Diretora-Geral da joint venture TK Ocyan conquista espaço em ambiente masculino

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Alagoana de nascença e meio baiana por criação, a executiva Clarice Romariz já viveu em mais dois outros continentes – Europa e Ásia – até se tornar diretora-geral da joint venture TK Ocyan, onde lidera mais de 300 pessoas, que trabalham nos FPSOs Cidade de Itajaí e Pioneiro de Libra.  Apesar do alto cargo na indústria do petróleo e gás, Clarice se orgulha de ter conseguido equilíbrio entre a vitoriosa carreira profissional e a vida pessoal e familiar.

Formada em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2000, carreira inspirada na profissão do pai, ela ingressou ainda como estagiária na Construtora Norberto Odebrecht para o projeto de implantação do Complexo Ford, em Camaçari (BA). Dois anos depois foi trabalhar em Macaé, no interior do estado do Rio de Janeiro, na construção da Termelétrica Norte-Fluminense e na Base Macaé da Odebrecht. Lá, Clarice migrou para a área de engenharia mecânica, no setor de tubulações.

Continuando o passo a passo na ascensão profissional, em 2003 migrou para o segmento de óleo e gás, onde assumiu atividades de manutenção de plataformas na Ocyan (antiga Odebrecht Óleo e Gás). Neste ambiente predominantemente masculino, seu objetivo de longo prazo na empresa era ainda mais desafiador: viver uma experiência internacional, o que acabou ocorrendo cinco anos depois, quando finalmente partiu para a Europa. 

O destino foi a Escócia, onde em 2007 começou a atuar numa plataforma no Mar do Norte. Lá conheceu seu futuro marido, um escocês, e logo em seguida recebeu um convite para um novo projeto, dessa vez na Coréia do Sul, onde estavam sendo construídas as sondas Norbe VIII e IX, da Ocyan. Neste caso, foi o marido quem decidiu pedir demissão do trabalho para seguir com Clarice. Quando a filha, hoje com sete anos, nasceu, a engenheira e o marido decidiram voltar para a Escócia para que ela pudesse conciliar melhor a carreira com a maternidade.

Clarice relembra sua história ressaltando que sempre gostou de desafios e por este motivo abraçava os projetos que ‘caíam’ em suas mãos. Segundo ela, o marido a acompanhou em todos os passos e sempre foi muito parceiro. “A minha vida profissional é um projeto familiar e sempre foi marcada desta forma. Meu marido e minha filha me acompanham em tudo. Hoje estamos no Brasil, mas a vida pode mudar novamente e só tem como dar certo se eles estiverem junto”, destaca.

Conquista do projeto FPSO Pioneiro de Libra

Em 2011 de volta ao Brasil, na função de mãe e executiva, dedicou-se a estudar projetos e gerenciar propostas da Ocyan para o mercado de petróleo e gás. Após a conquista da concorrência para a construção do FPSO Pioneiro de Libra, foi convidada a comandar o projeto deste primeiro navio-plataforma a produzir óleo no Bloco de Libra. A família colocou novamente o pé na estrada e juntos se mudaram para Singapura em 2014. Clarice agora estava contratada pela joint venture TK-Ocyan, onde liderava mais de 3.5 mil trabalhadores que atuavam na conversão do navio. Em 2017, retornou ao país junto com o FPSO, que foi ancorado próximo a Santos (SP) e iniciou a produção do primeiro óleo em novembro do ano passado.

Clarice lembra que o preconceito sempre existiu nos ambientes masculinos em que trabalhou, mas com foco e o apoio da empresa, acabou conquistando respeito profissional. No exterior, viveu experiências distintas na Escócia, Coréia e em Singapura. “Na Europa, existe uma flexibilidade enorme para a mulher. As licenças-maternidade são longas e é possível trabalhar meio período, por exemplo. Na Coreia do Sul observei que a inserção da mulher no mercado de trabalho onde atuei é menor e, normalmente, estão em funções extremamente simples. Às vezes, aconteciam coisas curiosas. Uma delas é que abriam a porta de minha sala apenas para me observar, pois muitos ali nunca tinham visto uma mulher em cargo de gerência. Em Singapura vi a mulher muito mais inserida no mercado, mas com o ritmo asiático de trabalho e praticamente sem vida pessoal”, relembra.

Especialista em gerenciamento de projetos na área de óleo e gás, Clarice hoje é reconhecida pela liderança ativa e a capacidade de execução, que foram fortalecidos pela experiência de seis anos e meio de trabalho no exterior. Segundo ela, o fato de ter conseguido vencer o desafio de conciliar o casamento, maternidade e a profissão ajudou a fortalecer enormemente sua carreira.

Por Redação

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