Os barcos e plataformas foram embora – E agora? Está melhor ou pior?

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Ao longo dos últimos anos, por inúmeras vezes foi possível presenciar profissionais discutindo sobre o crescimento da frota estrangeira operando em águas Brasileiras. Críticas e rejeições eram comuns de se ouvir todos os dias nos quatro cantos das embarcações e nos diversos setores que participam da atividae marítima no Brasil.

De pessoas que no calor das emoções e completo desconhecimento de um mercado globalizado bradavam que “não precisavam falar inglês”, passando por entidades que acertadamente defenderam e defendem a RN 72 do Conselho Nacional de Imigração, a outros setores que pregaram por anos o banimento definitivo das embarcações estrangeiras de nossas águas, todo tipo de opinião foi colocada como “a correta”.

O tempo foi passando e centenas de embarcações estrangeiras perderam seus contratos. Plataformas de todos os tipos, barcos especiais, PSVs, AHTSs, etc… Com isso, milhares de profissionais ficaram fora do mercado de trabalho. Não precisa olhar muito em volta para perceber isso. Estamos em um momento em que sobra profissionais marítimos no mercado e que, logo em Macaé, considerada a Capital Nacional do Petróleo, o povo já se encarregou de renomear a principal praça da cidade como “Praça do Desempregado”.

Agora vem a pergunta: ficou melhor ou pior sem os barcos estrangeiros?

As embarcações estrangeiras estavam no Brasil por um só motivo, que é justamente o de não haver uma quantidade suficiente de embarcações de bandeira brasileira para suprir a demanda no offshore. Por este motivo as embarcações estrangeiras foram aceitas e importadas para nossas águas.

Vale lembrar que elas eram tripuladas por muitos brasileiros e que agora estão desempregados com a saída das mesmas.

Seria muito bom, de certa forma, se essas embarcações tivessem deixado o Brasil porque foram substituídas por embarcações brasileiras. E quando colocamos “bom de certa forma” é justamente porque mesmo assim haveria brasileiros desempregados já que, quando uma embarcação é substituída, os brasileiros da que sai não são transferidos para a que fica.

Mesmo assim, o que ocorreu de fato foi a saída das mesmas pela retração do mercado em face ao preço do petróleo, que encontrou no Brasil um cenário ideal para uma “perfect storm”, já que a crise do petróleo foi potencializada com a crise política do país.

Há que se ter muito cuidado com opiniões do tipo “apocalípticas” em relação à presença de barcos estrangeiros em nossas águas, uma vez que os mesmos geram empregos diretos e indiretos para brasileiros, tanto a bordo como em terra, e esta conta não fecha.

Embarcações, independentemente de sua origem, geram mercado para embarcados e não embarcados, pois precisam de diversos serviços, reparos, consumíveis, enfim… é toda uma cadeia de suprimentos que envolvem produtos e serviços que aquecem a Economia.

Fora isso, a troca gerada a bordo com a convivência em um ambiente multi-cultural é sempre algo saudável, que agrega conhecimento, técnica e qualidade a qualquer ambiente de trabalho.

Um mínimo de razoabilidade deve ser colocado em pauta quando se fala deste tipo de assunto, já que há muita coisa envolvida.

Há diversas opiniões no meio marítimo, mas a pergunta que fazemos para você, leitor, é a seguinte: Agora que as embarcações foram embora, ficou bom ou ruim?

Por Rodrigo Cintra

*Colaboraram para este artigo o Cozinheiro Marítimo Luiz Alberto Conceição e o Supervisor de Manutenção Naval Roberto Cardoso.

1 COMENTÁRIO

  1. Como conversei com o Alan, essa mentalidade de repudiar os barcos estrangeiros, é o mesmo que fosse um repúdio às multinacionais que fabricam o veículo que dirigimos. Não temos de jeito nenhum uma montadora de origem nacional. Então, com essa mentalidade, essas pessoas ficariam sem carro, ônibus, caminhão. Pois todas elas tem suas matrizes em países estrangeiros.

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