Conteúdo Local foi a grande discussão do dia na Marine Summit I

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Público compareceu e prestigiou o primeiro dia da Marine Summit I – Um evento do Grupo Portal Marítimo

Em palestras interessantíssimas onde foram expostos diversos lados do Conteúdo Local, o primeiro dia da Marine Summit foi marcado por este assunto e por visões de todo o tipo.

Tendo com o Mestres de Cerimônia a Sra Cinthya Lopes e o Sr Rodrigo Cintra, o evento conseguiu reunir aproximadamente 30 pessoas e contou em sua plateia com a participação de algumas personalidades do cenário marítimo e offshore.

Rodrigo Cintra e Cinthya Lopes – Mestres de Cerimônia

O evento foi aberto com a palestra do Sr João Azeredo, Diretor Executivo da ABENAV (Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore), sobre o cenário da construção naval com e sem conteúdo local. Nesta palestra foram expostas as consequências da falta de conteúdo local para as próximas licitações da ANP, dentre as quais foram destacadas a crise de liquidez nos estaleiros, as demissões em massa, os impactos sociais resultantes dessas demissões, a perda de conhecimento e de competitividade internacional e o atraso na curva de aprendizado da indústria naval, fator extremamente importante na transferência de tecnologia.

João Azeredo, representante da ABENAV

Na segunda palestra o Sr Danilo Giroldo, Vice Reitor da Universidade Federal do Rio Grande, representando a APLRG, mostrou aos presentes toda a planta industrial instalada na cidade e que hoje está ociosa. Mais que isso, Giroldo mostrou os ótimos resultados alcançados pelos estaleiros locais e a estranha determinação da Petrobras em mandar cortar o casco já cerca de 30% construído do que seria uma FPSO. Segundo o mesmo, o custo de cortar seria o mesmo custo de finalizar a construção do mesmo.

Danilo Giroldo, representante da APLRG

Na sequência, o Sr Paulo Galvão, representante da ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), que substituiu de última hora o representante a ABIMAQ, seguiu na mesma linha falando sobre as capacidades da indústria nacional. Galvão destacou e reconheceu que, apesar de  política de redução de conteúdo local atrair investimentos, ela desconsidera os investimentos já realizados. Destacou também que o argumento de que o mercado brasileiro não é atrativo para investidores estrangeiros, em sua opinião, é fraco, já que há grandes empresas de toda parte do mundo instaladas no Brasil. Outro ponto interessante levantado foi o relacionado ao Relatório do Tribunal de Contas da União, que faz uma parametrização do mercado tomando como referência as sondas (que são itens que não representam o setor, já que são de uso temporal, com uma dinâmica de mercado completamente diferente) que seriam da Sete Brasil. Igualmente importante, o representante da ABINEE destacou a importância de se conseguir um tratamento isonômico entre fornecedores nacionais e estrangeiros, a fim de se conseguir uma concorrência justa. Outra afirmação de Galvão é a de que a excelente geologia do pré-sal, sua alta produtividade e a boa qualidade do óleo, por si só, minimizam os riscos ao negócio, sendo esse um bom motivo para se investir no Brasil.   

Paulo Galvão, representante da ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica)
Kjetil Solbraekke, representante da Rystad Energy

A última palestra foi conduzida pelo Sr Kjetil Solbraeke, representante da Rystad Energy, e infelizmente não pôde contar com a presença dos palestrantes anteriores. Kjetil, que, dentre outras atividades, foi executivo da Statoil e trabalhou no Ministério do Petróleo da Noruega, diretamente com a questão de Conteúdo Local no país, apresentou em números o cenário mundial da demanda por plataformas, destacando as desmobilizações que estão programadas e o dano causado pela crise do petróleo. Segundo Kjetil, a dependência do mercado em relação ao preço do petróleo é sim muito grande e a tendência atual é que ele acompanhe o barril. Porém, ficou claro que o preço do petróleo não deve atingir níveis mais baixos, a não ser que alguma potência petrolífera resolva injetar mais petróleo no mercado a níveis bem acima da atual demanda mundial. Outro ponto destacado foi a respeito dos acordos da OPEP, que tem surtido um efeito bem menor que o esperado. A palestra de Kjetil Solbraekke destacou-se das demais justamente por mostrar o cenário global e como o Brasil participa disso e também por destacar a necessidade de se refletir sobre as políticas de Conteúdo Local de maneira racional, pois se o Brasil decidir assumir compromissos que não pode cumprir, o problema pode ser maior que o esperado, já que investidores precisam de segurança jurídica e infraestrutural para que venham para o país. Mesmo assim, Kjetil mostrou que o Brasil ainda é um lugar bastante atrativo para investimentos na área do petróleo, sem sobra de dúvidas e o que se tem hoje é justamente a necessidade de se modernizar um modelo de regulação que acaba limitando investimentos.

Potencial de crescimento existe e vai depender das escolhas que o país fizer nos próximos anos – gráfico da Rystad Energy
O debate ao final do evento confrontou assuntos interessantes e fechou o dia com chave de ouro.

Finalizando o dia, tivemos um debate onde o público presente pôde levantar questões pontuais como qualidade de serviços entregues, projeções do mercado para marítimos, potencial para novas atividades e modelo de distribuição de estaleiros pelo país, temas que foram desenvolvidos e confrontados pelos componentes da mesa de debates, formada por Kjetil Solbraekke, Rodrigo Cintra e João Azeredo.

A equipe da Marine Summit agradece a participação do público e a presença de grandes líderes do setor nas palestras, agradece pelo apoio e parceira da ABENAV e principalmente pela estrutura oferecida pela UBM, empresa organizadora da Marintec South America.

Nesta quinta-feira teremos mais uma sequência bastante diversificada de palestras e contamos com a presença de todos.

Para os interessados, segue programação do dia:

  • Sísmica Offshore – Giuliano Ferreira (GRUPO PORTAL MARÍTIMO)
  • Antenas Estabilizadas na Comunicação Naval – Claudio Machado (INOVSAT)
  • DP Trials – Tecnologia de Acesso Remoto a embarcações – Rodrigo Cintra (MARINE SOLUTION NORWAY)
  • Novos Cursos após a Convenção de Manila – IMCA M 117 – Louise Engel (Nautical Science Training & Consulting)
  • Aplicação das capacitações e treinamentos das NRs na área marítima e offshore – Luciana Sumam (MARMEC)
  • A Atuação da DPC na revisão da Circular 645 da IMO – Marinha do Brasil (Diretoria de Portos e Costas)
  • Lançamento da SOBRAMAM – Sociedade Brasileira de Marinha Mercante

Lembramos que a entrada no evento é GRATUITA e que basta você se cadastrar na Marinetc South America 2017 para participar do mesmo. Estaremos no mezanino, sala A e aguardamos todos!

Contamos com a presença de todos neste segundo dia da primeira edição do evento que foi preparado com todo o carinho e cuidado para que assuntos realmente relevantes pudessem ser abordados.

Nos vemos lá.

Apareçam!

Time Marine Summit

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