Petróleo tem projeções melhoradas apesar dos movimentos no Oriente Médio

0

Pelo sexto mês consecutivo as projeções para os preços do barril de petróleo foram elevadas pelos bancos. Uma indicação clara do que se espera para o cenário geopolítico mundial atual, onde, além da redução atual da oferta global, diversos fatores pressionam esta alta, em um verdadeiro jogo de xadrez.

Segundo as principais instituições bancárias do mundo, o peróleo Brent, que é o negociado na Bolsa de Valores de Londres e serve como referência mundial, deve chegar esse ano à média de US$ 63, valor aproximadamente US$ 1 acima da última previsão.

É importante lembrar que na semana passada o barril passou dos US$ 70, empurrado pelas crescentes tensões entre os Estados Unidos e Irã por causa do programa nuclear da República Islâmica. Este fato provoca uma certa instabilidade no Oriente Médio onde a troca de farpas entre os aliados dos EUA e o Irã vem aumentando em igual proporção.

Adicionalmente, os esforços feitos pela OPEP e mais um grupo de dez países liderados pela Rússia com um corte na produção de petróleo também tem desempenhado um papel fundamental, senão protagonista, neste cenário. O acordo expira no fim de 2018, mas Arábia Saudita e Rússia já sinalizaram que poderiam negociar uma extensão até 2019.

Iraque e Bahrein podem disponibilizar mais petróleo no Mercado

Mesmo fazendo parte da OPEP e participando do corte de produção, o Iraque, que atualmente produz cerca de 4,4 milhões de barris de petróleo por dia, aprovou neste domingo uma estratégia para aumentar a capacidade de produção do país, que atualmente é de 5 milhões de barris de petróleo por dia. A meta é chegar a uma capacidade de 6,5 milhões até 2022.

Seria muito ingênuo acreditar que um país como o Iraque, que tem no setor petrolífero mais de 90% de seus rendimentos, faria qualquer movimento de aumento de capacidade para posteriormente manter qualquer tipo de controle que o impedisse de desfrutar disso.

Já no Bahrein, o Governo anunciou a maior descoberta de petróleo e gás feita desde 1932, mas ainda sem divulgar números oficiais. Em comunicado oficial, a BNA, Agência de Notícias oficial do Governo, declarou que essa nova descoberta contribuirá para elevar a competitividade do Bahrein e dar sequência aos projetos e iniciativas de desenvolvimento, além de ajudar o Estado a cumprir com seus compromissos perante países irmãos e o mercado financeiro.

A produção e o fefino de petróleo responde a aproximadamente por 60% das exportações, 60% dos rendimentos do governo local e 30% do PIB. Com os dividendos gerados pelo petróleo, diversos projetos industriais em outros segmentos estão em andamento, nas áreas de cimento, alumínio e construção naval. O país que já foi muito conhecido por atividades piratas dos nativos hoje é conhecido pelo grande tráfego de frota mercante moderna. O desenvolvimento das atividades bancárias e de serviços transformou Bahrein num dos principais centros financeiros e comerciais do Oriente Médio. Além disso, sua histórica parceria estratégica com os EUA pode significar um grande potencial para que grandes empresas americanas, com expertise no assunto, contribuam sobremaneira para o desenvolvimento dessas atividades em escala bem maior.

Mais um país sinalizando que precisa dos recursos oriundos da exploração petrolífera, tendo, inclusive, compromissos a honrar com estes recursos. E com um detalhe: o Bahreain não faz parte da OPEP. Isso significaria mais petróleo disponível em um mercado que hoje prega a necessidade de racionamento da produção?

Petróleo segue subindo

Em meio a toda essa movimentação na região que pode mexer e mudar as posições de muitas peças neste tabuleiro de xadrez, continuamos acreditando que o petróleo consiga se estabilizar em torno dos US$ 70 ainda este ano. O Mercado, que já mostra clara recuperação em todo o mundo, acompanha esta tendência, e deve ser arrastado para cima, atingindo seu pico, em situação bem semelhante à de 2011, entre 2020 e 2022.

Que o mundo saiba aproveitar este que tem tudo para ser um dos últimos, senão o último boom de petróleo dos tempos contemporâneos e que deve ter seus efeitos até o período entre 2028 e 2030, quando as energias renováveis estarão já desempenhando um papel muito importante na matriz energética mundial.

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta