Portos de Santa Catarina eram utilizados no tráfico internacional de drogas

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Em meio a uma rotina intensa de carregamento e descarregamento de cargas nos portos marítimos de Santa Catarina, parecia pouco suspeita a ação de criminosos que usavam os locais como pontos de saída de cocaína para diversos países. A ação, no entanto, vem sendo investigada pela Polícia Federal (PF) desde o fim de 2016. Hoje, duas operações do órgão em conjunto com a Receita Federal, Oceano Branco e Contentor, buscam suspeitos de integrarem o esquema ilegal.

Em uma imagem divulgada pela PF, agentes cumpriram ordens em uma concessionária nesta terça-feira.

Cerca de 450 policiais federais e 25 servidores da Receita cumpriram simultaneamente 45 mandados de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 104 mandados de busca e apreensão,12 conduções coercitivas – quando a pessoa é levada à força para depor – e diversos sequestros de bens móveis e imóveis, além do bloqueio de contas bancárias, nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro.

De acordo com a PF, os grupos criminosos atuavam de forma similar. As cargas de cocaína eram inseridas clandestinamente em contêineres já carregados com mercadorias lícitas que teriam como destino países europeus. “Nas duas operações houve apreensões de droga no país e no exterior, em procedimentos de cooperação policial internacional”, afirmou a PF em nota nesta manhã.

Os investigados devem ser indiciados pelos crimes de tráfico e associação ao tráfico internacional de entorpecentes, bem como falsificação de documentos e uso de documentos falsos. As penas para cada evento de tráfico internacional podem chegar a 25 anos de prisão, além de 10 anos de reclusão por associação.

Rota do tráfico

A primeira operação, Contentor, foi iniciada no fim de 2016. Segundo a investigação, a Delegacia de Polícia Federal em Joinville (SC) realizou cinco grandes apreensões de drogas, totalizando cerca de 2 toneladas de cocaína. Entorpecentes foram apreendidos inclusive na Bélgica.

A investigação seguiu a rota do tráfico e encontrou indícios de que o entorpecente era adquirido em região de fronteira com a Bolívia e entrava no Brasil em pequenos aviões que pousavam no aeroclube de São Francisco do Sul (SC). “De lá, era levado para chácaras onde era acondicionado em grandes bolsas para posterior inserção em contêineres que sairiam pelo Porto de Itapoá”.

As ordens judiciais da Operação Contentor são cumpridas nos municípios catarinenses de Joinville São Francisco do Sul, Itapoá e Garuva. Há mandados também em Santos (SP), São Paulo (SP), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Rio de Janeiro (RJ).

Crime internacional

Em março de 2016, a Operação Oceano Branco, feit pela Delegacia de Polícia Federal em Itajaí (SC), apreendeu 6 toneladas de cocaína em 12 diferentes ações. Foram seis ações no país e 6 em países como a Bélgica, França e Espanha. De acordo com a PF, três grupos criminosos embarcavam grandes quantidades de cocaína por meio de contêineres que partiam do Complexo Portuário Itajaí-Navegantes.

A droga era escondida em cargas de mercadorias como bobinas de aço, abacaxi em latas e blocos de granito. “Além das apreensões referidas, foi possível vincular a atuação dos investigados a outros carregamentos interceptados por autoridades policiais na Itália, Dinamarca, Espanha, Arábia Saudita e Turquia, totalizando outras 2,5 toneladas da droga”, afirmou a PF.

As ordens judiciais da Oceano Branco foram cumpridas nos municípios de Itajaí, Balneário Camboriú, Navegantes, Itapema, Penha, Tijucas, Florianopolis, São Francisco do Sul, e Joinville. Há mandados também em Imbé, no Rio Grande do Sul.

Fonte: Jacqueline Saraiva / Correio Braziliense

Por Redação 

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