China teme grande derramamento de óleo após naufrágio de petroleiro iraniano

0
247

As autoridades da China anunciaram nesta quarta-feira que localizaram os destroços do petroleiro iraniano que afundou no último domingo e que estão preparando o envio de robôs submarinos para examiná-lo e ver como podem proceder com os possíveis resíduos de petróleo no navio naufragado.

O Ministério dos Transportes da China assinalou em um comunicado que os destroços do barco foram localizados a 115 metros de profundidade e que o próximo passo será mandar veículos robotizados para determinar se resta algum resíduo de combustível e de outros derivados do petróleo.

Uma das principais questões a resolver é se os tanques de combustível romperam com a explosão que afundou o barco, ou se, pelo contrário, continuam armazenando combustível que poderia continuar vazando no oceano durante os próximos dias.

Entenda como começou essa história clicando aqui

O Sanchi, um petroleiro iraniano com bandeira do Panamá, explodiu e afundou no domingo à tarde, oito dias após se chocar contra o navio-mercante CF Crystal, de Hong Kong, cerca de 160 milhas náuticas (300 quilômetros) a leste do estuário do rio Yangtzé, nos arredores da cidade de Xangai.

Após o afundamento, surgiram no oceano numerosas manchas de petróleo, mas o governo chinês ainda não especificou se as mesmas têm origem na carga do navio, petróleo condensado e leve, que é mais simples de limpar, ou se é combustível, uma substância mais complicada de eliminar.

Segundo as últimas informações da Administração Estatal de Oceanos da China, há duas manchas maiores e várias outras menores. No total, há concentrações de petróleo em uma área de aproximadamente 69 km², enquanto que em outros 40 km² há presença esporádica de hidrocarbonetos.

O navio transportava 136 mil toneladas de petróleo condensado e boa parte desta carga queimou no incêndio que consumiu o navio durante uma semana, mas uma parte dela pode ter vazado no oceano.

No total, 14 embarcações de distintas instituições chinesas estão na região do naufrágio para trabalhos de controle e limpeza. Além disso, uma rede com 31 estações de análise da água foi instalada, e algumas delas detectaram a presença de hidrocarbonetos. Japão e Coreia do Sul também estão ajudando com meios marítimos.

Além disso, os técnicos ainda estão analisando a caixa preta do petroleiro que foi recuperada do navio pouco antes de seu afundamento, com o objetivo de determinar as causas do acidente.

Após a explosão, as autoridades chinesas suspenderam as tarefas de busca dos 29 tripulantes que seguem desaparecidos, e só conseguiram recuperar os corpos de três das 32 pessoas que estavam a bordo do petroleiro, 30 iranianos e dois bengaleses.

O Mar da China Oriental, onde aconteceu o acidente, é um dos ecossistemas marinhos mais ricos e produtivos do planeta e, segundo as organizações de defesa do meio ambiente, as suas águas são pouco profundas, por isto é extremadamente vulnerável ao vazamento de óleo.

Apesar de o governo chinês ainda não ter feito nenhum balanço sobre a tragédia ambiental, o canal de televisão oficial “CCTV” veiculou hoje uma entrevista com um especialista que garante que o derramamento terá um impacto negativo tanto no ecossistema marinho como na pesca local.

O subdiretor do Instituto de Pesquisa de Pesca Marinha da Província de Zhejiang, Zhou Yongdong, disse que o condensado derramado poderia causar estragos nas áreas de desova dos peixes locais.

“Primeiro é o impacto no hábitat de várias espécies marinhas, como peixes, lulas e moluscos, pois suas áreas de desova serão afetadas. E este é apenas o impacto sobre o ecossistema. O segundo impacto é na pesca, porque o local é uma importante área pesqueira para a China”, disse Zhou.

Fonte: EFE

Por Redação 

Deixe uma resposta