Pesqueiro naufraga na costa de Angra dos Reis e deixa cinco desaparecidos

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Um barco pesqueiro que partiu de Itajaí, em Santa Catarina, afundou na noite de quarta-feira, 8, a cerca de 60 quilômetros da Ilha Grande, em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense, com 23 pessoas a bordo. Pescadores que estavam em outro barco conseguiram resgatar 18 pessoas, mas as outras cinco estavam desaparecidas, até a noite desta quinta-feira, 9.

Em nota, o Comando do 1º Distrito Naval da Marinha afirmou que “tomou conhecimento na manhã desta quinta-feira de que a embarcação pesqueira ‘Nossa Senhora do Carmo I’ naufragou na noite de quarta-feira. A Marinha esclarece que 18 tripulantes já foram resgatados pela embarcação pesqueira ‘Costa Amêndola’, que se encontrava nas proximidades no momento do ocorrido”.

Para procurar os cinco desaparecidos, a Marinha enviou imediatamente ao local do naufrágio um navio-patrulha e dois aviões – um da própria Marinha e outro da Força Aérea Brasileira.

O Salvamar Sueste, estrutura responsável por operações de busca e salvamento no mar, emitiu aviso aos navegantes para que outras embarcações que se encontrem na região do naufrágio possam apoiar as buscas.

Os 18 pescadores sobreviventes chegaram, na noite desta quinta-feira, num cais, na Ilha da Conceição, em Niterói.

A embarcação, que tinha capacidade para 23 tripulantes, é considerada de ‘ponta’ e suportava até 100 mil quilos de carga. O barco foi reformado há pouco tempo e essa seria a primeira viagem.

A embarcação era considerada nova, e tinha acabado de passar por manutenção de rotina, segundo fontes

De acordo com pescadores da região, os tripulantes, que em sua maioria moram em São Gonçalo e Niterói, pararam na tarde dessa quarta-feira em Jurujuba e em Itaipu para capturar iscas e retornarem para o mar aberto. Ao anoitecer, eles partiram da Região Oceânica de Niterói para completar a pescaria. “Eles já tinham mais de 50 toneladas de pescado no barco. Pegaram as iscas e voltaram para completar a carga. Com o peso do barco, deve ter sido impossível conter o naufrágio”, contou um pescador de Jurujuba.

Já em mar aberto, na altura de Angra dos Reis, a embarcação, que estava no piloto automático, começou a girar e tombou de lado, dando poucos minutos para que os pescadores pulassem do barco e disparassem um sinalizador.

“O barco de repente deu um tranco e parou. Não deu tempo de nada. Tinha colete para todo mundo, mas como íamos pegar com o barco afundando? Cada um teve que pensar rápido e agarrar o que podia. Eu me abracei num caixote e chamei um companheiro para ficar ao meu lado. Ficamos ali sem saber o que fazer por um bom tempo. Na hora, ninguém tinha certeza se voltaria para casa”, contou Alexandre Inácio, de 32 anos, que trabalha como pescador há 11 anos, ao chegar em Niterói e ser abraçado pela sua família, que aguardou sem notícias concretas durante toda a tarde. Assim como a família de Alexandre, outras dezenas de famílias passaram à tarde no cais, na Ilha da Conceição, aguardando informações sobre os pescadores.

Família entra em desespero ao perceber que parente não estava entre os sobreviventes resgatados
Foto: Luiz Nicolella / OSG

Resgate – “Foi Deus quem nos colocou ali para que pudéssemos ajudar nossos irmãos. Porque no mar é um salvando o outro. Nós fizemos nossa missão”, disse Luciano de Souza, de 38 anos, contra-mestre da embarcação “Costa Amêndola”, que resgatou os 18 sobreviventes do náufrago. Desaparecidos – Permanecem desaparecidos João Manoel Mendonça de Abreu, o Touro, José Alves da Silva, o Pará, João Manoel Martins Moreira, o Pinóquio, Márcio Braga e João Perestrero, o João Pedrada.

As causas e as responsabilidades pelo ocorrido serão investigadas em inquérito instaurado pela Marinha, que informou que o navio-patrulha permaneceu fazendo buscas durante a noite, enquanto as aeronaves interromperam e vão retomar a procura na manhã desta sexta-feira, 10. O dono da embarcação foi contatado para colaborar no apoio aos tripulantes resgatados e a seus familiares.

“Assim como os familiares, eu também não tenho muita informação ainda. É um cruzeiro novo e estava em perfeito estado. Só sabemos que 18 funcionários foram resgatados e estamos aguardando a chegada deles, para poder confirmar quais são os desaparecidos. Coloco-me à disposição dos familiares e posso apresentar documentos que provam que o barco estava vistoriado e com tudo correto para fazer a pesca”, explicou Ricardo Moreira de Souza, de 33 anos, proprietário do barco e empregador dos 23 tripulantes.

Fonte: Estadão & O São Gonçalo

Por Redação 

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