Por que a plataforma Polvo A é tão especial e marca tanto quem passa por lá?

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1968

Recentemente um amigo me fez esta pergunta, pois descobriu que eu trabalhei como Coordenador de Manutenção da Polvo A, onde fiquei embarcado por mais de um ano e pude aprender muito com os colegas que lá estavam comigo.

Nessa sonda fiz amigos, aprendi muito, principalmente a respeitar o conhecimento do peão que está ali com a mão na massa, vi a morte de perto trabalhando no BOP na sonda, vivi momentos e desafios incríveis de cunho técnico, dadas as limitações da unidade, e sempre entregamos um bom serviço.

Minha equipe, particularmente, com gente como David Renovato, um cara a quem eu devo tanto que nem sei como pagar, um cara que sentou ali do meu lado, ficou “dobrando” direto e literalmente me “ensinou” a rotina de um Coordenador de Manutenção.

Carlos Reis (um verdadeiro MESTRE em equipamentos de perfuração), Doug Cohrs, Mestre Linhares, Marinheiro Paulo, Stan Gray, Lima, Marcão, Deusdete, Lincoln, Samir, Igor, Marcio, Geovane, Frank, Carlos Ely, Hugo, Ednei, as dezenas de terceirizados que trabalhavam na manutenção, a equipe da Kria Frio (Thiagos, pois eram dois, Bruno, Leandro…) e tantos outros que por lá passaram, e tanto me ajudaram, inclusive fora da equipe de Manutenção.

Almoxarifes André, Rodrigo e Quico…

Wilson, Helton, Carlão, Gigante, Alex Bahia…

Comissário Frank, da Puras, Jorjão, Charles, Wagner, Deriklin, Waguinho da Forship, Carlos Alberto da Forship, pessoal da Mills… É muita gente!

Collins, Peter Barneveld, Larry Frost, pessoas da melhor qualidade!

Sem palavras para explicar o que esse pessoal fazia a bordo.

O Superintendente Almir, um cara diferenciado e que fazia muita falta quando não estava a bordo. Um PROFESSOR ACIMA DE TUDO. Primitivo e Confessor, grandes sondadores…

Rig Manager Luiz Ayala, que nunca me deixou na mão.

É uma sonda sem elevadores, escadas para todo lado, equipamentos de perfuração antigos, mas funcionais.

É lugar de trabalho, muito trabalho. Quem não quer nada não se cria ali em cima. Nem tem como.

O conforto era o máximo possível dentro das limitações impostas pelo projeto dessa sonda.

A equipe da plataforma sempre se destacou pela pegada de trabalho e principalmente pelo clima, salvo uma ou outra exceção.

Há várias coisas que marcam quem passa por Polvo A, mas vamos destacar algumas:

1- Controlar a sonda na pata de mula em nossa época é uma experiência única.
2- Fazer um Power Swivel funcionar melhor que muito Top Drive no peito e na raça, é tarefa para uma equipe especial.
3- Mudar o projeto de uma Rogers Tong, tirando rolamentos de rolos cônicos auto compensados da Timken, que arrebentavam toda semana, e colocar uma bucha grafitada com alguns pinos graxeiros e aumentar a disponibilidade do equipamento não é para qualquer um.
4- Porrar o bloco do coroamento com o Top Drive seguidamente e a sonda não desabar, somente sob a proteção de Deus.
5- Trabalhar num BOP seco, gigante, com equipe reduzida, e mesmo assim o bicho dar conta, somente com uma equipe especial.
6- Manter funcionando e sob manutenção os piores degaser, desander e desilter do mundo, mal localizados ainda por cima na sonda, é tarefa para uma equipe de ponta.
7- Ter gente que nada tinha a ver com manutenção se metendo o tempo todo nos serviços da sonda e da manutenção, e mesmo assim minimizar as consequências disso, somente com mecânicos e assistentes diferenciados…
8- Ter gente que a única coisa que sabia de mar é que ele tinha água, se metendo e dando piruada errada no serviço de salvatagem da unidade, que era conduzido por profissionais marítimos.
9- E com tudo isso, quebrar o record brasileiro de perfuração direcional.

E ainda por cima escutar o “peso da lama nas peneiras” no ritmo do “Rebolation”, nas vozes de cidadãos de Catu/Bahia… ”Se liga agora no peso da lama que ue vou falaaaaaar…. dez ponto oito-to, dez ponto oito…”

Ou então “Pinguim, liga o lava jato!”…

Não é tanto sobre O QUE se tem em mãos, mas sobre QUEM TEMOS CONOSCO.

Que equipe!
Que época!
Quantos amigos feitos!

Saudades da Polvo A.

Só quem passou por lá é que sabe.

O pouco que sei hoje sobre equipamentos de perfuração, eu devo a esse pessoal. E devo muito mesmo.

Hoje aqui do lado de fora eu utilizo esse pouco que eu pude aprender para falar disso para quem se interessa pelo assunto, e a todo momento os dias incríveis vividos a bordo de Polvo A vem à mente, sempre com muito saudosismo.

Um grande abraço para os que lá ainda estão e para os provavelmente muitos que eu não tive o prazer de conhecer e que hoje estão lá mantendo o legado.

Meu muito obrigado a todos vocês, pois parte do que sou hoje eu devo a todos vocês!

Timaço!

Por Rodrigo Cintra

1 COMMENT

  1. Rapaz, que nostalgia! Trabalhei por um ano na Polvo A, como terceirizado (SIX Automação). Tive o prazer de conhecer a maioria dessa turma que você citou no texto. Galera boa demais!!!

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