Após demissão em massa e acordo de leniência, UTC pede sua recuperação judicial

1

Há aproximadamente uma semana, mais precisamente no dia 7 de julho, a UTC Engenharia  realizou uma demissão em massa na cidade de Macaé, limitando-se a manter cerca de 500 funcionários em seus quadros.

Foram mais de 4 mil demitidos somente em sua filial  a cidade devido à não renovação de contrato com a Petrobras.

Trabalhadores protestaram na porta da empresa em Macaé

Recebemos fotos com os telegramas enviados aos funcionários demitidos e muitas reclamações e informes de protestos na porta da empresa manifestando todo o descontentamento dos agora ex-funcionários, muitos preocupados com o acerto de contas.

Segundo as declarações oficiais da empresa, a demissão ocorreu em razão da não-renovação do contrato com a Petrobras, não justificando, desta forma, a manutenção dos empregos dos trabalhadores ligados às atividades da empresa a bordo das plataformas da Petrobras.

Telegrama enviado aos funcionários

O impasse ocorreu porque a Petrobras negou-se a fazer o aditamento do contrato que envolvia a prestação de serviços de manutenção de 12 plataformas da estatal, a saber: P-18, P-19, P-20, P-26, P-33, P-35, P-37, P-50, P-52, P-54, P-55 e P-62, localizadas na Bacia de Campos.

A Petrobras, por sua vez, foi rápida em informar que a não renovação foi ocasionada por uma decisão unilateral por parte da UTC e informa que fez de tudo para preservá-los.

Sequência de fatos

Logo após o ocorrido, a empresa assina um acordo de leniência no dia 10 de Julho, comprometendo-se a devolver R$ 574 milhões relacionados à 29 contratos e que serão pagos num prazo máximo de 22 anos e sendo corrigido pela taxa Selic, o que poderá levar o valor total a R$ 3 bilhões.

Hoje, uma semana após a assinatura do acordo, e com uma dívida total de R$ 3,4 bilhões, o Grupo UTC, controlador da UTC Engenharia e de mais 13 empresas, protocolou seu pedido de recuperação judicial na 2ª vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

No efeito borboleta gerado, não somente as operações nas plataformas da Bacia de Campos ficam ameaçadas, mas até mesmo o funcionamento do Aeroporto de Viracopos, administrado por uma das empresas do grupo.

Relacionamento com a Petrobras

Desde o bloqueio feito pela Petrobras em 2014, em razão do envolvimento da empresa em pagamento de propinas a políticos e formação de cartel que atuaria em obras da Petrobras e da Usina Nuclear Angra 3, que acabou impedindo a assinatura de algums aditivos contratuais.

Segundo o comunicado oficial emitido pela UTC, a Petrobras reteu uma fatura de quase R$ 21 milhões em junho, que seriam utilizados no pagamento de seus funcionários em Macaé, além dos R$ 650 milhões em custos extras relacionados à revisão do projeto básico e do cronograma da Refinaria Alberto Pasqualini.

Esse valor foi reclamado através de liminar na Justiça pela UTC.

A Petrobras aguarda notificação oficial para se manifestar.

A UTC é uma das empresas investigadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato e muita água deve rolar ainda.

Como sempre, a corda arrebentou do lado mais fraco, o dos trabalhadores, que agora se veem numa situação preocupante na já abalada Macaé, que hoje precisa de muitas coisas, menos de 4 mil desempregados a mais na cidade.

Por Rodrigo Cintra

1 COMENTÁRIO

  1. A história é sempre a mesma primeiro fazem os esquemas fraudulentos com propósitos espurios depois pedem anistia com base em apelos sociais assim é fácil.

Deixe uma resposta