União Europeia aprova a fusão da Maersk com a Hamburg Süd com algumas ressalvas – conheça os detalhes

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A Comissão Anti Truste da União Europeia finalmente concluiu sua análise e autorizou a compra da Hamburg Süd pela Maersk Line, sob as regras vigentes no Código de Fusões de Empresas da União Europeia (EU Merger Regulation). A aprovação foi dada sob algumas condições.

O processo de análise foi necessário devido ao volume envolvido no negócio, o que poderia caracterizar formação de truste.

Para quem não sabe, os trustes são grupos formados por proprietários de grandes empresas se fundem – estes já detinham o controle da maior parte do mercado – tornando-se sócios de uma única grande empresa. Com isso, eles terão em suas mãos o controle de grande parte do mercado consumidor. Isso, além de diminuir a concorrência, dificulta a pesquisa de preços por parte do consumidor, tornando difícil encontrar preços menores.

A aprovação ficou condicionada à retirada do Hamburg Süd de cinco rotas comerciais onde a entidade resultante da fusão teria um domínio tal do mercado de forma que ficaria caracterizado o truste, ou seja, a praticamente inexistência de concorrência:

1- Norte da Europa x América Central / Caribe

2- Norte da Eurpoa x Costa Oeste da América do Sul

3- Norte da Europa x Oriente Médio

4- Mediterrâneo x Costa Oeste da América do Sul

5- Mediterrâneo x Costa Leste da América do Sul

A Livre Concorrência e alta competitividade entre as empresas de navegação são essenciais não somente para as empresas europeias, mas para a economia do bloco como um todo. os compromissos assumidos pela Maersk Line e pela Hamburg Süd vão propiciar um nível saudável de competição e vão beneficiar muitas outras empresas europeias que dependem dos serviços de transporte marítimo de contêineres.

As cinco rotas condicionantes da transação, caso mantidas, afetariam diretamente pontos chave da concorrência considerada justa, já que haveria uma concentração enorme de cargas sobre a mesma entidade e para muitos mercados ela é importante e não poderia o interesse de uma entidade privada ficar acima dos interesses de seus clientes e, em última instância, dos consumidores, que acabariam pagando o preço.

Operações no Brasil

O escritório da Hamburg Süd do Brasil é afetado uma vez que a linha do Mediterrâneo é muito importante, poiso volume é alto, através da ligação ao hub port de Tanger, no Marrocos, principal porto de ligação da América do sul com o Mediterrâneo.

Esta operação sairia da conta do escritório do Brasil e representaria um volume significativo de operações e, consequentemente, financeiro.

As consequências para o Brasil, dependem agora das decisões a serem tomadas pela alta administração da Maersk Line e pode acontecer de tudo.

Tamanho do conglomerado

A operação proposta criaria também ligações limitadas entre a Maersk Line e a Hamburg Süd nos mercados do transporte marítimo de curta distância e dos “serviços de tramp” (não programados, a pedido), bem como ligações limitadas entre as duas empresas, atividades nos setores do transporte marítimo de contêineres (Safmarine, Sealand, SeaGo Line e MCC Transport) e dos terminais de contêineres (APM Terminals, Tecon Itapoá, ATM), reboque portuário (Svitzer), expedição de mercadorias, fabricação de contêineres e transporte terrestre em que a Maersk Line ou outras empresas pertencentes ao grupo Maersk atuam.

Os fatos acima somente não impossibilitaram o negócio porque há diversas operadoras atuando nessas áreas específicas, mas mesmo assim a nova entidade continuará ocupando uma posição de liderança.  

Mesmo assim, a Comissão Anti Truste da União Europeia vai aguardar a conclusão das condicionantes para finalizar a operação.

Para se ter uma noção, a Hamburg Süd opera hoje 130 navios através de sua frota e de suas subsidiárias CCNI, do Chile e a Aliança, aqui do Brasil. A empresa ainda conta com as operações da excepcional ATM, que faz o serviço porta a porta e é referência no Brasil.

Já a Maersk opera 611 navios, dos quais 324 são afretados, e opera em todo o mundo, além de operar outras empresas de navegação, tanto no transporte de contêineres como no reboque portuário, e toda uma malha logística intermodal que faz da empresa a maior player do setor atualmente.

É uma colcha de retalhos que, se não for muito bem costurada, pode causar sérios problemas para o Comércio Mundial.

Por Rodrigo Cintra

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