Mercado de petroleiros vislumbra consolidação próxima – E o Brasil? Saberá aproveitar?

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A conceituadíssima consultoria Vessels Value informou recentememte em um relatório que a consolidação do mercado para navios petroleiros deve acontecer nos próximos anos, deixando os grandes players do setor extremamente otimistas, a despeito do atual cenário, com baixíssima taxa de utilização dos navios, o que é preocupante.

As previsões são baseadas na quantidade de navios já com idade avançada que devem seguir para corte, e até mesmo alguns que não são tão antigos, mas que também devem ser cortados pela baixíssima taxa de utilização (na verdade quase nula). Esses navios já vem sendo substituídos por novos navios, com mais tecnologia agregada em todos os sentidos, proporcionando uma eficiência operacional e energética bem mais interessante, reduzindo diversos custos operacionais e consumo de combustível. Matemática operacional: investiu no CAPEX, economizou no OPEX.

A outra boa notícia que suporta essa tese é a recuperação do preço do barril de petróleo e o frete igualmente subindo gradativamente para os navios petroleiros. Os armadores devem agradecer à OPEP e à Rússia, que vem mantendo um acordo de cortes na produção de petróleo, a fim de elevar o preço do barril, e vem tendo muito sucesso, mesmo com os rompantes de óleo de xisto despejados no mercado pelos Estados Unidos.

Segundo os números apresentados, apenas nesses primeiros meses deste ano, 59 petroleiros foram cortados, contra apenas 6 no mesmo período em 2017 e 7 em 2016, um número bem considerável para apenas dois meses, o que significou uma redução de 3,5 milhões de TPB disponíveis no mercado.

Fonte: Vessels Value

As razões para a baixa no corte de navios nos últimos anos vão desde o colapso ocorrido no mercado em 2014, passando pela demanda por armazenagem, que aumentou, fazendo com que navios que já seguiriam para corte pegassem contratos de até 12 meses para apenas armazenarem petróleo, como típicos navios cisterna, e por uma taxa diária bem menor que as dos navios mais novos. Isso destruiu contratos de transporte por todo o mundo e acabou fortalecendo o mercado spot, que é uma terra para poucos. Sem esquecer que no período anterior a 2014, cortaram muitos navios e encomendaram poucos. Assim, digamos que o número disponível era adequado para um mercado cercado de incertezas geradas pela crise do petróleo.

As restrições relativas às emissões atmosféricas na China, enquanto o país cresce aceleradamente e luta contra os altos níveis de poluição do ar, colocaram o preço do aço lá em cima, impactando globalmente o mercado e influenciando diretamente os preços de aço reciclado, o que igualmente diminuiu a sede por cortar navios, fato que durou até meados de 2016, quando o preço do aço voltou a subir.

Com a Convenção de Hong Kong de 2009, que adotou para a Marinha Mercante as resoluções da Convenção da Basileia, o corte de navios foi regulamentado pela IMO e estaleiros por todo o mundo buscaram adequação para a certificação. Cortar navios deixou de ser, pelo menos “no papel”, aquela conhecida cena de varar navios em Alang ou uma praia qualquer da Índia, Paquistão ou Bangladesh, para depois diversos homens de chinelo de dedo virem com maçaricos e ferramentas diversas cortando, desmontando, etc.

É um mercado complexo e extremamente dependente do preço do barril do petróleo. Na verdade, podemos afirmar que é um mercado dependente de duas grandes commodities bastante produzidas, inclusive, em nosso país: petróleo e aço.

A recuperação bate à porta e a pergunta que fica é: o Brasil está se preparando para isso? Vai saber aproveitar essa “onda”?

Por Rodrigo Cintra

1 COMMENT

  1. Com certeza o Brasil não está preparado pra demanda de corte de navios…agora, sobre construção de novos navios, só vai depender do governo, pq mão de obra tem

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