar que o custo de produção no pré-sal é menor, mas não entendem que o custo é menor devido a fatores como o próprio preço atual do barril e pela alta tecnologia empregada que, na ponta do processo, acaba barateando a produção. Há toda uma conjuntura econômica e tecnológica que é sempre desconsiderada nessas “análises” que, via de regra, são políticas. Ou alguém tem dúvida que um barril a US$ 50 tem um custo de produção menor que um barril a US$ 100? Ou alguém tem alguma dúvida de que a tecnologia melhora a eficiência dos processos, melhorando, inclusive, o preço final?

Produzir descontroladamente só vai desequilibrar mais ainda o mercado, desestabilizando o preço desta commodity e atrapalhando a tão sonhada recuperação do mercado.

Oh, meu Deus, a Petrobras está parando a perfuração e vendendo sondas

A Petrobras já não tem a perfuração como atividade de peso há muito tempo. Quase que a totalidade das sondas perfurando hoje para a Petrobras são terceirizadas e agora,pelovisto, será a totalidade.

Nesse caso somente quem é totalmente leigo e desconhecedor da atividade petrolífera é que realmente que a Petrobras é uma grande perfuradora. Não é. Ponto.

A Petrobras é uma grande produtora de petróleo e nem sempre com equipamento próprio.

Há plataformas gigantes em operação a serviço da Petrobras onde somente o fiscal é da Petrobras, e isso é o normal. As outras petroleiras fazem o mesmo.

Anormal é negligenciar esta informação ao público leigo e vender o peixe de que nas plataformas todos são funcionários da Petrobras.

Insistir em manter um modelo que vai contra o padrão mundial é besteira. Por favor, indiquem quantas empresas perfuram e produzem com unidades próprias.

Da dívida gerada pela corrupção ninguém fala

Pois é. Aí é que está o ponto. Falam do rombo na Petrobras como se os casos de corrupção não tivessem acontecido na empresa e institucionalizados nos últimos 13 anos.

Vão além e querem que a classe trabalhadora acredita que toda esta dívida está ligadas apenas à baixa no preço do petróleo.

Dívida causada pela péssima gestão, de caráter exclusivamente político, de um Governo que se instrumentalizou dentro da classe trabalhadora alimentando sindicatos com muito dinheiro do contribuinte, como forma de, inclusive, calar as forças opositoras.

Foi uma verdadeira farra com o dinheiro público.

A Petrobras precisa vender sim, P-3, P-10, P-23, P-26, P-27, P-59 e P-60, sondas que hoje estão paradas, pois além de precisar de liquidez na empresa, seguindo um Plano de Negócios, ela tem uma dívida a ser paga, dívida essa que tem boa parte gerada pela corrupção institucionalizada por forças políticas apoiadas e defendidas pela maioria dos sindicatos.

O governo que sempre se utilizou do vermelho como sua cor, bem diferente do verde e amarelo, escancarou as portas da Petrobras para um assalto institucionalizado e foi sempre fortemente apoiados pela maioria dos sindicalistas.

Enquanto o assalto estava em andamento, toda sorte de absurdos eram aprovados no Congresso Nacional.

A Petrobras é uma empresa e deve ser gerida como tal.

E Gestão, meus caros… Assusta…

E assusta principalmente os que gostam do “oba oba” e da orgia com o dinheiro do trabalhador brasileiro e do contribuinte em geral.

Vamos cobrar a conta no lugar certo.

Por Rodrigo Cintra

3 COMENTÁRIOS

  1. Rodrigo Cintra, suas palavras são quase as minhas. Entretanto, quero me opor ao “vender” isto e ou aquilo pertencentes à PETROBRAS. Necessário é colocar pessoas inteligentes e competentes à frente das divisões da empresas para facilitar a sua gerência e produzir resultados positivos e não sucateá-las para depois passar pra frente por preço de bananas.
    Creio que por isto é que o Brasil está sendo “ïnternacionalizado” e nem estamos nos apercebendo disto. Quanto ao “nosso” sindicalismo, parece que está mais para uma ditadura do proletariado do que para a defesa dos interesses de suas respectivas categorias. Sem contribuições obrigatórias. Que as “lideranças” saibam ganhar seus associados para que esses contribuam para defesa diante dos seus empregadores.

  2. A obrigatoriedade do pagamento da contribuição sindical já é controverso.Em época de desemprego e crise, pagar o valor de um dia do seu trabalho para financiar o sindicalismo, que por vezes mais atrapalha do que ajuda o trabalhador( ir contra o empregador é ir contra o trabalhador, deve-se fiscalizar o que está na lei, na CLT, e lutar para a diminuição dos encargos tributários para ambos) ou o empregado não precisa do empregador que fornece os empregos? . Vide a história do sindicalismo na Europa e América do Norte, além de ter “rabo preso” com partidos e com discursos unilaterais e destoantes com a realidade. Ai! de você se discordar.Lembra uma ditadura comunista ou militar.
    “Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade.”
    “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.”
    “A falta do saber e a falta de informações, são os princípios da manipulação”

  3. Tem um comandante aí que agora depois de aposentado virou sindicalista… que anda dizendo(por orientação sindical) que a culpa é nossa(marítimos)… do chamado apagão e incrivelmente da entrada de peruanos nas embarcações brasileiras… Resumindo: o excesso de pessoal(Oficiais) este indivíduo atribui a nós… a cada marítimo individualmente, pois segundo ele, cada um só quer saber do seu…(é aquela estória da farinha e do pirão…)… A marinha fez, inchou o mercado(e continua inchando…) e a culpa é nossa… só agora recente o Sindmar resolveu “alertar” a marinha para a geração de desempregados que está formando… A entrada de peruanos… bom aí a culpa é do governo e dos tratados do mercosul… Engraçado…mas até onde eu sei os sindicatos sempre apoiaram o PT e demais partidos de esquerda… Daí conclui-se que foram coniventes com que aí está….
    E agora que o barco tá fazendo água… a culpa é nossa… Assim é mole!

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