Seadrill aumenta prazo junto a seus credores, mas situação da empresa ainda é complexa

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John Fredriksen

Mergulhada em dívidas desde o início da crise do petróleo e com credores batendo à porta, a Seadrill, que vinha negociando com os mesmos desde dezembro de 2016, conseguiu estender nesta última semana o prazo de negociação para sua reestruturação financeira até o dia 12 de setembro.

A empresa segue negociando os cerca de US$ 14 bilhões de dívida, mas possui outros objetivos à curto prazo relacionados à quitação de uma dívida de US$ 850 milhões envolvendo um empréstimo com vencimento para o mês de agosto e recursos captados para a construção da plataforma de perfuração semissubmersível West Eminence.

Pelo cenário delineado, especialistas acreditam que a saída seja realmente um aporte de capital transformando os credores em acionistas da empresa, e inclusive há interesse por parte dos mesmos.

A Seadrill vem fechando contratos ao longo dos últimos meses, como noticiamos aqui recentemente no caso da Statoil, e aos poucos vem se recuperando, ainda que discretamente, já que a dívida ainda é bastante grande.

A grande verdade é que a empresa está tendo que se reinventar para retomar crescimento, uma vez que a estruturação de sua dívida é extremamente complexa, não fazendo da empresa um investimento interessante no momento.

Mesmo assim, a habilidade de John Fredriksen, o “Big John”, em negociar tem feito a diferença na empresa, a ponto de até mesmo estaleiros, que não costumam aceitar muito bem processos de aporte de capital como pagamento de dívidas de seus clientes, estarem aceitando participar deste que é praticamente um “mutirão” para recuperar a empresa.

Sinceramente? Acredito que estejam mesmo é preparando o terreno para a Recuperação Judicial da empresa. As indicações são muito claras, se formos partir de um ponto de vista objetivo, cético, sem emoções. As ações da empresa já desvalorizaram 99% desde setembro de 2013, a coisa tá feia por lá, e seria bem mais racional e razoável fazer a Recuperação Judicial.

São mais de 40 bancos credores hoje, dentre eles os gigantes DNB (Noruega), Nordea (Suécia) e Danske Bank (Dinamarca), fora os acionistas e estaleiros. A empresa possui hoje plataformas em construção nos estaleiros coreanos Daewoo e Samsung, no chinês Dalian e também no Jurong, em Cingapura.

Só fica difícil mesmo de ser cético quando se tem JF nos bastidores, pois em se tratando de negócios onde ele está envolvido, tudo pode acontecer. Porém, é claro o caminho da reestruturação das dívidas da empresa, quer seja por acordo judicial ou não.

Por Rodrigo Cintra

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