China e Rússia se movimentam para negociar petróleo com suas moedas

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A Bolsa de Valores de Xangai iniciou negociações futuras de petróleo bruto em yuanes. Trata-se de um golpe significativo contra as posições dominantes do dólar no mercado energético. Como ouro negro pode ajudar moeda chinesa a se tornar internacional e como rublo russo contribui para que isso aconteça o mais breve possível?

Nova orientação

De acordo com a agência de informacão Xinhua, os investidores estrangeiros demonstram um alto interesse em petroyuanes, que no futuro poderiam até mesmo servir de orientação para agentes de mercado, e ocupar seu lugar junto a Brent e WTI.

Trata-se da segunda tentativa de Pequim de lançar o comércio bolsista de petróleo em yuanes. A primeira, empreendida em 1993, acabou falhando devido a uma situação instável nos mercados de matéria-prima e à fraqueza do yuan.

Desde então, muita coisa mudou. Em 2016, o Fundo Monetário Internacional (FMI) incluiu o yuan em sua cesta de moedas, já que a diretora da organização, Christine Lagarde, assinalou que a moeda nacional chinesa estava passando por um período importante de sua integração ao sistema financeiro global.

No momento, o yuan é a terceira moeda principal na cesta do FMI. Entretanto, sua utilização no financiamento do comércio é limitada, já que o dólar e o euro são responsáveis por aproximadamente 90% de todas as operações financeiras no mundo. Em 2017, somente 1,16% delas foram feitas em yuanes. As negociações em contratos futuros podem melhorar essa situação.

Matéria-prima protegida

A demanda da China quanto à matéria-prima energética define a importância do objetivo estabelecido. Em 2016, a China importou 381 milhões de toneladas de petróleo, já que em 2017, este número correspondeu a 420 milhões, superando os EUA, e ainda continua crescendo.

No momento, no comércio de hidrocarbonetos, da mesma forma que em outros mercados de matéria-prima, o dólar é usado como moeda de contrato. O yuan pretende substituir o “norte-americano” de um dos mercados de petróleo rapidamente crescente.

O especialista em ciências econômicas, Evgeny Itshakov acredita que a abertura dos contratos futuros de petróleo comerciais em yuanes seja um motivo para que os agiotas designem o dólar para posições curtas, e quanto ao yuan, para posições longas.

“O esquema é esse. Surgem novos títulos reconhecidos pela comunidade mundial, expressos em moeda nacional. Sua taxa de câmbio cresce devido ao aumento da demanda. O crescimento também é estimulado por agentes da bolsa”, explicou.

Contudo, em geral, o processo de mudança das prioridades pode demorar bastante. Normalmente, requer de 10 a 15 anos, assinalou outro analista, assistente financeiro, Sergei Hestanov, ao recordar que a troca de moeda de reserva internacional, de libra por dólar, demorou quase a metade do século, de 1914 a 1950.

No início das negociações da Bolsa de Valores de Xangai, os investidores até que podem não ter muito interesse em petroyuanes já que hoje em dia, o petróleo bruto de referência são cotados em dólares nas duas maiores bolsas de valores, especializadas em comércio de recursos energéticos — na NYMEX (Nova York) e na ICE (Londres).

O preço por barril de petróleo na Bolsa de Valores de Xangai será expresso em yuanes levando em consideração o preço cotado em dólares na NYMES e na ICE.

“Agentes globais dificilmente vão querer abandonar as plataformas habituais para transferir grandes volumes em Xangai. Ao menos, por conta das perdas causadas pela conversão de dólares em yuanes”, comentou o analista da Finam, Sergei Drozdov.

Livrar-se do mediador

Não somente a China que tenciona redirecionar o comércio de petróleo em moeda nacional. Assim, desde novembro de 2016, a Bolsa Mercantil Internacional de São Petersburgo (SPIMEX), vem realizando operações para fornecimento do petróleo russo Urals por rublos.
Uma fonte anônima comunicou à Sputnik que no momento, especialistas da bolsa de São Petersburgo estão realizando consultas ativas com chineses. Há pouco que especialistas russos foram a Xangai para manter negociações.

A programação é coordenar as ações para que ambos os contratos futuros suportem uns aos outros.

Além disso, no que se trata do comércio bilateral entre Moscou e Pequim, os dois países vêm ativamente diminuindo a dependência do dólar. Em outubro de 2017, a China lançou o sistema de pagamento PVP para transações em yuanes e rublos, o que por sua vez significa que, ao pagar por fornecimento do petróleo russo, atingindo 60 milhões de toneladas por ano, a China pode evitar o uso do “mediador” norte-americano.

Fonte: Sputnik

Por Redação 

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