Petrobras descarta participação do Estaleiro Rio Grande na P-71

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Trabalhadores e políticos que defendem a manutenção da implementação da P-71 no polo naval gaúcho levaram um duro golpe na manhã dessa última quinta-feira. Questionado se estaria descartada a retomada das obras desse empreendimento no estaleiro Rio Grande, da Ecovix, o Presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou em entrevista a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, que “tinha a impressão que sim”, pois a estatal não teria uso para essa plataforma.

Parente acrescentou que a Petrobras não poderia ser responsável por políticas públicas e que atrasos e a prática de preços acima dos estipulados em encomendas de cascos de plataformas de petróleo feitas no Brasil foram muito ruins para a companhia.

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte, Sadi Machado, revela que ficou em choque com as declarações. No entanto, o dirigente tem fé que ainda poderá haver uma reversão de expectativa. “Não tem nada morto, continuaremos lutando”, frisa.

Machado considera contraditórios alguns pontos ressaltados por Parente, entre eles a questão de que a estatal não é vinculada a políticas públicas. O vice-presidente do sindicato argumenta que o acionista majoritário da empresa é o Governo Federal. Já o Prefeito do Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer (PT), destaca que, ao vir à luz e se posicionar, Parente permitiu que se intensifique a mobilização pró-indústria naval. “O recado foi dado, se depender da política da Petrobras, os estaleiros serão fechados”, alerta.

Lindenmeyer lembra que, no final do ano passado, cerca de 3,2 mil trabalhadores foram demitidos no estaleiro da Ecovix e, um mês antes, o polo naval já tinha contabilizado 800 desligamentos. Em dezembro, as ações na P-71 também pararam. O prefeito adverte que Rio Grande corre o risco de que – finalizadas as obras nas plataformas P-75 e P-77, desenvolvidas no estaleiro da QGI, e da P-74, no complexo da EBR, em São José do Norte – a indústria naval na região encerre as atividades. Esses projetos deverão ser concluídos até o início de 2018.

O sindicato dos metalúrgicos estima que a retomada da P-71 significaria a geração de cerca de 2,8 mil empregos (hoje, são cerca de 2 mil pessoas atuando nos estaleiros da Metade Sul). A prefeitura acrescenta que mais de 50% das obras da plataforma estão finalizadas. Conforme Lindenmeyer, os dirigentes da Ecovix informaram que seriam necessários mais US$ 213 milhões e 18 meses para terminar o empreendimento, se a inciativa fosse recuperada. O prefeito cita que há 147 mil toneladas de aço paradas no complexo da companhia, que poderão ser vendidas a preço de ferro-velho, pois o custo para concluir a P-71 fora de Rio Grande seria maior do que no município.

De acordo com Lindenmeyer, a perspectiva é que a cidade perca neste ano em receita com impostos, devido à retração da indústria naval, entre R$ 55 milhões e R$ 70 milhões. O prefeito acrescenta que os investimentos desse setor na região, até o momento, ultrapassaram o patamar de R$ 6 bilhões. Lindenmeyer espera que o governo gaúcho assuma um papel de protagonista em defesa do polo naval e que o presidente da República, Michel Temer, seja sensibilizado a mudar o cenário que se avizinha.

Na quarta-feira, o prefeito esteve reunido com o presidente do Senado, o senador Eunício Oliveira (PMDB-MT), em Brasília, juntamente com outros políticos, trabalhadores e empresários ligados ao segmento naval. O encontro resultou no compromisso assumido por Oliveira de marcar uma reunião com Temer para apresentar uma nota técnica sobre o tema. A prefeitura de Rio Grande também está organizando um ato para o dia 29 de abril, e cogita-se a possibilidade da presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento. O sindicato dos metalúrgicos promete a realização de mobilizações, mas não revelou os planos quanto a essas ações.

Fonte: Jefferson Klein / Jornal do Comércio 

Por Redação

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