Petrobras vai licitar três FPSOs em 2018 – E Rio Grande, como fica?

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Nesta última semana fomos informados por toda a Imprensa que a Petrobras deve lançar licitações para mais dois novos FPSOs para 2018, além daquele que vai explorar petróleo no pré-sal do campo de Búzios, e que já está com processo de licitação em andamento.

São três FPSOs no valor aproximado de US$ 1 bilhão cada, valor um pouco acima do que temos visto em relação a custo de uma FPSO construída por conversão de petroleiro, que gira em torno dos US$ 700 milhões, e que estarão incluídas no Plano de Negócios da Petrobras para o próximo quadriênio (2018/2022).

Além de Búzios, as outras FPSOs devem ser licitadas para Parque das Baleias, na Bacia do Espírito Santo, e para Marlim, num pojeto de revitalização do campo, que fica na Bacia de Campos.

O mercado deve aquecer, estaleiros de norte a sul podem construir essas unidades. Que bom. Garantia de encomendas, mercado movimentado, mas outra coisa chama a atenção.

Recentemente, conforme noticiamos no Portal Marítimo, a Petrobras tomou a decisão de cortar e vender como sucata os módulos dos cascos das FPSO P-71 e P-72 que foram construídos no Polo Naval de Rio Grande, no Estaleiro Rio Grande, do Grupo Ecovix, que encontra-se em recuperação judicial.

Em declaração dada em Abril, o Presidente da estatal, Pedro Parente, argumentou justificando a decisão com as seguintes palavras: “Como posso explicar para os meus acionistas, sendo que a maior parte dos nossos acionistas é a sociedade brasileira, que eu vou investir em um equipamento que custa bilhões de dólares e que eu não preciso dele? É difícil”.

Fica aquela coisa ruim no ar, aquela sensação de impotência, como cidadão brasileiro, diante da utilização de recursos públicos em boa parte do projeto.

Se há a necessidade, por que prosseguir com o corte?

Por que não utilizar o que já está pronto?

Ah, mas são projetos diferentes… será?

Se são diferentes e o que já temos não pode ser aproveitado neste novo projeto, isto tem que ficar claro. Muito claro.

Pelos preços informados, parece tratar-se de conversões de supertankers, mas será que realmente não podemos dar continuidade à construção de pelo menos um casco aqui no Brasil?

A integração dos topsides estava destinada à Jurong.

O fato é que independentememte da decisão, a Sociedade Rio-grandense e a Sociedade Brasileira como um todo precisam de uma satisfação e essa justificativa dada por Parente é simplória demais. Simplória a ponto de ser questionável.

Até esta notícia aparecer esta semana, este que vos escreve estava literalmente quebrando a cabeça para entender a dinâmica das FPSOs necessárias para os próximos anos no Brasil, e isso porque os dados mais confiáveis que temos já nos indicavam a necessidade das mesmas. Talvez não fizesse sentido construir uma FPSO desde a quilha, construindo um casco novo, mas sim fazer a clássica jumborização de grandes petroleiros. Ou talvez fizesse, obtendo as vantagens técnicas de um casco totalmente novo.

Mesmo assim, já que, na nossa opinião, foi um equívoco construir o casco de uma FPSO em Rio Grande, tendo sido esta uma decisão quase que puramente política, uma vez que técnica e comercialmente tal atitude não se justificava. Tanto não se justificava que boa parte do trabalho foi transferido para estaleiros chineses.

Já que recursos públicos foram aplicados no projeto, algo social deveria ter sido gerado.

Deixamos a provocação aos decisores da Petrobras: Afinal, precisamos ou não precisamos de três FPSOs?

Deve haver alguma justificativa para isso, e de repente nossas limitações quanto ao conhecimento do assunto estejam impedindo-nos de enxergarmos, e realmente seria interessante comparar as FPSOs que serão licitadas com as FPSOs que estavam sendo construídas.

A Galp, que era uma das parceiras da Petrobras no projeto, juntamente com a Shell, declarou em fevereiro, quando a bomba estourou aqui no Brasil, que estava considerando construir o casco fora do Brasil e inclusive afirmou que o casco estava “pouco construído”, enquanto o Sinaval afirma categoricamente que o projeto estava 50% construído.

Vamos lembrar que Thore Kristiansen, Diretor Executivo de Exploração e Produção da GALP afirmou publicamente que havia estaleiros brasileiros capazes de trabalhar muito bem, e construir pelo menos o casco da P-71 no Brasil estava sim nos planos do consórcio.

Quem está em casa literalmente “com o pires na mão” merece uma explicação, e não somente os acionistas da empresa, que são também importantes, que fique claro, mas não mais importantes que a massa que hoje sofre com essas decisões equivocadas.

Está na hora de pararmos com as “gambiarras” com os “jerry rigs” por aqui.

Está na hora de termos planos de Estado, planos de médio e longo prazo, e não planos de Governo, planos de Manutenção de poder.

No final, é isso que acontece, e a mensagem passada no cenário nacional e internacional é essa aí mesmo… Péssima.

O Brasil não precisa disso… definitivamente não precisa.

Por Rdorigo Cintra

1 COMMENT

  1. É lógico que os cascos dos FPSO´s podem ser aproveitados para qualquer campo de petróleo, pois os cascos apenas suportam os módulos de processo, que podem variar com o tipo de petróleo que será extraído. Talvez o Sr Parente não saiba deste detalhe.

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