O papel do Irã no preço global do petróleo

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Estivemos ocupados esta semana agora estudando o Oriente Médio, lendo um pouco mais a respeito da região, até mesmo para podermos entendê-la melhor, já que estamos agora com projetos em andamento para Dubai, e eis que nos deparamos com um dado interessante sobre o cenário geopolítico do petróleo mundial, que é o papel do Irã.

O país desempenha hoje um papel fundamental na demanda global, e encontra-se em uma fase de tensões crescentes com os Estados Unidos, que impuseram sanções sob a justificativa dos projetos do Irã que envolvem energia nuclear, num nível mais global, e tensões locais com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, cada vez mais alinhados com os Estados Unidos.

No pano de fundo de toda esta discussão, o embargo americano imposto o país, sob a justificativa de que seu programa nuclear gera dúvidas globais sob a intenção do mesmo. Com o embargo, um aumento crescente dessas tensões não somente entre Irã e Estados Unidos, mas também entre Irã e os aliados locais dos EUA.

As sanções impostas ao Irã pelos EUA não se limitariam à redução de investimentos no país, mas também em ações com efeitos diretos sobre a oferta e exportação de petróleo do país.

Em um hipotético cenário de aumento dessas tensões, que basicamente podem ocorrer com restrições maiores impostas pelos EUA ou um confronto militar direto entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos contra o Irã, os preços do barril de petróleo poderiam ser elevados facilmente a patamares superiores aos US$ 100, já que limitaria a oferta de petróleo.

Vale lembrar que o país possui vastos recursos de petróleo e hidrocarbonetos em geral, sendo o 4º produtor de petróleo do mundo e o 2º país do mundo com mais recursos de gás natural.

Recentemente o país fez bons negócios fornecendo petróleo para a Polônia e vem se aproximando de firmar um acordo com a Hungria.

Além disso, a National Iranian Tanker Company (NITC) relembrou ao mercado que está em contato com empresas da Noruega há cerca de 20 anos e planeja modernizar sua frota de cerca de 70 petroleiros, cerca de 15 milhões de toneladas em deadweight, uma das maiores do mundo, através de um programa de cinco anos. A estatal está, inclusive, engajada em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias para a redução de emissões atmosféricas e na redução da idade média de sua frota, que hoje está em 10 anos.

A Gazprom, da Rússia, assinou recentemente um Memorando de Entendimentos, manifestando interesse em investir no país em breve.

É visível também a nova postura de grandes produtores como a Arábia Saudita, por exemplo, focando cada vez mais na indústria petroquímica e na distribuição de derivados do petróleo, o que naturalmente vai diminuir o nível de exportações de petróleo cru.

O acordo envolvendo a Rússia e os países OPEP, recentemente estendido até o final de 2018, tem desempenhado um papel fundamental na valorização do barril de petróleo, porém, vai chegar a um limite mais cedo ou mais tarde, até mesmo porque ninguém quer o barril tão alto que possa vir a beneficiar os países não membros da OPEP ou até mesmo o óleo de xisto dos EUA. A partir deste ponto de equilíbrio, sobre o qual diversos especialistas possuem visões completamente diferentes, mas que, conforme previsto pela GPM Consulting no início do ano está fechando o ano em torno de US$ 65, somente um problema de ordem geopolítica pode aumentar esse valor do barril.

Nesse caldeirão de tensões, podemos citar Iraque, Venezuela, Nigéria, Líbia. Um problema aqui, outro ali, todos de ordem política e econômica, com fortes aspectos sociais em suas consequências.

E o Irã está ali, cheio de petróleo, investindo em tecnologia nuclear, como se fosse um cavalo de corrida dentro de uma baia, apenas esperando a largada entre os grandes. Para se ter uma ideia, o país exportou em 2016 um volume equivalente a US$ 41.123.000.000.00 em petróleo (mais de quarenta e um bilhões de dólares), e segue no esforço combinado dos países da OPEP para manter os cortes de produção.

O interesse dos Estados Unidos em preços baixos de petróleo, em face de sua economia totalmente viciada na commodity, acaba sendo conflitante com seu igual interesse em manter as sanções contra o Irã.

São essas coisas envolvendo petróleo, indústria marítima, política e economia que colocam grandes países em verdadeiras “sinucas de bico” e somente a habilidade diplomática e estratégica dos mesmos é que pode realmente apontar uma solução.

O mundo definitivamente não precisa de um conflito armado no Oriente Médio sendo alimentado por petróleo.

Por Rodrigo Cintra

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