Conforme informado pelo Portal Marítimo em 2017, Wilhelmsen entra no projeto do conteinero desguarnecido Yara Birkeland

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Nesta terça-feira, dia 2 de abril, o Grupo Wilhelmsen anunciou o lançamento de uma joint venture com a Kongsberg, que terá o nome de Massterly. O movimento já era esperado, conforme noticiado pelo Portal Marítimo em julho de 2017, e apenas confirma o que já era dito nos bastidores. Não há novidade alguma nisso, apenas uma confirmação de algo já esperado.

Thomas Wilhelmsen, CEO do Grupo Wilhelmsen, declarou que projetos como este colocam a Noruega em posição de liderança no desenvolvimento de embarcações desguarnecidas. “Com a Massterly nós conseguimos dar o passo seguinte nesta jornada, estabelecendo infraestrutura e serviços para projetar e operar embarcações, assim como soluções logísticas avançadas relacionadas à operações marítimas com navios deguarnecidos, reduzindo oc custos em todos os níveis, completou o executivo.

Yara Birkeland

O parceria, consolidada na forma de um consórcio entre empresas, será responsável pela construção do navio, gerenciamento e operação, utilizando centros de controles que ficam na Noruega localizados em terra. A Wilhelmesen usa o projeto como uma grande promessa para o futuro próximo.

Conforme noticiado em nossas páginas no ano passado, o navio deve carregar fertilizantes e navegar por fiordes na Noruega, e a princípio ele atuará dentro do limite das 12 milhas náuticas na costa da Noruega, entre 3 portos no sul do país: Herøya, Brevik e Larvik. O que mudou foi o prazo de entega, que antes estava para o final de 2018 e agora está para 2019, com a operação totalmente desguarnecida prevista para 2020, após todas as provas de mar necessárias. As distâncias não são tão grandes, sendo de aproximadamente 7 milhas náuticas entre Herøya e Brevik e de 30 milhas náuticas entre Herøya e Larvik.

Utilizando a tecnologia que se conecta ao sistema de posicionamento global, o nosso conhecido GPS, e através de radares, câmeras e sensores, o navio elétrico é projetado para navegar por conta própria, manobrando entre as embarcações convencionais e até mesmo atracando sozinho, sem nenhuma interferência humana.

O custo para se construir um navio desses é de US$ 25 milhões, cerca de três vezes mais que um conteinero convencional de mesmo tamanho. Porém, segundo os que defendem este projeto, como não há custos com bunker, uma vez que o navio é movido a propulsão elétrica, e não há custos com tripulação, o projeto promete uma economia de até 90% de orçamento operacional.

Além disso, o projeto consegue atingir a marca de zero emissões de carbono, enxofre e outras mais. Fora isso, um navio como esse evita até 40 mil viagens de caminhão em áreas urbanas, promovendo também a diminuição do impacto ambiental e na própria infraestrutura local.

“Em um primeiro momento, viagens curtas poderão utilizar esse tipo de navio. Isso vai aumentar a competitividade para mover cargas das estradas para o mar. Os ganhos operacionais são o aumento na eficiência e a redução nos níveis de emissões atmosféricas”, declarou Thomas Wilhelmsen em um comunicado. “Para a Noruega, como uma nação marítima, isto também vai significar uma importante contribuição para alcançar os objetivos determinados pela ONU para o desenvolvimento sustentável”.

Apesar de apresentar grande inovações, o site Maritime Executive informou, por exemplo, que grandes players da indústria ainda permanecem relativamente céticos. Até mesmo a Transas, concorrente direto da Kongsberg, posicionou-se declarando que a trioulação deve ser mantida enquanto as tecnologias inovadoras são embarcadas paulatinamente, sendo esta a melhor forma de seguir adiante.

Já o CEO da Maersk, Søren Skou, é taxativo em sua posição: “Eu não espero que sejamos autorizados a navegar com navios conteineros de cerca de 400 metros, com 200 mil toneladas, sem ninguém a bordo. Não creio que isso possa ser um fator preponderane para o aumento da eficiência operacional”

Entre diversas opiniões e preocupações de muitos relacionadas ao aumento da utilização desses navios no futuro, com a consequente redução da tripulação até sua total extinção, não somente este, mas também outros projetos seguem adiante.

O futuro é logo ali.

Por Rodrigo Cintra

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