Segundo delator, Paulo Roberto Costa foi nomeado após reclamação da Odebrecht diretamente a Lula

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Alexandrino Alencar – Foto: G1 (reprodução)

O ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar afirmou em depoimento que Paulo Roberto Costa assumiu a diretoria de Abastecimento da Petrobras depois que a empreiteira reclamou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de dificuldades criadas pelo antecessor de Costa na diretoria, Rogério Manso.

A afirmação foi feita por Alexandrino ao Ministério Público Federal dentro de acordo de delação premiada no âmbito da Lava Jato. O G1 procurou a defesa de Lula e aguardava retorno até a última atualização desta reportagem.

De acordo com o delator, a reunião em que a Odebrecht reclamou da postura de Manso ocorreu em 2003 no Palácio da Alvorada. Estavam presentes, segundo ele, o ex-presidente Lula, o então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra.

Alexandrino diz que, na época, a Braskem, braço da Odebrecht no setor petroquímico, queria um contrato de longo prazo com a Petrobras, além de garantias de que a estatal não atrapalharia os planos do grupo no setor.

“Isso foi feito, que eu me lembro, especificamente que nós fizemos uma reclamação da postura do então diretor de Abastecimento da Petrobrás, Rogério Manso, que estava criando enorme dificuldades quanto a realizar um contrato de nafta”, relatou ele aos investigadores.

De acordo com o delator, em resposta às queixas, Lula afirmou na reunião que o governo iria “continuar com o objetivo da privatização do setor.”

Paulo Roberto Costa

Alguns meses depois da reunião, em 2004, Alexandrino diz que a Odebrecht foi informada, pelo deputado José Janene, que era do PP e morreu em 2010, que Rogério Manso seria substituído na diretoria de Abastecimento da Petrobras.

“Em meados de 2004, nós fomos informados pelo deputado [Janene] que o então diretor Rogério Manso teria sido substituído por Paulo Roberto Costa, engenheiro da Petrobrás, também do Paraná, estado do qual o deputado José Janene representava”, conta o delator.

Em delação premiada feita no ano passado, o ex-deputado e ex-presidente do Partido Progressista (PP) Pedro Corrêa afirmou que Lula interferiu diretamente na nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento por indicação do PP.

Atualmente, Costa cumpre pena em regime aberto, no Rio de Janeiro. Suas condenações em ações penais em torno do esquema de corrupção na Petrobras somam mais de 70 anos. Ele foi o primeiro investigado da Lava Jato a fazer acordo de delação premiada.

Alexandrino relata como foi a reunião em que Costa foi apresentado a um grupo de executivos da Odebrecht.

“Aí houve uma reunião, no qual eu me cito presente, no qual esteve o Paulo Roberto Costa, o próprio Janene, Pedro Novis e o José Carlos, no qual foi apresentado: ‘olha, esse é novo diretor da Petrobrás’. E o José Janene dizendo que fazia parte da indicação dele. Aí depois houve outra reunião no qual teve o Janene, o assessor dele, Genu, comigo e com o José Carlos, aí sim ele foi mais explícito, dizendo que o Paulo Roberto era indicação dele e que seguiria orientações dele, Janene”

Questionado pelos investigadores se essas orientações de Janene seriam no sentido de facilitar os negócios com a Odebrecht, o delator responde: “da facilitação, da facilitação. Ele [Costa] seria um canal… entre Braskem e Petrobrás na área de abastecimento.”

Ipiranga

Alexandrino afirma ainda que a Petrobras reviu uma aquisição na área petroquímica depois de queixa da Odebrecht.

“Em 2006, a gente começa a perceber que existe um movimento forte da Petrobrás em voltar à petroquímica, tentando adquirir o grupo Ipiranga, através do próprio Paulo Roberto. E aí nós fomos ao Executivo e dissemos: ‘como é que pode acontecer uma coisa dessa? Você ter um direcionamento e o pessoal retorna?’”.

O delator afirma que não participou desse movimento de pressão da Odebrecht junto ao Executivo contra a aquisição da Ipiranga pela Petrobras. Entretanto, ele relata que, depois das queixas, a Odebrecht acabou beneficiada.

“Deve ter tido reuniões, acredito, com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aí voltou-se pra Petrobrás e o resultado disso foi a compra do grupo Ipiranga por nós e pela Petrobrás. Aliás, esse movimento foi ficando bem maior. Não foi só a compra do Ipiranga Petroquímica mas de todo o grupo Ipiranga. E na área de distribuição de gasolina, quem comprou foi o Ultra”, relatou ele.

Fonte: G1

Por Redação

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