Empresa do Grupo Maersk se envolve em transporte de componentes para mísseis de longo alcance da Coréia do Norte

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A ShippingWatch informou que a empresa chinesa NTS (New Times International Transport Service), sob responsabilidade da Damco, empresa de Logística do Grupo Maersk, realizou o transporte de diversos componentes para mísseis balísticos de longo alcance, como parte de um acordo ilegal de armamentos envolvendo a Coréia do Norte e o Egito em 2013.

A informação vem de diversos relatórios compilados em 2016 e 2017 por um painel de especialistas do Conselho de Segurança da ONU e veio à tona recentemente na imprensa mundial.

Segundo os especialistas que avaliaram o caso, o acordo caracteriza uma alta violação das sanções impostas à Coréia do Norte, sendo inaceitável mesmo para subsidiárias de grandes empresas internacionais, a alegação de que eles não sabem o que estão transportando, especialmente quando essas operações envolvem produtos ilegais de países que estejam sob embargo da ONU.

Ficou ainda caracterizada a utilização do termo “machine parts / relays” no BL (Bill of Lading), um artifício bem antigo no mundo dos contrabandistas de armas. Utilizando este termo, a carga poderia ser qualquer coisa, de uma torradeira a mísseis balísticos de longo alcance, segundo Enrico Carisch, que serviu por anos na ONU como Monitor de Sanções e hoje presta consultoria para países e empresas interessadas na implementação de práticas para sanções mais efetivas.

Foram 11 volumes de mercadorias de Pequim para a Cidade do Cairo, transportadas por via aérea, onde o vendedor era o Governo da Coréia do Norte, com endereço da Embaixada do país na China, e o comprador eram as Forças Armadas do Egito. A operação foi interrompida em um país desconhecido, que desconfiou da descrição da carga, que era “peças para máquinas e relés”, sem maiores detalhes, e resolveu interceptar a carga e informar à ONU.

Segundo Enrico Carisch, além do sinal dado pela descrição da mercadoria, que é muito utilizada para burlar as autoridades, fatos deste tipo dificultam demais a vida dos transportadores de cargas, que agora enfrentam mais este desafio num mercado onde eles devem cinfiar em seus clientes. O especialista também destaca que é impraticável inspecionar cada embalagem em cada container, independentemente de o transporte ser feito via aérea ou marítima, o que cria uma margem perigosa onde o transportador acaba ajudando, ainda que não intencionalmente, no movimento de mercadorias ilegais e no abastecimento de países que estão sob sanções internacionais. Tal fato cria a necessidade de se criar dispositivos mais efetivos para reduzir estes riscos a um nível que seja o menor possível.

Não se trata de punir a emoresa ou coisa do tipo, mas sim de aprender lições com o ocorrido, tomando medidas para que isso não mais ocorra. Nenhuma empresa deveria aceitar este tipo de risco, violando claramente uma sanção imposta pela ONU. Outros tipos de mercadorias ilegais podem ser transportadas também.

Aconteceu por via aérea, uma forma de transporte que movimenta bem menos volume que a marítima, sendo assim bem mais fácil de se interceptar ilegalidades. Nada impede que isso possa ocorrer ou até mesmo que já tenha ocorrido por via marítima.

No caso em questão ficou clara a atuação da Coréia do Norte se aproveitando deste ponto fraco do sistema de transporte. Em casos assim, quando o remetente ou destinatário são uma embaixada da Coréia do Norte, as transportadoras devem ficar em alerta máximo.

A ONU informou que a ação da Damco, subsidiária do Grupo Maersk, foi diligente neste caso.

A Damco informou em comunicado é uma empresa comprometida na condução dos negócios de forma legal e responsável, sendo esta uma postura sempre presente no relacionamento da empresa com seus clientes, fornecedores e parceiros de negócios. Segundo o comunicado a empresa possui diretivas e processos implementados que asseguram o cumprimento de todas as determinações relacionadas às sanções e mecanismos de controle de transações internacionais. A empresa finalizou o comunicado informando que vai cooperar com todas as autoridades em seus esforços no combate ao crime.

*com informações da ShippingWatch

Por Rodrigo Cintra

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