Contrato da Seadrill com a Statoil envolve muito mais do que se possa imaginar

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A Statoil informou a contratação de uma sonda da Seadrill para dar prosseguimento às suas atividades no bloco BM-S-8, na Bacia de Santos. Pode parecer uma simples notícia, mas envolve muita coisa. Bem mais do que você, leitor, possa imaginar.

Aspectos operacionais, técnicos e financeiros que merecem o devido destaque. Conhecemos nosso público e sabemos que é isso que esperam de uma Imprensa Especializada.

Conforme noticiado em nossa página, a empresa aumentou recentemente sua participação comprando mais 10% que pertenciam anteriormente à Queiroz Galvão. O negócio marca ainda mais a presença da empresa em Carcará, Bacia de Santos, e reafirma o que a mesma já vem sinalizando há anos, e mais efetivamente há alguns meses: a fé que a empresa tem no Brasil e na recuperação da Economia com a retomada do crescimento das atividades petrolíferas offshore.

O início das operações é previsto para acontecer entre dezembro deste ano e janeiro de 2018 e ocorrerá no poço Guanxuma, mobilizanso o navio sonda West Saturn e, segundo nossas fontes, pelo menos 2 PSVs a serem contratados.

O contrato envolve duas empresas distintas do Grupo Seadrill. A Seadrill Offshore ASA, que é a armadora do navio sonda escolhido e a Seadrill Serviços de Petróleo LTDA, empresa brasileira, que fornecerá toda a tripulação e serviços terceirizados a bordo.

Aspectos técnicos e operacionais

O escopo do contrato inclui um poço de exploração e um teste DST (Drill Stem Test) e oferece opções para a perfuração de outros poços em campos operados pela Statoil.

Este teste tem como objetivo a aquisição de dados importantíssimos e essenciais para que se avalie a capacidade produtiva do poço, e geralmente é escolhido devido ao seu bom desempenho. Porém, há outros testes com a mesma finalidade, como, por exemplo, os testes de pressão de fluxo e testes de pressão estática.

De uma maneira bem simples, procuramos ilustrar e explicar o fereido teste abaixo:

Teste DST – ilustração simplificada

Neste teste, que tivemos a oportunidade de acompanhar vários ao longo de nossa carreira, a broca de perfuração é substituída por um tipo de ferramenta conhecida como BHA (bottom hole assembly), que consiste em um o mais packers, que funcionam basicamente como um tipo de bujão, ou plug, se preferirem, que são expandidos e vão isolando diferentes seções do poço para que os testes sejam feitos. Os packers conseguem isolar a região que fica entre a “parede” do poço e o tubo de perfuração, delimitando a região a ser analisada. O BHA instalado coleta alguns dados daquela região e os envia para o drill floor, onde os mesmos são registrados e analisados. Ao final da coleta dos dados, através da abertura e fechamento de algumas válvulas, a pressão varia dentro da região sob análise e isso faz com que o fluido de perfuração se movimente, saindo desta região e vindo para a superfície.

O navio escolhido para a missão foi o West Saturn, um navio sonda de 6ª geração capaz de perfurar em águas ultraprofundas, até aproximadamente 3600 metros, foi escolhido para a missão.

Fonte: Seadrill

Apesar de não ser um navio de última geração, pois já estamos em navios sonda de 7ª geração (ainda que haja bastante controvérsia hoje sobre o conceito que define “7ª geração” e muitos dizem que ela não existe), o West Saturn é um navio novo (construído em 2014 na estaleiro coreano Samsung Heavy Industries), com um moderníssimo sistema de Posicionamento Dinâmico Classe 3 da Kongsberg, que segura a posição com seis azimutais Aquamaster da Rolls-Royce de 6035 HP cada e “cavalaria” composta por 6 diesel geradores Hiunday Himsen 16H32 com 10877 HP cada.

O navio conta em seus equipamentos com um pacote completo da NOV, envolvendo torre, top drive, draworks, BOP, guindastes (principais e para árvore de natal), bombas de lama, mesa rotativa, compensador, peneiras, etc… Tudo NOV. Ou seja… top. Annulares, diverter e tensionadores da Schaffer e Well head connector da Driil Quip.

Ou seja, o navio é equipado com altíssima tecnologia, podendo ser ainda incluído no que há de melhor no mercado para este tipo de operação.

Porém, para esta operação, o navio receberá um upgrade com um Sistema MPD (Managed Pressure Drilling) e será, assim, a quinta unidade da empresa equipada com este sistema.

Este sistema permite, através de RCDs (rotation control devices), que se crie um sistema fechado e pressurizado, como se espera, mas a grande diferença é que o MPD, que pode ser considerado o que há de mais moderno no setor, consegue um controle extremamente preciso sobre todos os fluidos circulando no poço.

Assim, o sistema MPD permite um monitoramento extremamente eficiente e uma capacidade de resposta bastante rápida a qualquer anomalia detectada no poço, aumentando significativamente o nível de segurança das operações, evitando acidentes catastróficos que podem ocorrer em atividades de controle de poço.

Aspectos de mercado

Como mencionamos, ainda há aspectos de mercado envolvidos, tanto relecionados à atual situação da Seadrill, como aos valores envolvidos.

Num cenário global, o contraro conseguido pela Seadrill vem logo após co tratos conseguidos pela Noble Corp (Noble Bob Douglas), logo depois a Vantage Drilling com a Platinum Explorer e por último a Ensco com três navios-sonda (DS-4, DS-7, e DS-10). Coincidência? Definitivamente não. Mesmo que ainda fraca, tudo indica que está surgindo uma nova tendência de mercado, voltando, pouco a pouco, com as atividades de perfuração em águas ultraprofundas, apesar de ainda ser cedo demais para afirmarmos que a tendência será mundialmente seguida. Parece que as operadoras perceberam que não dá mais para esperar e decidiram voltar com as perfurações.

O cenário ainda é preocupante, com o barril de petróleo sofrendo para se manter em torno dos US$ 50, mas o mercado, definitivamente se mexeu e esta é uma ótima notícia. O fato é que a cadeia do petróleo deveria entender que o preço do barril traz tudo a reboque consigo, o que faz com que o custo para se produzir um barril a US$ 50 é bem menor que o custo para se produzir um barril a US$ 100, mas insistem em ignorar este fato.

A Seadrill continua com suas ações muito baixas, cerca de US$ 0,39 na Bolsa de Valores de Nova Iorque, a empresa luta para sobreviver e conseguir pagar seus credores, mas mostra que ainda tem algum fôlego. E o que esperamos é muito, mas muito mais fôlego para que esta gigante se levante e volte ao topo, o de é o seu lugar.

O backlog do contrato, conforme informado pela Seadrill, é de US$ 26 milhões, mas a diária é uma incógnita. Podemos tomar como base a diária recebida pela West Saturn em seu último contrato, que foi de abril a maio deste ano, onde a empresa trabalhou para a Ophir por US$ 155 mil por dia.

O que se espera é uma diária entre US$ 150 e 200 mil.

Desta forma, este contrato envolve muito mais do que se possa imaginar, marcando possivelmente uma retomada de crescimento e retorno às atividades petrolíferas offshore.

Parabéns à Statoil pelo movimento adiante e à Seadrill pelo contrato conseguido.

Diante de todo este cenário e tudo o que está envolvido, nossa mensagem para as operadoras é apenas uma: Drill, baby!

Por Rodrigo Cintra

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