Vale conclui venda dos últimos navios da classe Valemax

0
883

A Vale informou nesta quinta-feira que concluiu a venda de dois navios para a empresa Bocomm, da China, pelo valor de 178 milhões de dólares. A empresa Bank of Communications Finance Leasing Co., Ltd. (BOCOMM) pagou o valor no dia 7 de dezembro e agora é a proprietária desses super navios VLOC (Very Large Ore Carrier) com capacidade de 400.000 toneladas para transporte de minério de ferro, especialmente concebidos para operarem entre o Brasil e a China.

O negócio representa o final de um período nebuloso e que evidenciou a total incapacidade do Governo Brasileiro em realizar negociações estratégicas a ponto de, no final, a China, através de decretos governamentais desde 2012, ter proibido este tipo de navio de atracar em seus portos.

Devido à incapacidade das autoridades brasileiras em negociar e a péssima gestão que assolou o país por mais de uma década, o projeto acabou sucumbindo após pressões que culminaram num grande boicote imposto pelo Governo da China, que proibiu a atracação dos navios em portos chineses, forçando a VALE a iniciar a venda desses ativos para armadores chineses e coreanos em maio de 2015. E com um detalhe: nenhum desses navios foi operado por marítimos brasileiros.

A China, na época, alegava falta de estrutura para receber navios desse tamanho, mas cá entre nós… alguém acredita que uma empresa do tamanho da Vale mandaria construir navios deste tamanho, ironicamente na própria China, sem verificar a existência de terminais capazes de recebê-los?

A empresa até pensou em tentar plano B para contornar a resistência chinesa e buscar a construção de unidades flutuantes, centros de distribuição em países vizinhos para receber os Valemax, transferindo a carga para navios menores com autorização para atracar nos portos chineses, mas a estratégia não deu certo.

O montante foi pago em 7 de dezembro e a transação conclui a venda de todos os 19 navios VLOCs pertencentes à Vale, como parte da estratégia de fortalecer o balanço e focar em ativos principais.

Assim, podemos declarar o fim de uma frota que um dia gerou esperanças em muitos marítimos brasileiros na recuperação da pujança de nossa navegação de Longo Curso, mas que nunca arvorou nossa bandeira.

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta