Opinião – A atual conjuntura geopolítica do mercado petrolífero mundial e o preço do barril de petróleo

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Foto: L.A. Times

Os preços do petróleo seguiram firmes na terça-feira e fecharam o dia em alta, já fortemente influenciados pelas tensões no Oriente Médio e pelo risco real de interrupção no fornecimento em face das sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã, e pelos recentes bombardeios à Síria, que podem promover uma rápida escalada para um conflito local, alimentados pelos EUA de uma lado e a Rússia do outro.

Todo o cenário geopolítico tem influenciado demais o mercado petrolífero, o que acaba exercendo uma pressão enorme diretamente no preço da commodity e, como se não bastasse a situação no Oriente Médio, a profunda crise na Venezuela derrubou a produção do país, diminuindo ainda mais a disponibilidade de petróleo no mercado e puxando os preços para cima.

Ontem pela manhã o barril de petróleo Brent era cotado US$ 71,45 e subiu o dia todo, fechando em forte alta e neste exato momento, às 10:08, já atinge o preço de US$ 72,72, seguindo a tendência de alta rumo ao US$ 75, que seria um patamar interessante, desde que conseguisse estabilidade, e que permitiria o próximo boom do petróleo, com reflexos diretos sobre a Economia brasileira.

Quando observamos a evolução do preço da commodity nos últimos 10 anos, conseguimos visualizar de forma bastante clara a nova tendência para alavancar aquele que deve ser o último ciclo do petróleo antes do advento das energias renováveis e mudança da matriz energética mundial.

Evolução do preço do barril de petróleo rent – Fonte: Nasdaq

No meio de toda esta confusão geopolítica, a OPEP, juntamente com a Rússia, mantiveram o objetivo de estender o acordo de racionamento na produção para 2019, mostrando que, apesar do otimismo em relação ao mercado, ele está ainda muito longe do equilíbrio.

Pode parecer estranho, mas não é. A peça nova neste grande tabuleiro de xadrez é o crescente e cada vez mais relevante mercado petrolífero: o asiático.

Puxando este mercado temos a Índia, que é considerado, hoje, o país com o crescimento mais significante e estável do setor petrolífero, buscando a commodity diretamente no Oriente Médio e na África. Com o aumento gradativo do volume negociado, já ve os movimentos dos países asiáticos para forçar a OPEP a vender seu petróleo por preços menores e mais justos, nos contratos conhecidos como Asian Premium. Isso vai diminuir consideravelmente a arrecadação dos países da OPEP nas vendas para o mercado asiático, indo contra os interesses do bloco. Como se não bastasse o cenário, os consumidores asiáticos não estariam mais dispostos a pagar um alto preço por um tipo de energia que pode ser substituído rapidamente por outras fontes de energia alternativa, como é o caso da éolica e da fotovoltaica (solar). Mercados como China e Japão podem, segundo eles, mudar rapidamente o perfil de consumo energético através de intervenções estatais.

Antes todos acreditavam que o grande vilão do mercado era o óleo de xisto americano, o que na verdade nunca foi, já que seus impactos sobre as estatísticas são sempre num curtíssimo espaço de tempo. Passados os efeitos, os EUA precisam desprender um enorme esforço para jogar mais xisto do mercado.

O vilão daqueles que ainda enxergam apenas o petróleo como fonte de energia é agora o perfil dos mercados consumidores, o padrão de consumo e a crescente conscientização mundial sobre as energias renováveis. E a prova disso é que as grandes petrolíferas já iniciam um forte movimento nesta direção.

Rússia e China vem tomando ações diretas e incisivas para combater o domínio do petrodólar, emitindo suas próprias cotações em suas moedas e fazendo acordos com diversos países, mediante negociação em suas moedas, o Rublo e o Yuan, respectivamente, lastreando suas economias e olhando para o futuro.

Para sermos bem sinceros, o que vemos agora é uma corrida para que se valorize ao máximo o petróleo para que seu último boom seja aproveitado ao máximo, e enquanto isso os países investem tempo e recursos para a mudança de suas matrizes energéticas. Isso envolve investimento em pesquisa e infraestrutura, esse é o dever de casa a ser feito.

Petróleo, em breve, será uma reserva energética, e nossos filhos e netos vão lidar com este “novo mundo” bem mais do que nós.

A não ser que alguém decida investir em guerras e mais guerras, destruindo aqui e ali, forçando o mundo a consumir petróleo.

Você duvida? Eu não.

Por Rodrigo Cintra

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